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COVID-19 – Nutrição enteral pode causar intolerância alimentar

Postado em 12 de abril de 2021 | Autor: Marcella Gava | Tempo de leitura: 4 min.

Gravidade da doença foi relacionada com intolerância à dieta enteral | Tempo estimado: 4min.

Além da doença pulmonar primária, a infecção grave por COVID-19 é frequentemente associada a complicações extra pulmonares envolvendo múltiplos órgãos e sistemas, como disfunção do trato gastrointestinal. Assim sendo, o estudo caracterizou a prevalência, manifestações clínicas e desfechos da intolerância alimentar em pacientes críticos com COVID-19.

Foram incluídos no estudo pacientes com COVID-19 confirmado laboratorialmente, admitidos na UTI e que receberam nutrição enteral. Foram coletados dados clínicos e demográficos, IMC, SOFA, presença e natureza de sintomas GI relacionados ao COVID-19 e dados sobre a dieta.

Intolerância à dieta aumentou mortalidade

Fizeram parte do estudo 323 pacientes com idade média de 59,6 anos sendo 64,1% do sexo masculino. Destes, 56% apresentaram intolerância alimentar e esta foi relacionada com a gravidade do paciente, calculada pelo escore SOFA, e pacientes com obesidade severa (IMC≥40kg/m²) desenvolveram menos intolerância. Uma maior proporção de pacientes que toleraram a dieta enteral apresentou diarreia na admissão em comparação aos intolerantes (p=0,005). O tempo médio de inicio da NE foi de 1 dia tanto no grupo tolerante quanto no intolerante. O sinal e sintoma mais frequente da intolerância à dieta foi o grande volume gástrico residual (76,1%), sendo que distensão abdominal e vômitos também foram bastante prevalentes. O tempo médio para desenvolvimento da intolerância foi de 4 dias com duração média de 7 dias. Em torno de um quarto (23,3%) dos pacientes desenvolveram episódios adicionais de intolerância alimentar após resolução do episódio inicial. Das imagens obtidas durante o quadro de intolerância, íleo adinâmico foi a anormalidade mais frequente e três pacientes apresentaram perfuração intestinal; 18,3% dos pacientes necessitaram nutrição parenteral. O tempo de intubação foi um preditor independente de intolerância alimentar (OR 1,05). A presença de um ou mais sintomas GI na admissão e obesidade severa foram associados a menor risco de intolerância alimentar (OR 0,76 e 0,29). Pacientes com intolerância apresentaram mais chance de desenvolver insuficiência cardíaca, renal e hepática, colite isquêmica e complicações hematológicas durante a hospitalização, além do aumento médio de 6 dias de hospitalização. A mortalidade hospitalar foi maior nos pacientes com intolerância alimentar (p<0,001), sendo esta associada independentemente com o aumento de risco de mortalidade (HR 3,32). A presença de pelo menos um sintoma GI relacionado ao COVID-19 foi associado a uma menor taxa de mortalidade (HR 0,69).

Conclusão dos autores

Dessa maneira, os autores concluíram que intolerância alimentar é uma complicação frequente em pacientes com COVID-19 graves e que esta relacionada a piores desfechos, como maiores taxas de disfunção orgânica, maior tempo de internação na UTI e aumento de mortalidade.

Referência

Liu R, Paz M, Siraj L, Boyd T, Salamone S, Lite TLV, Leung KM, Chirinos JD, Shang HH, Townsend MJ, Rho J, Ni P, Ranganath K, Violante AD, Zhao Z, Silvernale C, Ahmad I, Krasnow NA, Barnett ES, Harisinghani M, Kuo B, Black KE, Staller K. Feeding intolerance in critically ill patients with COVID-19. Clin Nutr. 2021 Mar 29. doi: 10.1016/j.clnu.2021.03.033. Epub ahead of print. PMCID: PMC8007186.

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