O que a ciência já sabe sobre a dieta do tipo sanguíneo

Postado em 18 de novembro de 2019 | Autor: Redação Nutritotal

Veja o que é verdade e o que é mentira a respeito da relação entre o que você come e o seu tipo de sangue

Nas aulas de genética da escola, você deve ter aprendido sobre os tipos sanguíneos e as oito possíveis combinações que um ser humano pode ter: A, B, AB ou O, positivos ou negativos. Além de serem indicativos para qual tipo de sangue um paciente pode doar ou receber, há estudos que tentam associar essa diferença sanguínea com a escolha de uma melhor alimentação. Um estudo divulgado no periódico Plos One apontou que a chamada dieta do tipo sanguíneo aconselha os seus adeptos a comerem de acordo com seu grupo sanguíneo para melhorar a saúde e diminuir o risco de doenças crônicas, como as cardiovasculares.

Assim, aqueles que têm o tipo sanguíneo A precisariam seguir uma alimentação com mais verduras e legumes. Quem tem o tipo B, teria de focar no leite e seus derivados. Os do tipo AB seriam um meio termo entre o A e o B, comendo vegetais e laticínios. Por fim, o tipo sanguíneo O teria como intuito consumir mais proteínas de origem animal.

No entanto, será que a dieta do tipo sanguíneo realmente é eficaz? Listamos a seguir alguns mitos e verdade para você conhecer melhor:

4 mitos e verdades sobre a dieta do tipo sanguíneo

Entenda como é essa alimentação e quais efeitos ela pode trazer ao organismo.

Letras coloridas indicando os diferentes tipos sanguíneos

Estudos tentam associar a diferença sanguínea com a escolha de uma melhor alimentação | Imagem: Shutterstock

Esse tipo de alimentação funciona para reduzir riscos cardiometabólicos

Mito. Um estudo publicado na revista científica da The American Society of Nutrition analisou o genótipo ABO, responsável pelos tipos sanguíneos que conhecemos, e concluiu que não há associação entre a dieta do tipo sanguíneo e as mudanças em indicadores de doenças cardiometabólicas em adultos com excesso de peso, sugerindo que a teoria por trás desse plano alimentar ainda não pode ser considerada eficaz por falta de mais estudos comprobatórios.

A dieta do tipo sanguíneo A pode estar relacionada ao emagrecimento

Parcialmente verdade. Segundo o estudo divulgado pelo Plos One, a adesão à dieta Tipo A pode estar associada a um menor índice de massa corpórea (IMC), além da diminuição da circunferência da cintura, da pressão arterial, do colesterol sérico, de triglicerídeos e de insulina. Mas isso, na verdade, se deve ao fato de a dieta tipo A ser analisada pelo estudo como a que tem o maior consumo de frutas e legumes e menor consumo de carnes. Por isso, não é o tipo sanguíneo que afeta a saúde, mas sim, a escolha dos hábitos alimentares.

E a do tipo O é capaz de diminuir os triglicérides

Parcialmente verdade. A mesma pesquisa divulgada no Plos One identificou que aqueles que optaram pela dieta do tipo sanguíneo O tiveram, de fato, uma diminuição do triglicérides no corpo. Porém, assim como aconteceu com a dieta do tipo A, isso se deve ao fato de a dieta do tipo O ser focada no consumo de mais proteínas e menos carboidratos, e não se relaciona com o tipo sanguíneo de cada pessoa.

Se eu seguir uma alimentação que não seja do meu tipo sanguíneo posso ter problemas de saúde

Mito. O estudo divulgado na revista da The American Society of Nutrition concluiu que não há relação entre o tipo sanguíneo com a dieta a ser seguida, por isso, se você está procurando mudar seus hábitos alimentares, o melhor a se fazer é consultar um nutricionista que possa orientá-lo nessa transição da forma mais adequada e individual.

 

Este conteúdo não substitui a orientação de um especialista. Agende uma consulta com o nutricionista de sua confiança.

Referências bibliográficas:

Wang J. et al. ABO Genotype Does Not Modify the Association between the “Blood-Type” Diet and Biomarkers of Cardiometabolic Disease in Overweight Adults. The American Society of Nutrition, 2018.

Nielsen D. et al. ABO Genotype, ‘Blood-Type’ Diet and Cardiometabolic Risk Factors. Plos One, 2014.

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