Dieta dos gladiadores: a alimentação vegana é o melhor para a performance?

Postado em 10 de fevereiro de 2020 | Autor: Redação Nutritotal

Documentário mostra que os guerreiros da Roma Antiga se alimentavam especialmente de folhas. Entenda a relação entre veganismo e o condicionamento físico

Você já ouviu falar na dieta dos gladiadores? Baseada na alimentação dos guerreiros que lutavam entre si ou contra feras no Coliseu na Roma Antiga, essa dieta ganhou fama nos dias atuais após um documentário que mostrou um fato curioso: o consumo de carnes era quase inexistente entre esses homens.

Isso porque, diferentemente do que é mostrado em alguns filmes e séries, os gladiadores eram escravos, que treinavam dia e noite. Eles consumiam apenas uma mistura de folhas carbonizadas, rica em minerais, segundo um estudo feito na Universidade de Medicina de Viena, na Áustria.

Com todas essas informações, muita gente que assistiu ao documentário tem se questionado: então a dieta vegana é melhor para a performance?

Contudo, é preciso ter cautela ao fazer essas afirmações, até porque a pesquisa austríaca também revelou os riscos que uma alimentação restrita como essa poderia causar na época dos gladiadores. Para explicar melhor a relação entre veganismo e performance, separamos alguns tópicos a seguir:

4 mitos e verdades sobre a dieta dos gladiadores (alimentação vegana x performance)

Estudo revelou que gladiadores não consumiam alimentos de origem animal. Cada vez mais pessoas hoje também não: será que isso pode impactar na capacidade física?

Uma mulher e um homem sentados na praia, com roupas de ginástica, sorrindo e comendo salada

Os veganos podem encontrar quase todos os nutrientes que precisam em alimentos de origem vegetal | Imagem: Shutterstock

A dieta vegana pode atrapalhar a capacidade física de quem se exercita

Mito. Uma pesquisa publicada no Journal of the International Society of Sports Nutrition apontou que a dieta vegana, comparada à onívora e à ovo-lacto vegetariana, não tem vantagens nem desvantagens em relação à capacidade de exercício. Com isso, os cientistas afirmam que uma dieta vegana pode ser sim uma alternativa adequada para corredores recreativos.

Não consumir alimentos de origem animal protege o corpo de doenças metabólicas

Parcialmente verdade. Há estudos que comprovam que a dieta vegana é capaz de diminuir o risco de doenças ligadas à saúde do coração, mas o fato de não comer alimentos de origem animal não necessariamente deixa a dieta mais saudável. As pessoas que aderem dietas vegetarianas e veganas também precisam tomar cuidado com as escolhas alimentares para atingir as recomendações de uma alimentação saudável. Por isso, consulte um nutricionista para receber as orientações adequadas para o seu plano alimentar.

A proteína é uma preocupação na dieta de veganos e vegetarianos

Parcialmente verdade. A falta de proteína pode ser uma preocupação se a alimentação não estiver equilibrada, e isso requer ajuda de um profissional para as adequações e objetivos. Mas por outro lado, segundo o Guia Alimentar de Dietas Vegetarianas para Adultos, da Sociedade Brasileira Vegetariana, de forma geral, a proteína não pode ser considerada um fator de preocupação nas dietas vegetarianas porque a ingestão de alguns aminoácidos, como a lisina, pode ser garantida pelo consumo diário de quatro colheres de sopa de feijão cozido em grãos ou quantidade equivalente dos demais alimentos do grupo dos feijões.

Veja também: As melhores fontes de proteína para vegetarianos

Cálcio e ômega 3 só podem ser obtidos em alimentos de origem animal

Mito. Importantes para a saúde dos ossos, esses nutrientes podem, de acordo com a SBV, ser encontrados na dieta vegetariana estrita. Algumas fontes de cálcio como bebidas vegetais fortificadas são opções para substituir o leite de vaca. Já o consumo de ômega 3 pode ser aumentado por meio de sementes e de oleaginosas, como nozes e linhaça, por exemplo.

 

Este conteúdo não substitui a orientação de um especialista. Agende uma consulta com o nutricionista de sua confiança.

Referências bibliográficas:

Lösch S. et al. Stable Isotope and Trace Element Studies on Gladiators and Contemporary Romans from Ephesus (Turkey, 2nd and 3rd Ct. AD) – Implications for Differences in Diet. Universidade de Medicina de Viena, 2014.

Nebl J. et al. Exercise capacity of vegan, lacto-ovo-vegetarian and omnivorous recreational runners. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2019.

Vanacore D. et al. Effect of restriction vegan diet’s on muscle mass, oxidative status, and myocytes differentiation: A pilot study. no Journal of Cellular Physiology, 2018.

Guia Alimentar de Dietas Vegetarianas para Adultos. Sociedade Brasileira Vegetariana, 2012.

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