Como o uso de probióticos pode melhorar o desconforto intestinal?

Postado em 1 de fevereiro de 2021 | Autor: Natália Lopes

Lactobacillus e Bifidobacterium são os gêneros mais utilizados em situações de desconforto intestinal

Probiótico para melhorar desconforto intestinal

Que o nosso intestino é habitado por milhões de microorganismos já não é segredo para ninguém, sabemos que nossa microbiota intestinal tem relação com inúmeras condições de saúde e podem prevenir doenças e reduzir vários sintomas gastrointestinais.

Em um mundo perfeito, vivemos em simbiose intestinal, caracterizada pela harmonia entre hospedeiro e microrganismos patógenos e benéficos, porém a disbiose intestinal é uma realidade para a maioria das pessoas. Caracterizada pelo aumento das bactérias patogênicas em comparação às benéficas, a disbiose é resultado do uso excessivo de medicamentos, infecções, envelhecimento, estilo de vida e alimentação inadequada (como o consumo excessivo de açúcar, gordura e produtos industrializados).1,2

Atualmente, sabe-se que a disbiose está relacionada a várias condições de saúde, como doenças inflamatórias intestinais (DII), obesidade e síndrome do intestino irritado (SII), com impacto na eficiência do sistema imunológico e presença de sintomas intestinais como dor abdominal, alternância do funcionamento intestinal, diarreia causada por infecção ou uso de antibióticos, sintomas relacionados a intolerância a lactose, bolsite.1,2,3

Uma solução para disbiose seria o uso de probióticos, que são “microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um benefício à saúde do hospedeiro”. Estes microorganismos, em sua maioria bactérias lácticas, principalmente dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium, podem modificar a microbiota intestinal por meio da competição por nutrientes, antagonismo, alimentação cruzada e suporte da estabilidade da microbiota, favorecendo o crescimento de bactérias boas em detrimento de patógenos. 1,2,3

Tais efeitos probióticos são dependentes da cepa utilizada e para um produto probiótico ser considerado seguro e eficaz, deve atender a algumas especificações listadas a seguir3,4:

  • Sua ingestão não deve representar nenhum risco para o hospedeiro;
  • A cepa deve ter perfeitamente identificação e caracterização fenotípica e genotípica;
  • Deve manter suas características e permanecer estável durante o processo de fabricação e conservação antes do uso;
  • Deve estar livre de qualquer tipo de contaminação;
  • Após a ingestão a cepa deve atingir seu locar de ação,
  • Deve sobreviver ao estresse fisiológico do processo de digestão: estômago ácido, pH intestinal, presença de sais biliares.

O uso de probióticos vem sendo testado em variadas situações. A SII, por exemplo, é um distúrbio intestinal de origem multifatorial (fatores ambientais, hereditários e psicossociais), caracterizada por sintomas como dor abdominal e alternância de diarreia e/ou constipação. Acredita-se que distúrbios na integridade da barreira epitelial, como mudanças na permeabilidade intestinal, possam estar envolvidos na sua fisiopatologia, e que alterações no microbioma intestinal pode ser um fator contribuinte para o surgimento dos sintomas na SII, desta forma, o uso de probióticos poderia ser recomendado. 3,5

Estudo conduzido por Lyra e colaboradores acompanhou 391 indivíduos com SII que utilizaram Lactobacillus acidophilus durante um período de 12 semanas e observaram melhora dos sintomas gastrointestinais após uso diário de 109 e 1010 UFC do probiótico.6 Revisão sistemática conduzida por ASHA a colaboradores também observaram melhora de sintomas gastrointestinais em pacientes com SII após o uso de probióticos.7

Além do uso associado a condições clínicas, vale destacar que outros grupos também podem se beneficiar do uso de probióticos visando a melhora do desconforto intestinal. Atletas frequentemente sofrem com náusea, vômito, cãibras ou desconforto e diarreia, durante provas ou treinamento físico. Especificamente em modalidades de endurance, observa-se sintomas gastrintestinais relacionados a hipoperfusão esplâncnica (fluxo sanguíneo reduzido para o intestino), choque mecânico (saltos para cima e para baixo), desidratação e ingestão de alimentos e bebidas, particularmente de alta osmolaridade (concentração de solutos como açúcares e eletrólitos, por exemplo, consumir géis concentrados) e o uso de probióticos a longo prazo apresentou efeito positivo sobre esse sintomas, sendo, inclusive autorizado e indicado pelo Comitê Olímpico Internacional.³

Desta forma, podemos concluir que o uso de probióticos, principalmente por período igual ou superior a 12 semanas, reduz sintomas gastrointestinais, como náusea, dor e inchaço, em diversas situações e pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Patrocinado por: 

Probiótico para melhorar desconforto intestinal                     Probiótico para melhorar desconforto intestinal

Probiótico para melhorar desconforto intestinal

Referências

  1. SANDERS, Mary Ellen et al. Probiotics and prebiotics in intestinal health and disease: from biology to the clinic. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, [S.L.], v. 16, n. 10, p. 605-616, 11 jul. 2019. Springer Science and Business Media LLC.
  2. BUTEL, M.-J. et al. Probiotics, gut microbiota and health. Médecine Et Maladies Infectieuses, [S.L.], v. 44, n. 1, p. 1-8, jan. 2014. Elsevier BV.
  3. KIM, Seon-Kyun et al. Role of Probiotics in Human Gut Microbiome-Associated Diseases. Journal Of Microbiology And Biotechnology, [S.L.], v. 29, n. 9, p. 1335-1340, 28 set. 2019. Korean Society for Microbiology and Biotechnology.
  4. Miles, M.P. Probiotics and Gut Health in Athletes. Curr Nutr Rep9, 129–136 (2020).
  5. DALE, Hanna Fjeldheim et al. Probiotics in Irritable Bowel Syndrome: an up-to-date systematic review. Nutrients, 2019.
  6. LYRA, Anna et al. Irritable bowel syndrome symptom severity improves equally with probiotic and placebo. W J Gastroenterol, 2016.
  7. ASHA, Mohammad Z. et al. Efficacy and Safety of Probiotics, Prebiotics and Synbiotics in the Treatment of Irritable Bowel Syndrome: a systematic review and meta-analysis. Sultan Qaboos University Medical Journal [Squmj], [S.L.], v. 20, n. 1, 2020.

Cadastre-se e receba nossa newsletter