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Série Micronutrientes – Qual a importância do iodo para a saúde?

Postado em 14 de outubro de 2019 | Autor: Natália Lopes

Sua deficiência é considerada problema de saúde pública por estar relacionada ao aparecimento de bócio

O iodo é um mineral essencial para a saúde e sua deficiência é considerada problema de saúde pública por estar relacionada ao aparecimento de bócio.  O bócio é uma doença endêmica caracterizada pelo aumento anormal da glândula tireoide e faz parte das “Desordens Associadas à deficiência de iodo” que ainda incluem retardo mental irreversível, distúrbios do sistema reprodutor e anomalias congênitas. A deficiência de iodo ocorre em um sexto da população mundial e, por isso, criou-se estratégias de combate por programas de fortificação de alimentos e suplementação, como a suplementação de iodo no sal de cozinha que acontece no Brasil desde a década de 50.

O iodo é encontrado, principalmente, em alimentos de origem marinha ou em alimentos fortificados (tabela 1). Sua absorção é rápida e mais de 90% acontece no estômago e duodeno. Cerca de 70 a 80% do mineral é armazenado na glândula tireoide, sendo essencial para a síntese dos hormônios tiroxina (T4) e tri-iodotirosina (T3), cuja secreção é regulada pelo eixo tireoide-hipotálamo-hipófise. Quando há deficiência de iodo, ocorre uma redução na secreção dos hormônios T3 e T4, ativando mecanismos de retroalimentação que fazem aumentar a secreção do hormônio tireoestimulante (TSH). A tireoide passa, então, a aumentar a captação do iodo e, se a deficiência permanecer por um longo período, nota-se o aumento do tamanho da glândula, caracterizando o bócio.

Por participar dessa síntese de hormônios da tireoide, a oferta de iodo é importante para controlar mecanismos de crescimento, desenvolvimento e controle de processos metabólicos. Na infância, os hormônios tireoidianos estão envolvidos no processo de crescimento e desenvolvimento de cérebro e do sistema nervoso central desde a 15ª semana até os 3 anos de idade, e deficiência de idoso nessa fase pode resultar em cretinismo.

A recomendação de ingestão diária pode ser observada na tabela 2.

A avaliação do estado nutricional do iodo é realizada através da concentração urinária, taxa de bócio, níveis de TSH e tiroglobulina séricos. Concentração urinária de iodo superior a 200µg/L indicam toxicidade, que pode resultar em disfunção da tireoide com surgimento de hipo ou hipertireoidismo em indivíduos mais susceptíveis. Portanto, tanto o baixo como o excessivo consumo desse mineral é prejudicial a saúde.

Tabela 1. Conteúdo de iodo nos alimentos (µg/100g)

AlimentoQuantidade de Iodo em µg por 100g
Arenque32
Bacalhau110
Biscoito água e sal115
Camarão41,3
Cavala170
Carne bovina cozida14,6
Frango cozido1,5
Ovo24,7
Pescada66,7
Sardinha em óleo23,3
Salmão71,3

 

Tabela 2. Valores de recomendação de ingestão de iodo segundo as DRI’s.

Estágio de vidaAI/EAR µg/diaRDA µg/diaUL µg/dia
Recém-nascidos e crianças   
0 – 6 meses110ND
7 – 12 meses130ND
1 – 3 anos6590200
4 – 8 anos6590300
Adolescentes e adultos   
9 – 13 anos73120600
14 – 18 anos95150900
>19 anos951501100
Gestantes1602201100
Lactantes2092901100

AI = ingestão adequada; EAR = necessidade média estimada; RDA = ingestão dietética recomendada; UL = limite máximo tolerada de ingestão diária; ND = não determinada.

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional para Prevenção e Controle dos Distúrbios por Deficiência de Iodo. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/programas-de-monitoramento

COZZOLINO, Silvia M. Franciscato. Biodisponibilidade de nutrientes. 5ed. São Paulo: Editora Manole, 2016.

ZHAO, Wei et al. Iodine Nutrition During Pregnancy: Past, Present, and Future. Biological Trace Element Research, [s.l.], v. 188, n. 1, p.196-207, 14 set. 2018. Springer Science and Business Media LLC.

 

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