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CALORIMETRIA DIRETA POR IMAGEM INFRAVERMELHA PARA MENSURAÇÃO DO GASTO ENERGÉTICO EM SERES HUMANOS: PRIMEIRAS APLICAÇÕES NO BRASIL

Postado em 3 de agosto de 2005 | Autor: Marcos Leal Brioschi

Co-autores: José Viriato José Vargas, Elisangela Felix Carneiro Brioschi.

Instituição: Sociedade Brasileira de Termologia. Clínica Infrared Med. Departamento de Engenharia Mecânica da UFPR

A mensuração do gasto energético por calorimetria em clínica nutricional é difícil e raramente realizada. Apesar de fornecer informações objetivas, que podem ser utilizadas para planejar, implementar e avaliar a eficácia de tratamentos nutricionais, tanto a calorimetria direta quanto a indireta convencional necessitam de longos períodos de mensuração e freqüentes calibrações. Atualmente, a mensuração direta é essencialmente confinada a poucos calorímetros diretos disponíveis nos mundo. A calorimetria termográfica por imagem infravermelha (IR) pelo contrário é uma nova opção disponível em nosso meio. Com o objetivo de avaliar este novo método de calorimetria, estudaram-se 30 voluntários sadios. A média de idade do grupo foi 33,8±2,8 anos, altura 169±2,2 cm, peso 70,5±5,6 kg, percentagem de peso ideal de 112±7 e superfície corporal média de 1,81±0,08 m2. As imagens de calorimetria IR (SC3000 Flir®, Suécia) foram digitalizadas e computou-se a temperatura média da superfície corporal. Calculou-se, então por meio de teorias de perda térmica, as perdas e gasto energético total por radiação, convecção, condução e evaporação. Aproximadamente 53% da perda térmica foram por radiação, 27% por convecção e 20% por evaporação. A temperatura central oral variou entre 36,3±0,1 e 36,0±0,1º C e a temperatura média da superfície corporal entre 28,2 e 28,7º C. Após uma série de 11 medidas por 105 minutos no mesmo dia e em dias alternados o erro total estimado pela calorimetria infravermelha foi de apenas ±9,05% quando estimado uma acurácia razoável associada com a medida de cada variável por meio de equações de transferência de calor. Assim, para uma perda térmica de 80,63 kcal/h, a variação da acurácia foi de apenas ±7,7 kcal/h. Os grandes contribuintes para este pequeno erro foram em ordem descendente: coeficiente natural de mudança do calor convectivo (5,9%), área de superfície corporal (4,5%), temperatura média da superfície cutânea (3,3%), temperatura ambiente (2,9%), fator de umidade (1,9%) e fração de radiação atual da área de superfície do corpo (1,9%). Os fatores que menos contribuíram para o erro foram pressão de vapor saturado da água (0,5%), coeficiente da perda de calor radiante linear (0,3%) e pressão barométrica (0,02%). Devido sua metodologia de análise diferente dos outros métodos de calorimetria, não há erros de interpretação, pois na calorimetria IR as via metabólicas muito mais do que as oxidativas ou condições clínicas, que afetam a exalação de dióxido de carbono dos pulmões, são as que dominam na avaliação. Os resultados tiveram reprodutibilidade em determinações múltiplas realizadas no mesmo dia. A calorimetria IR é um método acurado, rápido, não invasivo, sem contato e fácil de mensurar a perda de energia e o gasto energético em seres humanos, podendo ser muito útil em consultórios assim como em laboratórios de pesquisa clínica.

Palavras-chaves: calorimetria, gasto energético, infravermelho, termografia.

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