Nutrição enteral de baixo volume não beneficia paciente com lesão pulmonar aguda

Postado em 1 de março de 2012 | Autor: Rita de Cássia Borges de Castro

Pesquisadores norte-americanos publicaram na revista científica Journal of the American Medical Association (JAMA) um estudo em pacientes com lesão pulmonar aguda que comparou a nutrição enteral (NE) com baixo volume (denominada “trófica”) com a dieta enteral plena (considera o volume total da dieta de acordo com as necessidades nutricionais individuais). Os pesquisadores verificaram que a estratégia da nutrição enteral trófica não diminuiu o tempo de ventilação mecânica, bem como os índices de mortalidade e complicações infecciosas, mas foi associada com melhor tolerância gastrintestinal.
Trata-se de um estudo randomizado, multicêntrico, que foi realizado durante três anos. Nesse período foram selecionados 1.000 adultos com lesão pulmonar aguda, em ventilação mecânica e com indicação clínica de nutrição enteral.
Os pacientes receberam durante os seis primeiros dias de início da NE as seguintes dietas: grupo nutrição enteral plena (n=492) recebeu de 25 a 30 kcal/kg de peso por dia de calorias não proteicas e 1,2 a 1,6 g/kg de peso por dia de proteína, com volume inicial de 25 mL/h, avançando conforme a tolerância do paciente até atingir as necessidades nutricionais calculadas; e o grupo nutrição enteral trófica (n=508) iniciou o tratamento com volume de 10 mL/h (correspondendo a 10-20 kcal/h). Após o sexto dia de tratamento, todos os pacientes passaram a receber a nutrição enteral plena.
Assim, o grupo nutrição enteral plena recebeu mais calorias durante os primeiros seis dias: cerca de 1300 kcal/dia comparado com 400 kcal/dia (p<0,001). Os pacientes que receberam nutrição enteral trófica não aumentaram o número de dias livre de ventilação mecânica (14,9 [IC 95%, 13,9-15,8] versus 15,0 [IC 95%, 14,1-15,9]; p=0,89) e não reduziram a mortalidade no período estudado (23,2% vs 22,2%; p=0,77) em comparação com a nutrição enteral plena. Não houve diferenças na incidência de complicações infecciosas entre os grupos.
Apesar de receber mais agentes pró-cinéticos, o grupo nutrição enteral plena apresentou mais episódios de vômitos (2,2% vs 1,7%; p=0,05), volumes gástricos residuais elevados (4,9% vs 2,2%; p<0,001) e constipação (3,1% vs 2,1%, p=0,003). Os valores médios de glicose plasmática e administração de insulina foram maiores no grupo nutrição enteral plena durante os seis primeiros dias.
“Ao contrário dos estudos anteriores em adultos criticamente enfermos, a nutrição enteral hipocalórica não reduziu significativamente a mortalidade, complicações infecciosas e o tempo de permanência na unidade de terapia intensiva (UTI). Estes resultados também diferem dos benefícios previamente relatados de proporcionar maior ingestão calórica em pacientes críticos”, concluem os autores.

Referência (s)

National Heart, Lung, and Blood Institute Acute Respiratory Distress Syndrome (ARDS) Clinical Trials Network, Rice TW, Wheeler AP, Thompson BT, Steingrub J, et al. Initial trophic vs full enteral feeding in patients with acute lung injury: the EDEN randomized trial. JAMA. 2012;307(8):795-803.

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