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Nutrição enteral precoce melhora prognóstico de crianças em UTI

Postado em 4 de fevereiro de 2021 | Autor: Marcella Gava

Mortalidade e tempo de ventilação mecânica estão entre os desfechos avaliados

As diretrizes para suporte nutricional no doente crítico recomendam o início precoce da nutrição enteral para melhorar os desfechos, bem como promover e manter a integridade e a função da mucosa intestinal. Dessa maneira, os autores investigaram se o inicio precoce da dieta enteral estaria associada a mortalidade hospitalar em 90 dias, além da mortalidade em 28 dias, dias fora da UTI, dias desospitalizado, dias fora do ventilador, disfunção orgânica e infecção hospitalar.

Foram incluídas crianças críticas que necessitaram de ventilação mecânica e desenvolveram hiperglicemia. Os pacientes elegíveis receberam dieta enteral e/ou parenteral para fornecer suas necessidades nutricionais. Foi realizada a avaliação nutricional destes conforme diretrizes atuais, com medidas antropométricas, e registrado as necessidades nutricionais e o quanto estes receberam de fato.

Fizeram parte do estudo 698 crianças, onde 54% recebeu dieta enteral precoce (<48horas). O grupo NE precoce apresentou menor ocorrência de imunodeficiências ou imunocomprometimento em transplante de medula óssea ou quimioterapia, receberam menos suporte inotrópico e apresentaram menor severidade da doença em comparação com o grupo que não iniciou NE precoce (p<0,001 para todos). Mais indivíduos do grupo NE precoce apresentaram disfunção respiratória como motivo primário de internação na UTI em comparação ao outro grupo. A quantidade de calorias e nutrientes recebidos foi semelhante entre os dois grupos no dia; no entanto, o total calórico cumulativo foi maior no grupo NE precoce em relação ao grupo não precoce (p<0,001). O grupo NE precoce apresentou menor glicemia de horário média que o outro grupo (112 mg/dL vs 115 mg/dL ; p = 0.02), sem diferença em hipoglicemia entre os grupos. Após ajuste das variáveis, a NE precoce associou-se a menor mortalidade em 90 dias (p<0,007), menos dias na UTI (p=0,02), mais dias desospitalizados (p=0,003), mais dias sem ventilação mecânica (p=0,003) e menos disfunção de órgãos (p<0,001) em comparação a NE não precoce. Não houve diferença na mortalidade de 28 dias.

Dessa maneira, os autores concluíram que a nutrição enteral precoce foi independentemente associada com mortalidade menor em 90 dias, mais dias sem ventilação, mais dias livres do hospital e menos disfunção orgânica após o ajuste para idade, escore z de IMC, suporte inotrópico no momento do estudo randomização, motivo principal para admissão na UTI e gravidade de doença.

Referência

Srinivasan, V et al. Early Enteral Nutrition Is Associated With Improved Clinical Outcomes in Critically Ill Children: A Secondary Analysis of Nutrition Support in the Heart and Lung Failure-Pediatric Insulin Titration Trial. Pediatric Critical Care Medicine, 2021.

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