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Diretriz Clínica: Obesidade em Adultos

Postado em 17 de agosto de 2020 | Autor: Roberta Ciudi

Nova diretriz Canadense aborda a obesidade e apresenta novos cuidados que devem ser levados em consideração no manejo da doença

A obesidade é uma doença crônica, em que o excesso de adiposidade resulta em  prejuízos à saúde, aumentando o risco de complicações e diminuindo a qualidade e expectativa de vida do indivíduo.

É causada por múltiplos fatores, como: genética, metabolismo, aspectos comportamentais e aspectos ambientais.  Nova diretriz Canadense aborda a obesidade justamente levando em consideração todos esses aspectos e apresenta novos cuidados que devem ser levados em consideração no manejo da doença.

Entre os principais pontos abordados, destaca-se que:

  • A obesidade é uma doença crônica prevalente, complexa, progressiva e recidivante, caracterizada por gordura corporal anormal ou excessiva (adiposidade), que prejudica a saúde.
  • Pessoas que vivem com obesidade enfrentam preconceitos e estigma substanciais, que contribuem para o aumento da morbidade e mortalidade, independentemente do peso ou índice de massa corporal.
  • Esta nova diretriz reflete avanços substanciais na epidemiologia, determinantes, fisiopatologia, avaliação, prevenção e tratamento da obesidade, e muda o foco do gerenciamento da obesidade para melhorar os resultados de saúde centrados no paciente, ao invés da perda de peso apenas.
  • O cuidado da obesidade deve ser baseado em evidências de gerenciamento de doenças crônicas, deve validar as experiências vividas dos pacientes, ir além das abordagens simplistas de “comer menos, mover-se mais” e abordar as causas da obesidade.
  • Pessoas que vivem com obesidade devem ter acesso a intervenções baseadas em evidências, incluindo terapia nutricional, médica, atividade física, intervenções psicológicas, farmacoterapia e cirurgia.

A diretriz apresenta ainda uma passo a passo para o tratamento da obesidade e algumas recomendações pontuais em algumas situações. No Nutritotal destaca aqui as principais recomendações para o manejo do indivíduo obeso:

Condutas Profissionais no Manejo da Redução de Peso em Obesos
  • Profissionais da área da saúde devem ter atenção acerca de suas próprias atitudes e crenças relacionadas à obesidade, levando em conta como estas podem influenciar no tratamento oferecido ao paciente
  • Não é recomendado o uso de comentários atrelando doenças ao peso corporal do obeso
  • Profissionais da área da Saúde devem evitar utilização de falas e imagens contendo julgamentos no tratamento de pacientes obesos

 

Englobamento dos Indivíduos que  Vivem com o Obeso
  • Recomenda-se que o profissional da saúde envolva todos os membros adultos que convivem com o obeso na triagem, avaliação e manejo antes de iniciar o tratamento
  • O profissional da saúde pode aferir altura, peso e IMC de todos os demais membros da casa que convivem com o obeso, se assim permitido
  • Sugere-se que a avaliação investigue a causa do ganho de peso, assim como as demais complicações da obesidade e potenciais barreiras futuras no tratamento da doença
  • Para determinação do risco cardiometabólico, é recomendado avaliação de exames laboratoriais como: glicose, hemoglobina glicada e perfil lipídico

 

O Papel da Saúde Mental no Manejo da Obesidade
  • Recomenda-se monitoramento de peso, glicose e perfil lipídico em indivíduos com distúrbios comportamentais que administram fármacos para redução de peso
  • O tratamento psicológico deve ser considerado visando prevenção de ganho de peso em pessoas que apresentam distúrbios mentais severos e fazem uso de medicações antipsicóticas
  • Intervenções psicológicas devem compor o planejamento da perda de peso, melhorando quadro de saúde e qualidade de vida, a fim de promover maior aderência, confiança e motivação do paciente para com o planejamento proposto

 

Abordagem Nutricional e Atividade Física no Manejo da Obesidade
  • Sugere-se que adultos obesos e pré-diabéticos devem receber planejamento nutricional individualizado, elaborado por nutricionista, visando redução de peso corporal e circunferência da cintura, além de melhora do controle da glicemia e pressão arterial
  • Atividade aeróbica (30-60 minutos em intensidade moderada) deve ser considerada por adultos que visam redução da gordura abdominal visceral, perda e manutenção do peso, aumento da massa muscular ou massa livre de gordura

 

Cirurgia Bariátrica: Seleção, Pré-operatório e Opções Cirúrgicas
  • Sugere-se que seja realizada avaliação médica e nutricional, e deficiências nutricionais sejam corrigidas em candidatos a cirurgia bariátrica
  • Sugere-se aplicação de triagem e tratamento em casos de pacientes com apneia
  • A cirurgia bariátrica pode ser considerada nos seguintes casos:
  1. Indivíduos com valores de IMC ≥ 40 kg/m² ou BMI ≥ 35 kg/m² que apresentam pelo menos 1 comorbidade associada (dislipidemia, diabetes tipo 2, hipertensão…)
  2. Pacientes com diabetes tipo 2 não controlando em conjunto com obesidade grau 1
  3. Redução de peso corporal e/ou controle de doenças decorrentes da adiposidade em indivíduos obesos grau 1, que não apresentaram perda de peso significativa durante tratamento
  • Sugere-se que a escolha do método cirúrgico deve levar em consideração as necessidades e expectativas do paciente, sua condição clínica e os benefícios futuros, além dos possíveis riscos

 

Gestação e Pós-parto
  • Recomenda-se estabelecer, primeiramente, metas específicas para mulheres adultas obesas que estão grávidas ou planejam gravidez futura:
  1. Ganho de peso entre 5kg a 9kg ao longo de toda a gravidez
  2. Redução de peso corporal após gravidez para – no mínimo – peso anterior a inicio da gravidez, visando redução de riscos em futura gravidez
  • Recomenda-se que os cuidados primários envolvam a prática de exercícios físicos para mulheres que não apresentam contraindicação, sendo sugerido 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada
  • Não é recomendada administração de fármacos para controle do peso durante a gravidez ou fase de amamentação
  • DOWNLOAD

WHARTON, et al. Obesity in adults: a clinical practice guideline. Canadian Medical Association Journal, 192(31). 2020.

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