Por que o alho pode ser considerado um alimento funcional?

Postado em 7 de janeiro de 2019 | Autor: Utilizado há muitos anos, o alho possui vitaminas, minerais e fitoquímicos que o transformam em um "super alimento"

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O alho, Allium sativum L., é um alimento tradicional da nossa cultura, utilizado desde os tempos antes de Cristo como tempero e medicamento. Cultivado em todo o mundo, o alho possui vitaminas e minerais, mas seu principal constituinte é a alicina, fitoquímico responsável por usa atribuição de alimento funcional.

A alicina é produzida quando o alho cru é amassado, pela reação da aliIna com a enzima alIinase, sendo também responsável pelo seu aroma e sabor característicos. O aquecimento pode inativar a alicina, por isso existe uma orientação de consumir o alho cru ou esperar 10 minutos antes de cozinhar o alho amassado. Porém, alguns trabalhos atuais apontam que durante o cozimento ou envelhecimento a alicina pode produzir compostos que podem ser ainda mais ativos, o que não justificaria o consumo do produto cru.

Há algum tempo tenta-se provar as propriedades antidiabéticas, hipotensivas e hipolipidêmicas do alho, e os trabalhos mostram resultados promissores. Propriedades antimicrobianas, antitrombóticas, antiparasitárias, anti-hepatotóxicas e antitumorais do alho também são bastante pesquisadas.

Em recente publicação, a utilização de 100mg/kg de peso corporal de alho cru esmagado 2 vezes ao dia, associado à dieta padrão por 4 semanas reduziu significativamente os componentes da síndrome metabólica, incluindo circunferência da cintura (p<0,05), pressão arterial sistólica e diastólica (p<0,001), triglicérides (p <0,01), glicemia de jejum (p <0,0001) e aumentou significativamente o HDL-c (p <0,0001). Além disso, a suplementação de alho por 12 semanas parece reduzir a intensidade da dor em mulheres com excesso de peso e osteoartrite de joelho, possivelmente pela sua ação anti-inflamatória.

No entanto, mais estudos são necessários para que todas as propriedades atribuídas ao alho sejam comprovadas e para assegurar a dose e forma de utilização mais adequadas para atingir os efeitos esperados.

Referências:

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DEHGHANI, Sahar et al. The effect of a garlic supplement on the pro-inflammatory adipocytokines, resistin and tumor necrosis factor-alpha, and on pain severity, in overweight or obese women with knee osteoarthritis. Phytomedicine, [s.l.], v. 48, p.70-75, set. 2018. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.phymed.2018.04.060.

HOSSEINI, A.; HOSSEINZADEH, H.. A review on the effects of Allium sativum (Garlic) in metabolic syndrome. Journal Of Endocrinological Investigation, [s.l.], v. 38, n. 11, p.1147-1157, 3 jun. 2015. Springer Nature. http://dx.doi.org/10.1007/s40618-015-0313-8.

MAJEWSKI, M. Allium sativum: facts and myths regarding human health. Rocz Panstw Zakl Hig [s.l.], v.65, n.1, p.1-8, 2014.