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Massa muscular é preditora de complicações cirúrgicas em pacientes com câncer gastrointestinal

Postado em 1 de março de 2021 | Autor: Marcella Gava

Os pacientes selecionados fariam cirurgia de câncer gástrico ou colorretal

Cirurgia é um dos tratamentos mais utilizados no câncer de estômago e intestino, no entanto, essas cirurgias de grande porte são associadas a maior frequência de complicações pós-operatórias e maior morbidade, com um impacto negativo nos desfechos a curto e longo prazo.

Dessa maneira, Carvalho e colaboradores avaliaram se a composição corporal, função muscular e a associação destes podem ser utilizados como fator preditivo para complicações pós-operatórias a curto prazo em pacientes com câncer gástrico e colorretal. Para isso, foram selecionados pacientes que seriam submetidos à cirurgia eletiva de câncer gástrico ou colorretal. Foram colhidos dados clínicos e cirúrgicos, realizado teste funcional, avaliação nutricional e de força muscular, e utilizado TC para avaliar composição corporal.

Fizeram parte do estudo 84 pacientes com idade média de 59,7 anos, sendo a maioria mulheres. O tempo médio entre a TC e a cirurgia foi de 34 dias. As complicações pós operatórias foram associadas ao tumor no estômago (p=0,018), tumores de estágio 3 e 4 (p=0,033), obesidade (p=0,011), baixa radiodensidade muscular (p=0,025), baixa funcionalidade (HG) + prejuízo muscular (p=0,034) e obesidade visceral (p=0,030), quantidade de VAT (p=0,042), maior duração da cirurgia (p=0,002) e tempo de internação hospitalar (p<0,001). Para complicações grau 2 ou mais, indivíduos obesos, com obesidade visceral, baixa radiodensidade muscular e baixa função + prejuízo muscular, apresentaram mais chance de terem complicações pós operatórias, mesmo ajustado a variáveis. Em relação a complicações graves (CDC≥3), obesidade e baixa radiodensidade muscular foram fatores preditivos de complicações pós operatórias, e após ajuste das variáveis, a baixa radiodensidade muscular continuou sendo um fator preditivo de risco.

Sendo assim, o estudo sugere que a presença de obesidade, obesidade visceral, baixa funcionalidade + prejuízo muscular e baixa radiodensidade muscular se associaram e podem predizer um aumento do risco de complicações pós operatórias a curto prazo nestas cirurgias, mesmo em pacientes com baixo risco nutricional como da amostra, sendo a baixa radiodensidade muscular um fator de risco independente para essas complicações.

Referência

Carvalho ALMd, Gonzalez MC, Sousa IMd, das Virgens IPA, Medeiros GOCd, Oliveira MN, et al. Low skeletal muscle radiodensity is the best predictor for short-term major surgical complications in gastrointestinal surgical cancer: A cohort study. PLoS ONE 16(2): e0247322. 2021.

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