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A metabolômica pode determinar o que você está comendo

Postado em 9 de dezembro de 2020 | Autor: Natasha Machado

Veja como a metabolômica pode influenciar o comportamento alimentar

Há muitas décadas, o estudo da dieta e do consumo alimentar é limitado por imprecisões em relatos pessoais. Ao depender exclusivamente da memória do paciente, a caracterização da qualidade da dieta é imprecisa e pode limitar perspectivas de avaliação. A maioria das pessoas possui memória muito ruim e não está atenta ao que é consumindo. É comum omitir, negar ou esquecer o consumo de alguns alimentos considerados menos saudáveis, como sobremesas açucaradas ou chocolates. Quando questionadas sobre a alimentação, pessoas podem trazer respostas baseadas no que acreditam que consumiram, no que gostariam de ter consumido ou no que acham que o profissional gostaria de escutar. Essa tática tradicional introduz viés e apresenta erros notórios. Contudo, os métodos de investigação da metabolômica abrem espaço para uma era de precisão, na qual é possível rastrear moléculas derivadas de alimentos e caracterizar padrões exatos de consumo alimentar: as análises metabolômicas fornecem dados confiáveis, pois o sangue e urina não mentem.

Um estudo conduzido no Imperial College London trouxe achados importantes. Indivíduos selecionados ficaram voluntariamente trancados em uma clínica por 3 dias seguidos em quatro ocasiões diferentes. Os participantes foram proibidos de praticar exercícios e receberam diferentes e rigorosas dietas em cada uma de suas visitas. A urina produzida nos períodos de manhã, tarde e noite foi totalmente colhida e investigada pelos pesquisadores e, a partir destes dados, foi possível entender como os hábitos alimentares influenciam as concentrações relativas de metabólitos excretados na urina e como esse tipo de amostra biológica pode servir como um indicador da composição da dieta.

O trabalho para definir os metabólitos ligados a certa qualidade dietética ou alimentos ainda está em progresso, mas análises cuidadosas têm permitido descobertas relevantes e informações diferenciadas. Espera-se padronizar a epidemiologia dietética para elucidar as ligações entre hábitos alimentares específicos e o risco de doenças e há uma grande expectativa de que a metabolômica decifre interações entre dieta e saúde.

Contudo, antes que os cientistas possam começar a associar metabólitos a saúde e doença, é necessário detalhar os biomarcadores relevantes para o consumo de diversos alimentos. Esses biomarcadores potenciais incluem compostos derivados desses alimentos ou flutuações nas concentrações de metabólitos humanos ou secundários, produzidos pelo microbioma intestinal.

Moléculas promissoras foram identificados pelo Food Biomarker Alliance (FoodBAll) e a investigação de biomarcadores sanguíneos está mais avançada para alguns grupos de alimentos.

O álcool de açúcar galactitol, por exemplo, parece ser um bom indicador do consumo de leite de vaca e o composto aromático ácido 3-fenilático parece derivar da ingestão de queijo. Atualmente, mais de 70 mil compostos estão registrados em diferentes bancos de dados, e resultam da investigação do consumo de aproximadamente 1.500 alimentos.

Para incorporar esses sinais individuais em uma avaliação mais ampla, são aplicadas ferramentas de machine learning. Os níveis de biomarcadores de dietas de composição conhecida são utilizados em algoritmos de computador e, a partir dos perfis metabolômicos da urina, é possível prever a qualidade dos alimentos consumidos.

 

Nutrição Personalizada

Embora os nutricionistas concordem com os ingredientes básicos de um plano de refeição saudável (muitas frutas e vegetais, por exemplo), as diretrizes gerais não falam sobre as diferenças entre indivíduos. Sabe-se que pessoas respondem aos alimentos de maneira diferente e, especialmente com vitaminas, há uma grande variabilidade. O metabolismo de vitaminas pode ser influenciado por diversos fatores e variar com a idade, composição genética, estado nutricional e fisiológico. Pessoas com obesidade podem armazenar vitaminas lipossolúveis no tecido adiposo e manter menor nível circulante, por exemplo. Dessa forma, um copo de suco de laranja rico em vitamina C pode fornecer efeitos diferentes entre indivíduos.

De fato, a metabolômica oferece grande potencial para compreensão metabólica individual, e planos de nutrição personalizada podem recomendar alimentos, suplementos ou mesmo exercícios específicos. Contudo, ainda se fazem necessários mais estudos para determinar de que forma a personalização de dietas pode melhorar a saúde dos indivíduos e populações com alergias ou necessidades nutricionais específicas.

Referência

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