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Quais são as estratégias nutricionais para pacientes com síndrome dos ovários policísticos?

Postado em 14 de outubro de 2011 | Autor: Rita de Cássia Borges de Castro

Estudos que avaliaram as intervenções dietéticas para pacientes com síndrome dos ovários policísticos (SOP) têm demonstrado benefícios com o controle do peso corporal, por meio de restrição de calorias. Entretanto, embora a dieta hipocalórica seja reconhecidamente favorável para melhorar a composição corporal e, consequentemente, para o tratamento da SOP, a composição de macro e micronutrientes específicos ainda não está totalmente esclarecida.

De um modo geral, diversas diretrizes indicam que a dieta e exercícios físicos representam o tratamento de primeira linha, devido à melhora da resistência à insulina e retorno dos ciclos ovulatórios, mesmo na ausência de perda de peso.

A SOP é uma doença endócrina que afeta entre 5 a 10% das mulheres em idade reprodutiva. As características clássicas dessa síndrome incluem: oligomenorréia ou amenorréia, anovulação, infertilidade, hirsutismo (crescimento excessivo de pêlos com características masculinas), acne e queda de cabelo.

A resistência à insulina, com hiperinsulinemia compensatória, tem sido identificada como um componente chave na fisiopatologia da SOP, tanto em mulheres com peso normal ou obesas, sendo este fator relacionado com o aumento de risco para diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Com isso, o tratamento dietético da SOP deve se concentrar também na melhora da sensibilidade à insulina, por meio de dieta com baixo teor de gordura saturada, rica em fibras e alimentos com baixo índice glicêmico. As fibras dietéticas, especialmente as solúveis, são componentes importantes para a modulação hormonal, pois estudos observaram que dietas com baixo teor de fibras levam ao aumento das concentrações de estrogênios e androgênios circulantes. Assim, a inclusão desses alimentos na dieta das mulheres com SOP pode apresentar efeitos benéficos. Phelan et al (2011), verificou que a suplementação de ácidos graxos ômega-3 (1,9 g/dia) foi benéfica em mulheres com SOP para modulação hormonal e do perfil lipídico.

 

Bibliografia

Jeanes YM, Barr S, Smith K, Hart KH. Dietary management of women with polycystic ovary syndrome in the United Kingdom: the role of dietitians. J Hum Nutr Diet. 2009;22(6):551-8.

Marsh K, Brand-Miller J. The optimal diet for women with polycystic ovary syndrome? Br J Nutr. 2005;94(2):154-65.

Barr S, Hart K, Reeves S, Sharp K, Jeanes YM. Habitual dietary intake, eating pattern and physical activity of women with polycystic ovary syndrome. Eur J Clin Nutr. 2011;65(10):1126-32.

Phelan N, O’Connor A, Kyaw Tun T, Correia N, Boran G, Roche HM, Gibney J. Hormonal and metabolic effects of polyunsaturated fatty acids in young women with polycystic ovary syndrome: results from a cross-sectional analysis and a randomized, placebo-controlled, crossover trial. Am J Clin Nutr. 2011;93(3):652-62.

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