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Entrevista: Entenda a Tireoide

Postado em 7 de março de 2019

Médica endocrinologista explica as principais diferenças entre hiper e hipotireoidismo

Dra. Antonela Siqueira Catania

Médica Endocrinologista. Pós-Doutorado em Nutrição em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo. Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela SBEM.

Dra. Antonela Catania, médica endocrinologista, esclarece algumas dúvidas comuns sobre a tireoide. Confira:

1. Quais são os sinais clínicos que evidenciam uma alteração do funcionamento da tireóide?
Quando se trata do hipotiroidismo, os sinais e sintomas são sutis, aparecem lentamente e podem ser muitas vezes confundidos com outros problemas bastante comuns, como depressão, carências de vitaminas, estresse ou mesmo esgotamento por excesso de trabalho, noites mal dormidas… Por isso é importante realizar um check-up com dosagem do hormônio tireotrófico, mais conhecido como TSH, para saber se o problema está na tireóide ou não. Mas podemos dizer que os principais sinais e sintomas do hipotiroidismo são: cansaço, sonolência diurna apesar de noites bem dormidas, irritabilidade, tristeza e desânimo, dificuldade de concentração, além de outros mais físicos mesmo, como constipação, pele ressecada, unhas quebradiças, queda de cabelo, pele amarelada e inchaço abaixo dos olhos e bradicardia (coração batendo devagar demais). Nos casos de hipertiroidismo, os sintomas são mais agudos e específicos, portanto mais graves; entre eles temos: palpitação, dor no peito, perda de peso acentuada associada à fome e aumento da ingestão de alimentos, pele molhada, sudorese profusa, tremores de extremidades. Em alguns casos pode haver comprometimento ocular, com o quadro que chamamos de exoftalmo – os olhos ficam “saltados”, com as pálpebras retraídas, vermelhos e lacrimejantes, com muito prurido associado. Isto decorre de uma inflamação no colágeno localizado atrás do glóbulo ocular, que o empurra para fora.

2. Quais são as principais diferenças entre hipo e hipertiroidismo?
São quadros diametralmente opostos. No hipo, a tireóide está fraca, produzindo pouco hormônio, e portanto a pessoa fica cansada e vai “parando” aos poucos. É como se faltasse combustível para realizar as funções vitais. No hipertiroidismo, a glândula está super-estimulada, produzindo excesso de hormônio e jogando em circulação doses altas de T3 e T4, que acarretam o aceleramento do metabolismo como um todo, causando os sintomas descritos acima de palpitações, tremores, etc… O hipertiroidismo é mais raro, porém mais grave, pois se não tratado a tempo pode desencadear uma arritmia maligna e até uma parada cardíaca.

3. Quais exames devem ser solicitados para o acompanhamento da função tiroidiana?
Cada caso é um caso, mas se o médico quer rastrear os casos de doença tiroidiana, antes de encaminhar para um especialista, basta o TSH, pois é o primeiro hormônio que se altera na grande maioria dos casos. Uma vez o TSH alterado, a opinião de um endocrinologista, ou de um clínico habituado com o tratamento das alterações de função tiroidiana, deve ser solicitada para proceder com a investigação.

4. Qual a importância dos hormônios tiroidianos para nossa saúde?
É importante explicar que hormônios tiroidianos são o T3 e o T4. O TSH é um hormônio hipofisário (produzido pela hipófise, nossa glândula mestra, na base do cérebro).  Dito isso, os hormônios tiroidianos, T3 e T4, são imprescindíveis para a vida humana, visto que atuam em todos os órgãos e tecidos do corpo, estimulando de maneira mais ou menos significante, seu funcionamento e sua renovação.  É importante deixar claro que os hormônios da tireóide não são o único nem o principal combustível do corpo, mas participam ativamente de quase todas as atividades vitais.

5. Existe alguma disfunção genética associada ao funcionamento da tireóide?
Sim, mas são raras. Existe o hipotiroidismo congênito, doença que decorre da má formação da tireóide na vida intra-útero, que é diagnosticada pelo teste do pezinho. Além disso, existem os carcinomas de tireóide, que muitos são hereditários, mas não são uma doença do funcionamento da tireóide, e sim um câncer que se instala na glândula.

6. Como deve ser o tratamento do hiper e do hipotiroidismo? A alimentação influencia neste tratamento?
O hipotiroidismo é tratado com a reposição dos hormônios tiroidianos. O hiper com o bloqueio da produção dos mesmos, através de comprimidos, do iodo radioativo ou de cirurgias. A ingestão do iodo é extremamente importante para o adequado desenvolvimento da tireóide e para a produção dos hormônios. Tanto o T3 como o T4 contém bastante iodo na sua composição química. O sal iodado é fundamental para evitar os casos de bócio endêmico, aqueles casos de tireóide aumentada que fica visível na região anterior do pescoço e que cada vez mais estão sendo evitados com a iodação do sal de cozinha. Com exceção deste nutriente, a alimentação para quem tem tireoidopatias deve ser a mesma alimentação saudável para a população geral, o mais “in natura” e menos processado possível, visando um estado natural  de baixa inflamação e portanto onde não incidam doenças auto-imunes ,como são as tiroidites mais comuns.