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Qual o papel dos probióticos na Doença Inflamatória Intestinal? Eles podem ser usados por longos períodos?

Postado em 6 de outubro de 2016 | Autor: Camila Garcia Marques

O conceito de doença inflamatória intestinal (DII) integra diversas doenças caracterizadas por inflamação intestinal crônica, que intercalam quadros de remissão e recidiva, ainda sem causa completamente conhecida. Estão incluídas nessa classificação: Doença de Crohn, Colite ulcerativa e Pouchite. Os mecanismos responsáveis pela iniciação e progressão da inflamação intestinal permanecem desconhecidos. No entanto, diversos autores descrevem que a DII pode resultar de anormalidades da microbiota intestinal, como prevalência de bactérias patogênicas, e defeitos biomoleculares na barreira e/ou mucosa intestinal. Existem diversos estudos com probióticos e DII em modelos animais, porém são ainda poucos os em humanos.

Plein Hotz e colaboradores realizaram um estudo piloto, duplo cego e controlado com o objetivo de estudar a eficácia do probiótico S. boulardii em pacientes com doença de Crohn ativa. Vinte pacientes foram selecionados aleatoriamente para receber S. boulardii ou placebo por sete semanas adicionalmente ao tratamento padrão. Houve redução significativa na frequência de evacuações no grupo que recebeu probióticos em comparação com o placebo.

No entanto, ainda faltam estudos para comprovar, de fato, a ação benéfica de probióticos na Doença de Crohn. Adicionalmente, uma revisão sistemática, publicada no Cochrane, com sete estudos controlados e randomizados, concluiu que ainda não existem evidências que o consumo de probióticos seja útil para a manutenção da remissão da doença de Crohn. A revisão sugere que o número de estudos e de pacientes é pequeno e que novos estudos devem ser realizados para avaliar o consumo de probióticos nessa população.

A organização Cochrane também realizou metanálise sistemática para avaliar a eficiência do consumo de probióticos na remissão da colite ulcerativa. Os autores concluem que existem evidências limitadas do uso de probióticos adicionados à terapia padrão em termos de redução da atividade da doença. Assim, são necessários novos estudos clínicos randomizados para determinar se os probióticos podem ser utilizados como alternativa aos tratamentos disponíveis atualmente.

Por outro lado, existe evidência considerável quando se trata de uso de probióticos em condições de pouchite, de maneira que os probióticos têm sido indicados nos casos de prevenção e na manutenção da remissão de pouchite.

Referência (s)

Mallon P, McKay D, Kirk S, Gardiner K. Probiotics for induction of remission in ulcerative colitis. Cochrane Database Syst Rev. 2007;(4):CD005573.

Rolfe VE, Fortun PJ, Hawkey CJ, Bath-Hextall F. Probiotics for maintenance of remission in Crohn’s disease. Cochrane Database Syst Rev. 2006 18;(4):CD004826.

World Gastroenterology Organisation Practice Guideline Probiotics and prebiotics. 2008 Marteau PR, de Vrese M, Cellier CJ, Schrezenmeir J. Protection from gastrointestinal diseases with the use of probiotics. Am J Clin Nutr. 2001 Feb;73(2 Suppl):430S-436S.

Gionchetti P, Rizzello F, Helwig U, et al. Prophylaxis of pouchitis onset with probiotic therapy: a double-blind, placebo-controlled trial. Gastroenterology 2003;124:1202–9.

Kruis W, Fric P, Pokrotnieks J, et al. Maintaining remission of ulcerative colitis with the probiotic Escherichia coli Nissle 1917 is as effective as with standard mesalazine. Gut 2004;53:1617–23

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