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Benefícios da Nutrição Enteral e Parenteral enriquecida com Ômega-3 para pacientes em UTI

Postado em 3 de junho de 2021 | Autor: Marcella Gava | Tempo de leitura: 4 min.

O estudo avaliou os efeitos da dieta na oxigenação sanguínea de pacientes críticos

Pacientes em UTI geralmente apresentam estado inflamatório e hipermetabólico, com produção de substratos endógenos que resultam em depleção energética e proteica além de deficiência de micronutrientes com consequências negativas para a imunidade e barreira intestinal, contratilidade diafragmática e cicatrização de feridas.

Esse estudo, conduzido por Singer e colaboradores, avaliou os efeitos combinados da nutrição enteral (NE) suplementada com nutrição parenteral (NP) enriquecida com ômega-3 PUFA na oxigenação sanguínea em pacientes críticos.

Realizou-se estudo randomizado, controlado, duplo cego, com pacientes internados em UTI que necessitavam de ventilação mecânica e de NE por um período igual ou superior a 5 dias, sendo acompanhados por 28 dias. O grupo intervenção (GI) recebeu ômega-3 PUFA tanto pela dieta enteral quanto parenteral, e o grupo controle (GC) recebeu uma combinação de NE e NP ambas sem ômega-3. Foi realizado calorimetria indireta para cálculo do gasto energético em repouso (GER). A NP suplementar era interrompida no dia 6, caso a NE fornecesse 80% ou mais das necessidades nutricionais do paciente e, em caso negativo, era mantida por mais 5 dias. Para avaliar a oxigenação sanguínea foi analisada a razão PaO2/FiO2, complacência e resistência pulmonar, pressão de ventilação de pico e platô, taxa de complicações na UTI, tempo de internação, dias livres de cuidados / ventilação / sedação / tratamento com catecolaminas na UTI, mortalidade em 28 e 90 dias. Também foram analisadas variáveis bioquímicas.

Fizeram parte do estudo 100 pacientes, sendo 50 em cada grupo. O fornecimento de calorias foi em média 1800 kcal em ambos os grupos. A proporção de pacientes que atingiram ≥ 80% das suas necessidades nutricionais somente com NE no 5º dia foi significativamente maior no GI. A oxigenação do sangue (PaO2/FiO2) reduziu ligeiramente no GI, porém sem diferença estatística. Também não foram observadas diferenças na complacência e resistência pulmonar ou pressão de ventilação de pico e platô. Os pacientes do GI apresentaram menos dias com catecolaminas que os pacientes do GC.  Dias em ventilação mecânica e sedação mostraram uma tendência a serem maiores e o tempo de hospitalização e de UTI menores no GI, porém sem diferenças estatística. A mortalidade foi semelhante entre os grupos. A quantidade de ácidos graxos no eritrócito foi maior no GI. As demais análises bioquímicas foram semelhantes entre os grupos.

Dessa maneira, os autores concluíram que a nutrição enteral e parenteral suplementar enriquecidas com PUFA ômega-3 não melhoraram a função pulmonar. No entanto, este regime influenciou beneficamente os parâmetros de resultados clínicos, incluindo desmame precoce do tratamento com catecolaminas e da NP. NP suplementar atendeu adequadamente aos requisitos de energia durante todo o estudo em ambos os grupos de tratamento e ambos os regimes foram seguros e bem tolerados.

Referência

Singer P, et al. Enteral and supplemental parenteral nutrition enriched with omega-3 polyunsaturated fatty acids in intensive care patients e A randomized, controlled, double-blind clinical trial. Clinical Nutrition 40 (2021) 2544-2554.



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