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Existe obesidade metabolicamente saudável?

Postado em 5 de dezembro de 2014 | Autor: Alweyd Tesser

As evidências científicas são categóricas quanto à relação direta entre a obesidade e o risco de desenvolvimento de doenças metabólicas, como diabetes do tipo 2, dislipidemias e hipertensão arterial. Contudo, alguns estudos demonstram que há indivíduos obesos que não apresentam qualquer disfunção metabólica sendo chamados de “obesos metabolicamente saudáveis” (MHO).
 
Alguns estudos avaliaram as características de MHO e demonstraram que eles tendem a ter menor circunferência da cintura, maior circunferência de quadril, baixos níveis plasmáticos de triglicérides, níveis plasmáticos mais altos de lipoproteínas de alta densidade (HDL), além de um perfil inflamatório favorável, incluindo concentrações elevadas de adiponectina, uma adipocitocitocina anti-inflamatória conhecida por promover a sensibilidade a insulina e a diferenciação de adipócitos.
 
Um estudo australiano demonstrou que a circunferência da cintura (CC) e a circunferência do quadril (CQ) são importantes preditores de síndrome metabólica (SM). Enquanto a maior CC foi associada a um maior risco de desenvolvimento de SM, a CQ demonstrou resultado contrário: os participantes que possuíam maior CQ, apresentaram menor risco de SM. Os autores explicam que a maior parte do acúmulo de gordura na região abdominal é de gordura visceral, a qual está mais associada ao aumento do risco cardiovascular, enquanto a gordura localizada nos quadris e membros inferiores, é gordura subcutânea.
 
No entanto, a MHO pode ser revertida. Um estudo prospectivo realizado na Espanha demonstrou que 30% dos pacientes acompanhados mudaram o status de metabolicamente saudáveis para metabolicamente não-saudáveis após 6 meses de acompanhamento. Dieta e estilo de vida desempenham um importante papel na manutenção da saúde de pessoas com MHO.
 
Um estudo demonstrou que a prática de atividade física também contribui para a MHO. Os autores avaliaram 5.649 adultos obesos (índice de massa corporal, IMC > 30 Kg/m2), e relataram que os MHO (31% da amostra) apresentaram maior capacidade física (avaliada pelo teste de esforço máximo) sendo, provavelmente, mais fisicamente ativos, quando comparados aos obesos metabolicamente não saudáveis. Além da comparação por IMC, os autores também utilizaram percentual de gordura corporal como determinante da obesidade, e encontraram exatamente os mesmos resultados.

 

Bibliografia

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