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O que significa craving?

Postado em 19 de março de 2016 | Autor: Alweyd Tesser

A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu o craving como um desejo de repetir a experiência em função dos efeitos de uma dada substância. O conceito mais atual do significado do craving é o que se refere a um intenso desejo para consumir determinada substância, que também podem ser os alimentos, ou seja, a “fissura” por alimentos que aumentam os níveis de serotonina, endorfina, e proporcionam prazer imediato.
 
A etiologia exata pode variar conforme a individualidade clínica de cada paciente, resultado de mudanças comportamentais, emocionais e alterações fisiológicas severas que envolvem hormônios ovarianos, mineralocorticoides, prolactina, androgênios, prostaglandinas, deficiência de vitaminas como a piridoxina, cianocobalamina.
 
As deficiências estão relacionadas com uma alimentação monótona e prevalente em alimentos com alto índice glicêmico. Entre os pacientes propensos ao craving, encontram-se as mulheres, os sedentários, o grupo dos obesos e os com estresse crônico.
 
A “fissura” por determinado grupo de alimentos é mais frequente em mulheres em idade fértil, em função do ciclo hormonal. Entretanto, estudos relatam que a pressão social por uma aparência “adequada” na sociedade moderna, em que “ser magra” é prioridade entre as mulheres, e ser musculoso e definido é a prioridade entre os homens, aumenta as estatísticas dos indivíduos propensos a desenvolverem comportamentos compensatórios.
 
As alterações neuroquímicas no cérebro são as mesmas que ocorrem com o uso de drogas viciantes: adaptações neurais que incluem mudanças na ligação dos receptores de dopamina, opiáceos e acetilcolina.
 
O açúcar é o macronutriente com maior capacidade de gerar comportamento compulsivo, pois após a sua ingestão, em indivíduos predispostos, ocorre a liberação excessiva de dopamina, que produz mudanças compensatórias comparáveis aos efeitos das drogas mais pesadas, incluindo a síndrome de abstinência.
 
Dietas da moda e muito restritas, com baixa caloria, afetam a produção de vários neurorreguladores, como o neuropeptídeo y (NPY), opioides peptídeos e serontonina, assim, podendo contribuir para o aparecimento dos sintomas relacionados ao craving.
 
Além de atuar na química cerebral, a restrição alimentar provoca alterações nas concentrações de ácidos graxos, decorrentes da rápida perda de peso, e estimula ansiedade — característica frequente nos pacientes com transtornos comportamentais relacionados à compulsão.
O tratamento dos transtornos comportamentais relacionados à compulsão por determinados alimentos deve ser composto necessariamente por uma equipe multidisciplinar.
 
A reprogramação alimentar deverá privilegiar alimentos com baixo índice glicêmico e os precursores da dopamina e serotonina sintetizadas a partir de nutrientes obtidos através da alimentação, como as vitaminas C, B6 e B12 e ácido fólico, além dos minerais zinco, selênio e magnésio, aminoácidos e ácidos graxos ômega-3, importantes para liberação dos neurotransmissores.
 
Para a produção adequada de serotonina precisa-se de carboidratos e alimentos fonte de triptofano, sendo que esse último nutriente pode ser encontrado em proteínas animais, como as carnes magras, peixes, leguminosas, e nas proteínas vegetais, como feijão, lentilha, soja, banana e tâmara.
 
Para estimular a dopamina é necessário oferecer e organizar o planejamento alimentar com alimentos que são fonte de tirosina, como os peixes, carnes magras, leite, ovos, iogurtes desnatados, queijos magros e tofu.

 

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