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Qual é a aplicação de extratos botânicos na prática clínica?

Postado em 25 de novembro de 2019 | Autor: Natália Lopes

O Brasil é um país que possui uma grande biodiversidade de alimentos com mais de 40.000 espécies de diferentes plantas

A utilização de extratos botânicos é hoje de grande interesse dentro da prática clínica, visto que as plantas possuem um grande potencial de ação. No entanto, por ser um assunto relativamente novo, muitas são as dúvidas que cercam a recomendação correta desses produtos.

Em princípio, é importante entender a diferença ente extrato botânico e princípio ativo. Sabemos que medicamentos possuem substâncias isoladas, muitas vezes originadas de plantas, que agem de maneira específica em um órgão ou sistema. Já os extratos botânicos são caracterizados por uma mistura de várias substâncias que atuam de forma sinérgica em vários órgão e sistema.

 

O que são extratos botânicos?

Segundo a Farmacopéia Brasileira, 5ª edição, os extratos botânicos são preparações de consistência líquida, sólida ou intermediária, obtidas a partir de material vegetal. O material utilizado na preparação de extratos pode sofrer tratamento preliminar, tais como, inativação de enzimas e moagem. O extrato é preparado por percolação, maceração ou outro método adequado e validado, utilizando como solvente álcool etílico, água ou outro solvente adequado. Após a extração, materiais indesejáveis podem ser eliminados”

A Farmacopéia Brasileira (2010) define que o material utilizado na preparação de extratos pode sofrer tratamento preliminar como estabilização, moagem ou desengorduramento. A preparação é feita por percolação, maceração ou outro método adequado e validado, utilizando como solvente o álcool etílico, a água ou outro solvente adequado.

 

Em que países os extratos botânicos já são amplamente utilizados?

Os extratos botânicos são aceitos e utilizados  por diversos países ao redor do mundo. Estados Unidos, Canadá, Japão, Índia, Rússia, China, Austrália e alguns países da Europa, Ásia e África já possuem regulamentação própria para produção e uso de extratos botânicos por suas populações.

Em pesquisa sobre o consumo de suplementos a base de plantas em seis países da Europa, Garcia-Alvarez e colaboradores entrevistaram 2359 pessoas e observaram que aproximadamente 19% da amostra era consumidor de suplementos a base de plantas, principalmente de produtos a base de Ginkgo biloba (Ginkgo), Oenothera biennis (Prímula), Cynara scolymus (Alcachofra) e Panax ginseng (Ginseng), estando esses indivíduos muito mais associados a um estilo de vida saudável.

Deve-se ainda atentar-se às diferenças entre as regulamentações existentes nos diversos países, que podem impactar no mercado desses produtos. Dessa forma um processo de harmonização regulatória para Suplementos Alimentares, como a utilizada para medicamentos, seria muito importante para diminuir as barreiras de comercialização de produtos de origem botânica.

 

Como o nutricionista pode recomendar o uso de ingredientes botânicos na prática clínica? 

Segundo a resolução do CFN N°525 de 2013, o nutricionista poderá adotar a utilização de extratos botânicos para complementar a sua prescrição dietética quando os produtos prescritos tiverem indicações de uso relacionadas com o seu campo de atuação e estejam embasadas em estudos científicos ou em uso tradicional reconhecido.

Das plantas conseguimos extrair um grupo de substâncias ou uma substancia específica que podem ser  vendidas como um suplemento, geralmente na forma de comprimido ou cápsula, como o extrato de alho, o licopeno do tomate ou os fitoestrôgenos da soja. Além disso, conseguimos extrair vitaminas e minerais que podem servir como suplemento isolado ou associado a outros compostos ativos. Nesse caso, podemos encontrar um importante sinergismo entre os constituintes ativos da planta (que podem chegar a mais de 300 constituintes diferentes) e os micronutrientes.

Além disso, de acordo com a Diretiva de Suplementos Alimentares (2002/46/EC – União Européia), os suplementos alimentares botânicos possuem em sua formulação ingredientes botânicos que podem apresentar uma alegação de saúde a partir da relação existente entre este ingrediente especifico e seus efeitos para a saúde.

O Brasil é um país que possui uma grande biodiversidade de alimentos com mais de 40.000 espécies de diferentes plantas, e muitos princípios ativos isolados a partir destas matrizes apresentam evidências de efeitos benéficos à saúde humana. Nesse sentido, observa-se um crescente interesse em produtos derivados de botânicos, especialmente para utilização como suplementos alimentares

 

 

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Referências:

BRASIL. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica. Política e Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

BRASIL. Memento Fitoterápico – Farmacopeia Brasileira. 1.ed. Brasília: Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, 2016.

BRASIL. Formulário de Fitoterápicos Farmacopeia Brasileira. 1.ed. Brasília: Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, 2018.

Brasil. Farmacopeia Brasileira. 5ed. Brasília: Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, 2010.

EUA. Food & Drug Administration. Botanical Drug Development Guidance for Industry. Revision 1.;  Authority, E. F. S. and E. S. Committee (2009). “Guidance on Safety assessment of botanicals and botanical preparations intended for use as ingredients in food supplements.” EFSA Journal 7(9): 1249. Disponível em: https://www.fda.gov/media/93113/download

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Nutraceutical and Functional Food Regulations in the United States and Around the World, 3rd edition, Elsevier, 2019

SAAD, Glaucia de Azevedo et al. Fitoterapia contemporânea: tradição e ciência na prática clínica. 2. ed. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.

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