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Dieta Rica em Gordura, alterações na microbiota e risco cardiometabólico

Postado em 1 de abril de 2019 | Autor: Marcella Gava

Dieta rica em gordura pode impactar negativamente a composição da microbiota e alteração de marcadores metabolíticos

Estudo randomizado controlado conduzido por Wan teve como objetivo investigar se dietas com conteúdo diferente de gordura poderia alterar a microbiota intestinal e o perfil metabolomico fecal e determinar a relação destas alterações com fatores de risco cardiometabólicos em adultos saudáveis.

Foram selecionados 217 participantes com IMC <28kg/m² (critério chinês de obesidade) que foram divididos em três grupos diferentes. No grupo que recebeu dieta baixa em gorduras (DBG), a distribuição calórica foi de 20% de lipídeos e 66% de carboidratos; já no grupo moderado em gorduras (DMG) as porcentagens calóricas foram 30% de lipídeos e 56% de carboidratos e no grupo dieta rica em gordura (DRG) os participantes receberam 40% de lipídeos e 46% de carboidratos. Foi calculado 14% de proteínas e 14g de fibras nas dietas de todos os grupos. Todos os alimentos foram fornecidos durante os 6 meses de intervenção, e os pacientes completaram diários alimentares com tudo que consumiram. Foi analisada a microbiota, o perfil metabolômico fecal, marcadores inflamatórios e outros marcadores sanguíneos nos diferentes grupos, através de amostras fecais e de sangue fornecidas no início e no final do estudo. A análise metabolômica fecal foi realizada através de sequenciamento de rRNA.

Após 6 meses de intervenção, todos os grupos perderam peso e essa perda foi maior no grupo com dieta baixa em gorduras, assim como a redução de circunferência da cintura, colesterol total, HDL, LDL. A diversidade de comunidade aumentou significativamente no grupo DBG em relação ao grupo DRG (p=0,03). No grupo DRG os Bacteroidetes aumentaram e os Firmicutes diminuíram após intervenção (p<0,001). A razão Firmicutes/Bacteroidetes reduziu significativamente após intervenção nos grupos DMG e DRG (p=0,004 e p<0,001, respectivamente). Em comparação a DBG, a DRG aumentou a abundância de Bacteroidetes e reduziu a de Firmicutes, significativamente (p<0,01). A DBG foi associada ao aumento das concentrações de Blautia (p=0,007) e Faecalibacterium (p=0,04), enquanto a DRG foi associada ao aumentou das concentrações de Alistipes e Bacteroides (p<0,01), e diminuição de Faecalibacterium . Maior concentração de Blautia se associou negativamente com as mudanças no colesterol, LDL e HDL (p<0,001), enquanto maiores concentrações de Bacteroidetes se associou positivamente (p<0,001) à essas alterações. A análise de metabólitos fecais mostrou redução de p-cresol e indol (associados à distírbios metabólicos) e aumento de ácido 3-indol propiônico e ácido butírico no grupo DBG; e diminuição de ácidos graxos de cadeia curta, e aumento de ácido araquidônico no grupo DRG. As concentrações de PCR estavam significantemente aumentada na DRG em relação a DMG (p<0,001) e a DBG (p<0,001). As concentrações de tromboxanos estavam aumentadas na DRG em relação a DBG (p=0,02), enquanto leucotrienos e prostaglandinas estavam significativamente reduzidos na DBG em relação a DMG (pp=0,003) e DRG (p<0,001).

Com isso, os autores concluiram que em comparação à dieta com baixo teor de gordura, o consumo de dieta rica em gordura parece causar alterações desfavoráveis na microbiota intestinal, nas concentrações de metabólicos fecais e fatores pró-inflamatórios em adultos jovens saudáveis, o que pode conferir consequências para de saúde a longo prazo.

Wan Y, et al. Effects of dietary fat on gut microbiota and faecal metabolites, and their relationship with cardiometabolic risk factors: a 6-month randomised controlled-feeding trial. Gut 2019;0:1–13.

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