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Relação cintura/quadril está associada com o risco de diabetes e doenças coronarianas

Postado em 3 de junho de 2017 | Autor: Alweyd Tesser

A predisposição genética para uma maior relaçãocintura/quadril está associada a uma probabilidade aumentada de diabetes tipo 2e problemas no coração. Essa é a conclusão de um estudo publicado recentementeno periódico Journal of the AmericanMedical Association (JAMA).

O estudo levou em conta o risco poligênico da relaçãocintura/quadril ajustado para o IMC (índice de massa corporal), uma medida queindica o acúmulo de tecido adiposo no centro do corpo. Trata-se de um fator derisco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, hipertensão, alterações naglicemia e nos lipídios sanguíneos.

Uma pontuação para esse risco poligênico foi construídacom 48 polimorfismos (variações genéticas) de um único nucleotídeo. Aassociação dessa pontuação com características cardiometabólicas, diabetes tipo2 e doença arterial coronariana foi testada por meio de uma análise derandomização mendeliana, que combinou conjuntos de dados de caso-controle e decorte transversal. A randomização mendeliana se vale das tais variações genéticaspara avaliar o que provoca um problema de saúde. Essa abordagem afasta apossibilidade de ocorrência de confusão ou de causalidade reversa não rara emestudos observacionais por conta de fatores do estilo de vida que muitas vezesnão são mensurados. Um exemplo disso são os indivíduos com doença coronarianasubclínica que ganham gordura na barriga, por exemplo, devido à incapacidade dese exercitar.

As estimativas cardiometabólicas se basearam no resumo deresultados de quatro estudos de associação do genoma completo conduzidos de2007 a 2017 e que tiveram 322.154 participantes. Também foram analisados dadosde corte transversal do estudo UK Biobank, no Reino Unido, coletados de 2007 a2011, com mais de 111.986 indivíduos, cuja média de idade era de 57 anos (desviopadrão, 8), sendo 52,5% dos participantes mulheres e a média da razãocintura-quadril de 0,875. Para o diabetes tipo 2 e doença arterial coronariana,a fonte foram dois trabalhos separados com genoma completo de 2007 a 2015 com149.821 participantes e 184.305 pessoas, respectivamente, combinados com dadosindividuais do UK Biobank.

Os resultados demonstraram que o aumento de 1-DP (desviopadrão) na relação cintura/quadril ajustada para o IMC e mediada pelo escore derisco poligênico foi associada com: níveis de triglicérides maiores do que 27mg/dL; taxas mais elevadas de glicose em duas horas; além de pressão sistólicamais alta em 2.1 – mm Hg (cada p < 0,001).

Um aumento genético de 1 DP foi relacionado com: maiorrisco de diabetes tipo 2 (odds ratio, OR, de 1,77, IC de 95%, 1,57-2,00);elevação do risco absoluto por 1000 participantes-ano, 6,0 (IC de 95%,4,4-7,8). O número de participantes com diagnóstico de diabetes tipo 2 dedoença arterial coronariana foi de 40.530 (OR de 1,46, IC de 95%, 1,32-1,62). Oaumento de risco absoluto por 1000 participantes-ano chegou a 1,8 (IC de 95%,1,3-2,4). Por fim, o total de participantes com doença arterial coronariana foide 66.440.

“O estudo fornece evidências que dão suporte a associaçãocausal entre a adiposidade abdominal e as consequências dela para a saúde”,afirmam os autores.

Emdin CA, Khera AV, Natarajan P, Klarin D, Zekavat SM,
Hsiao AJ, et al. Genetic
Association of Waist-to-Hip Ratio With Cardiometabolic Traits, Type 2 Diabetes,
and Coronary Heart Disease. JAMA. 2017; 317(6):626-634.

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