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Como calcular o volume de dieta enteral a ser administrado por horário?

Postado em 17 de maio de 2021 | Autor: Natália Lopes | Tempo de leitura: 3 min

Calcular o volume de dieta enteral é mais simples do que parece

Volume dieta enteral Pacientes em terapia de nutrição enteral (TNE) devem receber um volume de dieta que atenda às necessidades energéticas dos pacientes. Mas nem sempre é simples ajustar o volume de dieta que o paciente receberá por horário. Pensando em te ajudar nesse processo, criamos um passo a passo para calcular o volume de dieta enteral a ser administrado por horário.

  1. Determine a necessidade energética total do paciente;
  2. Escolha se a dieta oferecida será normocalórica ou hipercalórica (densidade energética da fórmula enteral);
  3. Calcule o volume total da dieta enteral para que se obtenha o valor energético proposto. Para isso, basta dividir o valor energético total pela densidade energética da fórmula enteral. Por exemplo: se o valor calórico total é de 1200 Kcal e a fórmula tem densidade calórica de 1,0 Kcal/ml, basta dividirmos 1200 por 1 e obter o resultado de 1200, ou seja, serão necessários 1200 ml para ofertar as 1200 calorias ao paciente.
  4. Determine se a dieta será oferecida pelo método intermitente ou contínuo;
  5. No caso da alimentação intermitente, a administração da dieta deve ser iniciada com um volume baixo (60 ml a 100 ml) até atingir a concentração total diária, dividindo-se o volume total por 6 a 8 infusões (a cada 3 ou 4 horas, por exemplo), dependendo da aceitação e necessidade do paciente. Exemplo: o paciente receberá a dieta 7 vezes ao dia, no primeiro dia, será ofertado 60ml por horário, totalizando 420ml no final do dia; no segundo dia receberá 70 ml por horário, totalizando 490ml no dia, e assim por diante até que se atinja os 1200ml que o paciente precisa receber por dia;
  6. Quando a infusão for contínua, deve-se iniciar a administração da dieta com 10 ml/hora a 40 ml/hora, com aumento de 10 ml a 20 ml a cada 8 a 12 horas, conforme tolerância do paciente. Assim, se no primeiro dia forem oferecidos 20ml por hora e o paciente receber dieta por 20h, serão oferecidos 400ml da dieta em 1 dia.

Percebe-se que podem ser necessários alguns dias para que o paciente receba o total de energia necessário a sua recuperação, portanto, o quando antes for iniciada a TNE, melhor.

A TNE deve fornecer no mínimo 50% a 65% das necessidades energéticas do paciente, durante a primeira semana de hospitalização, para que se possa obter os benefícios clínicos. Estudos revelam que esta quantidade é necessária para prevenir aumento da permeabilidade intestinal em pacientes com transplante de medula óssea, promover o rápido retorno das funções cognitivas em pacientes com injúrias de cabeça e para melhorar os resultados da modulação imune em pacientes críticos.

Se o fornecimento de 100% das necessidades calóricas não puder ser atingido dentro de 7 a 10 dias por meio da NE, a complementação com nutrição parenteral pode ser considerada. Entretanto, isto aumentaria os custos hospitalares e não necessariamente reflete benefícios adicionais ao paciente, já que é a TNE a responsável por manter a integridade intestinal, reduzir o estresse oxidativo e modular a imunidade sistêmica.

Referências:

CUPPARI, Lilian. Guia de Nutrição Clínica no adulto. 3ed. Barueri, SP: Manole, 2014.

WAITZBERG, Dan L. Nutrição Oral, Enteral e Parenteral na prática clínica. 5.ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2017.

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