O que é e quais os benefícios das PANCs?

Postado em 27 de maio de 2016 | Autor: Alweyd Tesser

PANC é acrônimo para plantas alimentícias não convencionais. São plantas de desenvolvimento espontâneo e facilmente encontradas em jardins, hortas, quintais e até mesmo em calçadas de rua. São consideradas daninhas ou “mato” e são pouco utilizadas na alimentação por falta de conhecimento e/ou costume. Estudos revelam que pancs possuem teores de minerais, fibras, antioxidantes e proteínas significativamente maiores quando comparadas com plantas domesticadas.
 
As pancs abrangem desde plantas nativas e pouco usuais até exóticas ou silvestres com uso alimentício direto (na forma de fruto ou verdura) e indireto (amido, fécula ou óleo). Em geral, não fazem parte do cardápio diário da maior parte das pessoas e não costumam ser encontradas em mercados convencionais. Elas não são transgênicas e, na maior parte dos casos, são orgânicas.
 
Da Amazônia ao Rio Grande do Sul, as pancs crescem espontaneamente em qualquer ambiente. Sua alta resistência faz com que sejam encontradas em quase todos os lugares, pois são nativas de cada região.
 
Uma das mais conhecidas entre as não-convencionais, a ora-pro-nóbis, também chamada como carne-de-pobre, possui alto teor de proteína. É encontrada em abundância especialmente no Sudeste, mas está presente também em outras regiões. Trepadeira, desenvolve-se em vários tipos de solo e de clima, é de fácil cultivo e tem alto valor nutricional. É rica em vitaminas do complexo B, A e C, fibras e fósforo. As folhas são sua parte comestível, podendo ser consumidas secas ou frescas, cruas ou cozidas, e até acrescentada a massas de pães.
 
A bertalha também é trepadeira com folhas e caules verdes, carnosos e suculentos, com aparência similar à do espinafre. É rica em vitamina A, além de oferecer outros nutrientes como vitamina C, cálcio e ferro. As folhas e os ramos novos devem ser consumidos logo após a colheita, refogados ou em substituição ao espinafre e à couve, ou em omeletes, quiches e tortas. Crua, pode ser ingerida junto a saladas verdes.
 
A serralha é fonte de vitaminas A, D e E. Desenvolve-se em quase todo o mundo, podendo servir de insumo para a preparação de saladas e de receitas cozidas. Seu sabor é amargo e lembra o do espinafre.
 
A taioba já foi apreciada na culinária mineira, mas acabaram sendo esquecidas ou substituídas com o passar do tempo. É rica em vitaminas do complexo B, A, C, e em minerais como cálcio e fósforo. A abundância de ferro faz com que a sabedoria popular lhe atribua a cura da anemia. Taioba refogada é muito semelhante à couve, mas não pode ser consumida crua devido ao alto teor de cristais de oxalato de cálcio.

 

Bibliografia

Almeida MEF, Corrêa AD. Utilização de cactáceas do gênero Pereskia na alimentação humana em um município de Minas Gerais. Ciência Rural. 2012; 42(4):751-756.

Kinuupp VF, Barros IBI. Teores de proteína e minerais de espécies nativas, potenciais hortaliças e frutas. Ciênc. Tecnol. Aliment. 2008; 28(4):846–857.

Mongoba PMA. Prospecção de Características Fitoquímicas, Antibacterianas e Físico-Químicas de Portulaca oleracea L. (Beldroega). Porto Alegre. Dissertação [Mestrado] – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Inst. Ciênc. Tecnol. Aliment; 2015.

Pinto NAVD, Fernandes SM. Variabilidade da composição centesimal, vitamina C, ferro e cálcio de partes da folha de taioba (Xanthosoma sagittifolium Schott). Rev. Bras. de Agrociência. 2001; 7(3): 205-208.

Cadastre-se e receba nossa newsletter