Relação entre excesso de peso e gravidade de COVID-19

Postado em 15 de junho de 2020 | Autor: Marcella Gava

Dos pacientes, 54,4% receberam alta hospitalar, 13% faleceram e 32,6% seguiram internados até o fim do estudo

Estudo italiano avaliou a prevalência de sobrepeso e obesidade em pacientes hospitalizados por SARS-CoV-2 relacionado a pneumonia em UTI e avaliaram a associação entre o aumento do IMC e a severidade da doença. Todos os pacientes do estudo testaram positivo para SARS-CoV-2 por PCR e apresentavam pneumonia por COVID-19. Foram coletados dados clínicos, histórico de saúde, peso, altura e IMC destes pacientes. Para avaliação da severidade da COVID-19 foram considerados dois indicadores: 1) necessidade de ventilação mecânica (VM) a qualquer momento durante a internação 2) necessidade de oxigenoterapia não invasiva (ONI) a qualquer momento durante a internação.

Durante os 18 dias do estudo, foram incluídos 92 pacientes que ficaram ao menos um dia internados na enfermaria de COVID-19, sendo que 54,4% receberam alta hospitalar, 13% faleceram e 32,6% ainda estavam internados no hospital ao final do estudo. O tempo médio de hospitalização foi de 14,6 dias entre os que receberam alta e 10,8 dias entre os que foram a óbito. A maioria era homem (61,9%) com idade média de 70,5 anos. Ventilação assistida (VM+ONI) foi utilizada em 37% dos pacientes, 10% VM e 27% ONI. O IMC médio destes pacientes foi de 27,2 kg/m², sendo que 34,8% apresentavam IMC dentro na normalidade, 33,7% sobrepeso e 31,5% obesidade. Pacientes com IMC normal eram aproximadamente 10 anos mais velhos que os com IMC aumentado (p<0,01). A presença de doença respiratória crônica foi mais prevalente no grupo com obesidade (p<0,01). Ventilação assistida foi utilizada em 15,6% dos pacientes com IMC normal, em 54,8% dos com sobrepeso e 41,4% nos obesos (p<0,01). Internação em UTI ou semi-intensiva foi necessária em 18,7% dos indivíduos com peso normal, em 54,8% dos com sobrepeso e 41,3% dos obesos (p<0,05). A taxa de mortalidade foi significativamente maior no grupo com peso normal (31,2%) em relação aos com sobrepeso (sem óbitos) ou obesidade (p<0,001). Após ajuste de variáveis, as diferenças estatisticamente significantes da taxa de mortalidade entre as classes de IMC desapareceram no modelo em que os efeitos do sexo e da idade foram levados em consideração, sendo a idade o único fator associado à morte (p <0,01; OR 1,21). Quando incluiram comorbidades, a idade parou de estar ligada à mortalidade. A prevalência de suporte ventilatório no grupo peso normal se deveu grande parte a idosos com fragilidade, demência ou câncer avançado, e quando retirados estes pacientes da análise não houve mortes nesse grupo.

Assim sendo, os autores sugerem que pacientes com sobrepeso/obesidade apresentam um maior risco de severidade durante infecção por SARS-CoV-2. Pacientes com sobrepeso e obesidade requerem mais frequentemente hospitalização, inclusive em UTIs e unidades semi-intensivas, independentemente da idade, além de necessitarem mais frequentemente ventilação assistida. Dessa maneira, os autores sugerem que pacientes com sobrepeso e obesidade sejam considerados grupo de risco devendo ser protegidos ao máximo da infecção e monitorados mais atentamente nos casos de pneumonia por SARS-CoV-2.

Referência

Busetto L et al. Obesity and COVID‐19: an Italian snapshot. Obesity (Silver Spring) 2020 May 28 : 10.1002/oby.22918.

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