O que são paraprobióticos?

Postado em 10 de março de 2017 | Autor: Alweyd Tesser

Parabrobióticos, também conhecidos como probióticos fantasmas, são células microbianas não viáveis que, quando administradas em quantidades adequadas, conferem benefício ao hospedeiro.

O termo paraprobiótico foi proposto em 2011 por Valentina Taverniti e Simone Guglielmetti, pesquisadoras italianas que conduziram uma revisão bibliográfica com o objetivo de fornecer uma visão geral da literatura científica referente a estudos nos quais células microbianas não viáveis ou frações de células microbianas brutas foram investigadas como agentes promotores da saúde. O prefixo ‘para’ (do grego antigo, παρά) foi escolhido por causa de seu significado de ‘ao lado de’ ou ‘atípico’, que pode simultaneamente indicar similaridade e diferença da definição probiótica tradicional.

A Organização Mundial da Saúde define probióticos como”micro-organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício para a saúde do hospedeiro”. Esta definição especifica que os micro-organismos probióticos devem ser vivos é suportada por um grande número de estudos que sugerem que para proporcionar benefícios à saúde, micro-organismos devem ser viáveis.

Contudo, evidências científicas indicando que os micróbios inativados afetam positivamente a saúde humana também podem ser encontradas na literatura. Uma quantidade considerável de dados publicados indica que o uso de células não-viáveis microbianas ou componentes celulares podem influenciar o sistema imunológico do hospedeiro.

Além de diversos estudos provando as positivas interações de paraprobióticos com o sistema imunológico, um estudo publicado em 2016 por pesquisadores japoneses foi o primeiro a demonstrar que a ingestão contínua de células de Lactobacillus gasseriCP 2305 tratadas termicamente afetou claramente a funcionalidade intestinal.

Dessa forma, observa-se que paraprobióticos têm demonstrado influenciar positivamente a saúde humana com a notória vantagem sobre os probióticos de permitir a geração de alimentos mais seguros. A utilização de bactérias inativadas representaria uma vantagem porque é possível reduzir drasticamente os problemas de vida útil e eliminar os riscos de translocação e infecção microbiana para o consumidor. No entanto, a partir desta perspectiva nova e mais ampla, muitos aspectos devem ser considerados, por exemplo, deve haver um monitoramento cuidadoso dos efeitos que diferentes tipos de tratamentos de inativação têm na estrutura e componentes bacterianos e na manutenção das propriedades probióticas, quantitativa e qualitativamente.

Bibliografia

Taverniti V, Guglielmetti S. The immunomodulatory properties of probiotic microorganisms
beyond their viability (ghost probiotics: proposal of paraprobiotic concept).
Genes Nutr. 2011; 6(3):261-74.

Kataria J, Li N, Wynn JL, Neu J. Probiotic microbes: do they need to be alive to be
beneficial? Nutr Rev. 2009; 67(9):546-50.

Sugawara T, Sawada D, Ishida Y, Aihara K, Aoki Y, Takehara I, et al. Regulatory effect
of paraprobiotic Lactobacillus gasseri CP2305 on gut environment and function.
Microb Ecol Health Dis. 2016; 27:30259.

Adams CA. The probiotic paradox: live and dead cells are biological response modifiers.
Nutr Res Rev. 2010; 23(1):37-46.

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