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Deficiências nutricionais estão relacionadas com o declínio cognitivo em idosos?

Postado em 17 de janeiro de 2014 | Autor: Rita de Cássia Borges de Castro

Sim. Estudos têm demonstrado que o declínio cognitivo em idosos pode estar relacionado com deficiências nutricionais graves, principalmente pela deficiência das vitaminas B1 (tiamina), B3 (niacina), B12 (cobalamina) e ácido fólico. Da mesma maneira, pesquisas também demonstram que a desnutrição energético-proteica em idosos está associada com o declínio cognitivo. Um estudo recente do Canadá descobriu que níveis baixos de filoquinona (vitamina K) estão relacionados à piora do declínio cognitivo, com redução do desempenho da memória episódica (lembrança associadas a um tempo ou lugar em particular).

O declínio cognitivo é sintoma muito frequente em idosos, ocorrendo em cerca de 10% da população acima dos 65 anos de idade. Essa condição decorre dos processos fisiológicos do envelhecimento normal ou de um estágio de transição para o desenvolvimento de demências mais graves. Idosos com o chamado “declínio cognitivo leve”, caracterizado por um declínio cognitivo maior do que o esperado para a idade apresentam maior risco de desenvolver a doença de Alzheimer (DA).

Com o envelhecimento da população, tanto a DA quanto o declínio cognitivo leve tornaram-se grandes problemas de saúde pública. Neste sentido, pesquisadores têm tentado investigar os fatores nutricionais que possam estar relacionados com a sua prevenção. Estudos realizados com animais de laboratório demonstram que os polifenois, que são compostos bioativos com a capacidade antioxidante, podem melhorar a aprendizagem e memória. Os pesquisadores encontraram que efeitos positivos são atribuídos à redução do estresse oxidativo.

Os ácidos graxos ômega-3 possuem efeitos benéficos na proteção ao declínio cognitivo, por ser um dos principais componentes das membranas neuronais e tem um papel biologicamente ativo na manutenção da estrutura e fluidez da membrana celular. A vitamina D também tem sido associada com os efeitos neuroprotetores e anti-inflamatórios.

Diversas evidências científicas têm demonstrado que uma maior adesão a uma dieta mediterrânea está associada a uma menor probabilidade de função cognitiva prejudicada. Um estudo realizado em indivíduos idosos, que receberam diariamente azeite de oliva extra-virgem diariamente durante 6,5 anos, demonstrou que houve melhora do desempenho cognitivo e houve redução do risco para o desenvolvimento de demência.

De uma maneira geral, os dados científicos sugerem que dietas ricas em frutas, legumes e outros produtos de origem vegetal, alimentos ricos em ômega-3, associado com menor consumo de carne vermelha, gordura saturada e açúcar refinado podem ser protetores contra o declínio cognitivo em idosos.

 

Bibliografia

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