Índice glicêmico não determina diferenças na glicemia durante exercício de alta intensidade

Postado em 31 de março de 2011 | Autor: Rita de Cássia Borges de Castro

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa publicaram na revista Nutrition Journal um estudo que avaliou o consumo de refeições com baixo ou alto índice glicêmico durante exercício de alta intensidade. Eles concluíram que a glicemia não difere dependendo do índice glicêmico dos alimentos durante o exercício.

O objetivo do estudo foi investigar o efeito de duas refeições diárias com baixo (BIG) ou alto índice glicêmico (AIG) durante cinco dias consecutivos. Foram analisados os dados de oxidação de substratos, concentrações de glicose, insulina e ácidos graxos livres antes e durante o exercício.

No total, foram recrutados quinze ciclistas do sexo masculino com idade média de 24 anos e índice de massa corporal de 21,9 kg/m2. As refeições foram consumidas no laboratório para maior controle da ingestão. Os participantes consumiram cereais de milho, leite integral, bebidas esportivas (carboidrato, água e eletrólitos), pão branco, margarina e farinha nas refeições com AIG. As refeições com BIG foram compostas de cereais integrais, iogurte de morango sem gordura, suco de uva, pão de cereais, margarinas e maçã. A composição de macronutrientes foi a mesma para ambas refeições.

A oxidação de substrato foi medida 30 minutos antes e 90 minutos após a refeição (BIG ou AIG), a termogênese induzida pela dieta foi medida 30 minutos no pós-prandial. Os níveis de glicose e insulina foram determinados 2 horas após a ingestão dessas refeições. Os participantes foram submetidos ao exercício cicloergométrico 90 minutos após a ingestão da refeição, com duração de meia hora.

O consumo de refeições com AIG resultou em maiores curvas glicêmicas e insulinêmicas no período pós-prandial, antes do exercício. No entanto, a glicemia não diferiu durante o exercício após o consumo das refeições com AIG ou BIG. O consumo de refeições com BIG resultou na diminuição da oxidação de gordura e maior oxidação de carboidratos do que a refeição AIG no período pós-prandial.

Estudos anteriores relataram aumento na secreção de insulina após o consumo de alimentos com AIG, levando à hipoglicemia subsequente e à redução na disponibilidade de substratos energéticos durante o exercício. Ainda, verificaram que a ingestão de alimentos com BIG acarretam em menor resposta glicêmica e mais estável. Outros estudos anteriores indicaram que o consumo de alimentos com BIG mantém as concentrações da glicemia, favorecendo o aumento oxidação de gordura.

“No entanto, nossos resultados não confirmam que existem diferenças na glicemia de acordo com índice glicêmico durante o exercício. A ingestão de alimentos com BIG não conduzem a uma maior oxidação de gordura em relação à ingestão de alimentos com AIG”, concluem os autores.

Referência (s)

Cocate PG, Pereira LG, Marins JC, Cecon PR, Bressan J, Alfenas RC. Metabolic responses to high glycemic index and low glycemic index meals: a controlled crossover clinical trial. Nutr J. 2011 Jan 5;10:1.

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