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Comer tarde pode diminuir perda de peso e aumentar riscos cardiometabólicos

Postado em 15 de março de 2021 | Autor: Aline Palialol

Participantes que comiam mais tarde apresentaram menor motivação no emagrecimento

O horário em que as refeições acontecem tem sido comentado em algumas pesquisas como fator relevante na qualidade da saúde em geral. O mecanismo molecular que provoca essa relação é multifatorial, mas pode estar vinculado ao desalinhamento circadiano, ou seja, uma dessincronização entre o ambiente e os comportamentos. Outros estudos mencionam que a alimentação tardia, bem como a execução de tarefas e trabalhos noturnos, impactam negativamente no equilíbrio energético e no controle glicêmico.

Por isso, um estudo tentou identificar se há uma relação entre o horário da alimentação e a dificuldade de perder peso, hábitos obesogênicos e fatores de riscos cardiometabólicos. Essa pesquisa foi feita com participantes de um programa de perda de peso na Espanha, dividindo-se o grupo entre os que almoçavam antes das 14h54 e os que almoçavam depois desse horário, sendo que, a composição da refeição foi avaliada por recordatório de 24h com um programa de avaliação nutricional baseado em tabelas espanholas de composição alimentar. Outro dado analisado foi o perfil hormonal cardiometabólico, avaliado por amostras de sangue em jejum, antes da intervenção.

O programa foi liderado por nutricionistas certificados e teve uma duração de 19 semanas aproximadamente, incluiu 3.362 adultos, maioria mulheres com idade e IMC médios de, respectivamente, 41 anos e 31,05kg/m² (classificação de obesidade). Atividade física e gasto energético não foram avaliados nesse estudo que, inicialmente, identificou que os participantes que se alimentavam mais tarde tinham IMC maior, maiores concentrações de triglicérides e menor sensibilidade à insulina.

Todos os participantes foram submetidos a uma dieta mediterrânea, em um programa padronizado de perda de peso (método Garaulet), com 60 minutos por semana de terapia em grupo e um limite diário de consumo energético de 1200 a 1800 kcal para mulheres e 1500 a 2000 kcal para homens, objetivando uma perda de peso de 5 a 10% do total inicial.

Na quantidade e qualidade da dieta, não houve discrepâncias relevantes, sendo que entre café da manhã, almoço e jantar, o almoço compreendeu a maior densidade energética (39%). Aqueles que se alimentavam mais tarde demoravam em média mais 39 minutos para dormir e despertavam mais vezes durante o sono. Além disso, ao final do estudo esses participantes continuaram apresentando maior IMC, maior gordura corporal, maior circunferência da cintura, maiores concentrações de leptina (hormônio da saciedade) pela manhã e maiores níveis de insulina em jejum e triglicérides que o outro grupo. Entre os 2.119 que concluíram o programa de perda de peso, os que comiam mais tarde tiveram 17% menos sucesso que os outros participantes e uma taxa de perda semanal 80g menor. Cada atraso por hora no ponto médio da ingestão alimentar foi associado a 49g a menos de perda de peso por semana.

Ao questionar sobre as barreiras e motivações para a perda de peso, dos 2.154 participantes, aqueles que comiam mais tarde, apresentaram maiores chances de enfrentar barreiras e menor motivação para perder peso. Esses comiam mais em momentos de estresse e enquanto assistiam TV.
Ao final do estudo, pode-se dizer que o comer mais tarde está relacionado a hiperglicemia, dislipidemia, sensibilidade à insulina, síndrome metabólica, comportamentos obesogênicos, redução da eficácia na perda de peso e maior IMC. No entanto, imprecisões nas respostas, maior aquedação no tempo médio das refeições e variantes genéticas precisam ser consideradas em outros estudos para uma conclusão mais precisa dos resultados.

Referência

Hassan S Dashti, Puri Gómez-Abellán, Jingyi Qian, Alberto Esteban, Eva Morales, Frank A J L Scheer, Marta Garaulet, Late eating is associated with cardiometabolic risk traits, obesogenic behaviors, and impaired weight loss, The American Journal of Clinical Nutrition, Volume 113, Issue 1, January 2021, Pages 154–161.

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