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Consumo de café é inversamente associado com risco de fibrose grave em pacientes com esteatose hepática não alcoólica

Postado em 14 de novembro de 2014 | Autor: Alweyd Tesser

Em pacientes com esteatose hepática não alcoólica (NAFLD) e com menor resistência à insulina (RI) o consumo de café está inversamente associado com o desenvolvimento de fibrose avançada, de acordo com resultados de um estudo publicado na revista Liver International. 

Os pesquisadores analisaram dados de 782 adultos de 2004 a 2008. A RI foi avaliada usando o modelo de avaliação da homeostase da resistência à insulina (HOMA-IR). O consumo de café foi avaliado através de dados do questionário de frequência alimentar (QFA), preenchido pelos participantes e relatado como número médio de xícaras por dia (XPD). A coleta de dados no que diz respeito ao consumo de café foi limitada a um máximo de 5 XPD e não foi feita qualquer distinção entre o café cafeinado e descafeinado.

O desfecho primário de interesse para a investigação foi a fibrose avançada com base na histologia hepática, categorizado como: nenhum a moderado (≤ fase 2) ou avançada (> fase 2). Um resultado secundário de interesse foi a presença versus ausência de esteatohepatite não alcoólica (NASH) na histologia.

Entre 782 participantes, 79% (n = 616) apresentaram NASH, e 25% (n = 199) apresentaram fibrose avançada. Com relação à frequência de ingestão de café, 29% dos participantes declararam consumir 0 XPD, 28% consomem <1 XPD, 15% consomem de 1 a <2 XPD, e 28% declararam consumir ≥2 XPD. 

O efeito do café na fibrose variou de acordo com o grau de RI. Os consumidores de café com menor RI, definida como HOMA-IR < 4,3, tiveram menor chance de desenvolver fibrose avançada [OR = 0,64; IC 95%, (0,46-0,88), p = 0,001]. Não houve efeito protetor do café na fibrose avançada entre os indivíduos com maior HOMA-IR [OR = 1,06, 95% CI (0,87-1,28), p = 0,6].

Os autores afirmam que ainda não se sabe quais substâncias presentes no café contribuem para esse resultado, mas sabe-se que o café contém centenas de componentes além da cafeína, que incluem compostos fenólicos, ácidos clorogenicos, melanoidinas, produtos da reação de Maillard, lignanas, ácido ferúlico; vitaminas e minerais.

Referência (s)

Bambha K, Wilson LA, Unalp A, Loomba R, Neuschwander-Tetri BA, Brunt EM, et al. Coffee consumption in NAFLD patients with lower insulin resistance is associated with lower risk of severefibrosis. Liver Int. 2014; 34(8):1250-8.

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