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Qual a indicação de terapia nutricional para pacientes em cuidados paliativos?

Postado em 19 de julho de 2013 | Autor: Rita de Cássia Borges de Castro

A indicação da terapia nutricional em cuidados paliativos deve ser realizada com base na discussão realizada pela equipe multiprofissional, seguindo critérios éticos e clínicos, e na expectativa de vida. A escolha do tipo de terapia nutricional em pacientes com doenças avançadas ainda é controversa. Entretanto, o uso de complemento alimentar por via oral ou a utilização da via enteral ou parenteral deve ser muito bem avaliada e discutida individualmente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cuidados paliativos são descritos como cuidados direcionados a pacientes com doenças progressivas avançadas, que requerem a atuação de uma equipe multidisciplinar apropriada.

O principal objetivo do tratamento terapêutico é proporcionar uma melhor condição de vida para o paciente e para seus familiares, considerando aspectos psicológico, social e espiritual, administrando os sintomas da doença. Neste sentido, o objetivo da intervenção nutricional em cuidados paliativos é contribuir para o controle dos sintomas, manutenção adequada do estado de hidratação e preservação do peso e composição corporal.

De acordo com o consenso elaborado pela Associação Brasileira de Cuidados Paliativos, quando indicada a terapia nutricional, a primeira e melhor opção é a terapia nutricional oral (TNO) com a utilização de complementos nutricionais associado ao aconselhamento nutricional. A terapia nutricional enteral (TNE) pode ser utilizada em pacientes que apresentam ingestão menor que 60% das suas necessidades energéticas em 5 dias, sem perspectiva de evolução ou na impossibilidade de utilizar a via oral, com o trato gastrintestinal funcionante, no sentido de preservar a integridade intestinal, reduzir a privação nutricional, minimizar déficits nutricionais, controlar sintomas, oferecer conforto e melhorar a qualidade de vida. Na impossibilidade de TNE, a indicação da terapia nutricional parenteral (TNP) pode ser avaliada.

A Associação Europeia de Cuidados Paliativos recomenda que a nutrição parenteral deve ser levada em consideração quando o paciente apresenta uma boa performance status (capacidade funcional) e expectativa de vida superior a três meses, em que o quadro clínico pode ser agravado pela anorexia/caquexia. É recomendado também que, antes de iniciar a nutrição parenteral, pacientes e familiares devem estar cientes de possíveis complicações, incluindo infecções de cateter, trombose, sobrecarga de fluidos e doença hepática.

Assim, recomendam-se 3 passos na assistência a pacientes em cuidados paliativos:

1-Definir os elementos para a tomada de decisão com questões referentes à condição clínica e oncológica: sintomas; tempo de sobrevida, hidratação e estado nutricional; ingestão oral espontânea voluntária; atitude psicológica; função intestinal e via de administração e, necessidade de serviços especiais;
2-Tomada de decisão: de acordo com as respostas e após avaliação;
3-Reavaliação periódica do paciente.

Leia mais:

Consenso brasileiro de caquexia/anorexia em cuidados paliativos

 

Bibliografia

Dev R, Dalal S, Bruera E. Is there a role for parenteral nutrition or hydration at the end of life? Curr Opin Support Palliat Care. 2012;6(3):365-70.

Projeto Diretrizes. Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral, Associação Brasileira de Nutrologia. Terapia Nutricional na Oncologia. 2011.

Associação Brasileira de Cuidados Paliativos. Consenso brasileiro de caquexia/anorexia em cuidados paliativos. Revista Brasileira de Cuidados Paliativos 2011; 3 (3) – Suplemento 1.

Loyolla VCL, Pessino L, Bottoni A, Serrano SC, Teodoro AL, Bottoni A. Terapia nutricional enteral em pacientes oncológicos sob cuidados paliativos: uma análise da bioética. Saúde, Ética & Justiça. 2011;16(1):47-59.

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