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O que é e como interpretar o risco relativo?

Postado em 17 de agosto de 2006 | Autor: Camila Garcia Marques

O risco relativo (RR), também chamado de razão de incidências ou razão de risco, expressa uma comparação matemática da probabilidade do risco de adoecer entre grupos de expostos e não-expostos a um determinado fator em estudo. O cálculo é feito a partir da divisão do risco no grupo de expostos pelo risco do grupo de não-expostos.

 

Exemplo: para avaliar a incidência de câncer de pulmão sobre o tabagismo, ou seja, entre fumantes e não fumantes, deve-se saber:

 

Na população total de fumantes (grupo de expostos, n = 102.600) os que tiveram câncer de pulmão (n = 133) e os que não tiveram câncer de pulmão (n = 102.467).

 

 

No total da população de não-fumantes (grupo de não-expostos, n = 42.800) os que tiveram câncer de pulmão (n = 3) e os que não tiveram câncer de pulmão (n = 42.797).

 

 

Realiza-se o cálculo RR da seguinte forma:

 

 

IE = incidência nos expostos

 

 

IE = (133 casos de câncer de pulmão) / (102.600 expostos ao risco) = 1,30

 

INE = incidência nos não-expostos

 

 

INE = (3 casos de câncer de pulmão) / (42.800 não-expostos ao risco) = 0,07

 

RR = IE/INE =1,3/0,07 = 18,6

 

 

A interpretação dos valores do risco relativo é a seguinte:

 

* Quando o RR é menor que 1, a associação sugere que o fator estudado teria uma ação protetora;

 

* Quando o RR apresenta valor igual a 1, temos ausência de associação;

 

* Quando o RR é maior que 1, a associação sugere que o fator estudado seria um fator de risco; quanto maior o RR, maior a força da associação entre exposição e o efeito estudado.

 

No exemplo citado, o fator em estudo é o tabagismo, que apresenta forte associação com o câncer de pulmão, ou seja, a probabilidade dos expostos ao risco (tabagistas) é 18,6 vezes maior para o desenvolvimento do câncer de pulmão comparada com os não-expostos (não-tabagistas).

 

Em outro exemplo, como o estudo que avaliou a associação de obesidade pré-gestacional e ganho de peso excessivo com cesariana, encontrou-se que o risco relativo para cesariana na comparação de obesas com grávidas de peso normal foi 1,8, sugerindo, portanto, que pacientes obesas têm 1,8 vezes mais chances de ocorrer cesariana do que com pacientes de peso normal. O ganho de peso excessivo mostrou maior associação com cesariana entre as pacientes obesas em comparação com as de peso normal, com RR = 2,2, o que demonstra também forte associação entre o ganho de peso elevado e cesariana em pacientes obesas.

 

 

Bibliografia

Glossary of Terms in The Cochrane Collaboration 2005.

http://www3.interscience.wiley.com/homepages/106568753/glossary.pdf. Acessado em 17/08/06.

Waldman EA e Rosa TEC. Testando hipóteses. In: Vigilância em Saúde Pública: Para gestores municipais de serviços de saúde. São Paulo; Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. 1998;7:169-96.

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Revista Pesquisa Fapesp. Infarto – O que causa ou evita. Disponível em:

http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=1918&bd=1&pg=1. Acessado em 17/08/06.

Seligman LC, Duncan BB, Branchtein L, Gaio DS, Mengue SS, Schmidt MI. Obesity and gestational weight gain: cesarean delivery and labor complications. Rev Saude Publica. 2006;40(3):457-465.

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