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Padronização corporal e distúrbios alimentares entre atletas femininas

Postado em 4 de março de 2021 | Autor: Aline Palialol

Relação de poder treinador-atleta também é mencionada como possível gatilho para transtornos alimentares

Desde transtornos psicológicos a prejuízos a saúde física, as relações com a imagem e a alimentação estão diretamente ligadas ao bem-estar do indivíduo. Uma revisão sistemática baseada em estudos de 1997 a 2012 destacou que, entre atletas, essa preocupação com a imagem é maior nos esportes mais femininos, como a ginástica, mostrando que esse público também está sujeito a uma relação negativa com o próprio corpo. Outro estudo, também realizado com atletas concluiu que é necessário uma preocupação com a saúde mental e nutricional de esportistas, visto que, predisposições a distúrbios alimentares e relações negativas com a imagem, bem como a restrição energética intensa e a manipulação, comparação e julgamento do físico dos atletas corroboram para o desenvolvimento de comportamentos alimentares compulsivos.

O estudo aqui apresentado segue a mesma linha de pesquisa dos citados acima, porém, mais recente. Ele foi realizado com corredoras da National Collegiate Athletic Association (NCAA) Division One (DI) e buscou identificar e descrever o tipo de relação com a imagem e o desenvolvimento de transtornos alimentares dessas atletas.

Essa pesquisa também relacionou a percepção e alimentação das corredoras com a dinâmica de poder entre treinador e atleta.  Entre os principais temas dessa análise temática que entrevistou 29 mulheres, ex e atuais corredoras de distância de 800 metros ou mais da NCAA DI, surgiram: ideais corporais esportivos e normas e mitos de imagem corporal que existem no esporte, e a dinâmica de poder entre atletas e treinadores. Para esse segundo tema, não foi possível identificar, claramente, se a relação de poder cultuava uma imagem corporal ideal e se reforçava a mentalidade de submissão.

No entanto, o sentimento de padronização corporal para atletas foi destacado como um contribuinte para o risco de desordem alimentar e não aceitação da própria imagem. Por isso, o estudo concluiu que a NCAA e os departamentos atléticos devem criar programas que previnam e tratem os distúrbios alimentares, pois essa é uma realidade entre as atletas da associação.

Referências

Carson TL, Tournat T, Sonneville K, et al. Cultural and environmental associations with body image, diet and well-being in NCAA DI female distance runners: a qualitative analysis. British Journal of Sports Medicine Published Online First: 02 November 2020. doi: 10.1136/bjsports-2020-102559.

Helms ER, Prnjak K, Linardon J. Towards a Sustainable Nutrition Paradigm in Physique Sport: A Narrative Review. Sports (Basel). 2019 Jul 16;7(7):172.

Varnes JR, Stellefson ML, Janelle CM, Dorman SM, Dodd V, Miller MD. A systematic review of studies comparing body image concerns among female college athletes and non-athletes, 1997-2012. Body Image. 2013 Sep;10(4):421-32.

 

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