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Alimentação e Osteoporose: quais as evidências?

Postado em 5 de abril de 2021 | Autor: Natália Lopes

A osteoporose é considerada um problema de saúde pública e atinge homens e mulheres

A osteoporose é definida como um distúrbio esquelético caracterizado pelo comprometimento da resistência óssea (combinação entre densidade óssea e qualidade óssea), predispondo a um risco aumentado de fratura. A densidade óssea é expressa em gramas de mineral por área ou volume e, em qualquer indivíduo, é determinada pelo pico de massa óssea e pela quantidade de perda óssea. Já a qualidade óssea se refere à arquitetura, renovação, acúmulo de danos (por exemplo, microfraturas) e mineralização.

É considerada um problema de saúde pública, que atinge principalmente mulheres, relacionada a desfechos negativos, como morbidade, mortalidade e aumento de custos de saúde, diretos e indiretos. Embora popularmente esteja mais associada à perda mineral óssea que acontece com o envelhecimento, a osteoporose pode acontecer de forma ainda mais acelerada entre indivíduos que não atingem a massa óssea ideal durante a infância e adolescência. Pode ainda ser resultado do uso de medicamentos ou outras doenças, como osteoporose induzida por glicocorticóides, hipogonadismo e doença celíaca.

Existem várias possibilidades de tratamento medicamentoso para a osteoporose, porém a adoção de um estilo de vida saudável, incluindo a prática de atividade física e dieta equilibrada ao longo da vida, ainda é a medida mais indicada para prevenir a osteoporose que acompanha o envelhecimento. Entre os nutrientes de destaque para a saúde óssea estão:  proteínas, cálcio e vitamina D.

O consumo adequado de proteínas parece ter um papel benéfico na redução da perda óssea e risco de fratura de quadril, desde que a ingestão de cálcio seja adequada, além de serem necessários para um crescimento ósseo ideal e manutenção de ossos saudáveis. Em pessoas idosas com osteoporose, ingestão de proteínas ≥ 0,8g/kg de peso corporal/dia, parece estar associado a maior densidade mineral óssea, taxa mais lenta de perda óssea e risco reduzido de fratura de quadril.

A dupla cálcio e vitamina D é velha conhecida da saúde óssea. Vale destacar que o consumo de cálcio deve ser adequado durante toda a vida, sobretudo durante a infância e adolescência, quando há o pico de mineralização óssea, que estudos epidemiológicos espalhados pelo mundo apontam que a população vem reduzindo a ingestão de cálcio e apresentando níveis séricos mais baixos de vitamina D.

É importante considerar que mulheres após a menopausa representam o maior número de indivíduos com osteoporose e recomenda-se que mulheres com mais de 50 anos façam a ingestão diária de pelo menos 1000 mg de cálcio, 800 UI de vitamina D e 1 g/kg de peso corporal de proteínas. Além disso, sabe-se que alterações nos níveis de estrógeno contribuem para a desmineralização óssea, assim, há evidências de que o consumo de isoflavonas da soja possam ter algum benefício sobre a saúde óssea.

Outros nutrientes também têm sido citados na literatura por seus potenciais efeitos positivos nas saúde óssea ou por favorecer a biodisponibilidade de cálcio e vitamina D, é o caso de ômega-3,colágeno, probióticos e prebióticos, porém ainda são necessários mais estudos que comprovem os efeitos sobre a osteoporose e determine quantidades adequadas de ingestão.

Referências:

ASPRAY, TJ, HILL TR. Osteoporosis and the Ageing Skeleton. Subcell Biochem. 2019;91:453-476. doi: 10.1007/978-981-13-3681-2_16. PMID: 30888662.

[NIH] NATIONAL INSTITUTE OF HEALTH. National Institute of Health Consensus Statement. Osteoporosis prevention, diagnosis and therapy. USA, v.17, n.1, p, 1-45, 2000.

PHILIPPI, ST; ELIAS, MF; PIMENTEL, CVMB. Alimentos Funcionais e compostos bioativos. 1ed. Barueri-SP: Manole, 2019.

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