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Reganho de peso e alterações metabólicas após 3 anos de gastrectomia

Postado em 25 de novembro de 2019 | Autor: Marcella Gava

Estudo alerta para a importância do acompanhamento e instituição de protocolos para que sejam alcançadas alterações favoráveis de composição corporal em longo prazo após o GS

Estudo teve o objetivo de elucidar tendências antropométricas e desfechos clínicos em um seguimento de 3 anos após gastrectomia por Sleeve (GS).

Indivíduos entre 18 e 65 anos com esteatose hepática não alcoolica (EHNA) submetidos a GS passaram por acompanhamento na realização da cirurgia e no pós operatório aos 6, 12 e 36 meses, quando foram aferidos dados antropométricos, de composição corporal, bioquímicos, avaliado gordura hepática, índice hepato-renal (IHR), performance física e força de preensão palmar (FPP).

Dos pacientes recrutados, 60 completaram o seguimento até os três anos. O reganho de peso foi em média 6,0 kg entre os meses 12 e 36. No primeiro ano após a cirurgia, a massa gorda reduziu significativamente de 55,8 para 26,7 kg (p<0,001). No entanto, entre o ano 1 e 3, aumentou de 26,7 kg para 33,1 (p<0,001), mas permanecendo menor que antes da cirurgia. A massa livre de gordura (MLG) reduziu significativamente nos primeiros 6 meses após a cirurgia, de 64,7 para 56,9kg (p<0,001), atingindo uma estabilidade somente aos 36 meses. Foi encontrada correlação entre MLG e horas/semana de atividade física ao início do estudo (p=0,002) e aos 12 meses (p=0,034), mas não aos 6 e 36 meses. Glicemia e HbA1c reduziram nos primeiros 6 meses e ficaram estáveis entre 6 e 12 meses, sendo que após este período a glicemia aumentou e a HbA1c continuou decrescendo. O índice de HOMA reduziu no primeiro ano do pós operatório e entre o meses 12 e 36 aumentou discretamente. Triglicérides e LDL reduziram moderadamente no primeiro ano e aumentaram significativamente entre 12 e 36 meses, enquanto o HDL aumentou continuamente a partir dos 6 meses até o final do estudo. O escore IHR reduziu significativamente 1 ano após a cirurgia e aumentou levemente entre 1 e 3 anos do pós operatório. Somente 53,3% dos pacientes apresentaram valores de FPP normais para idade. Foi verificada correlação significativa entre a FPP e a MLG aos 36 meses (p<0,001), mas essa medida não se correlacionou com o tempo de atividade física.

Os autores concluíram que uma tendência preocupante de recuperação do peso, principalmente à custa de aumento da massa gorda, foi observada no período de 1 a 3 anos após o GS, sendo que esse aumento de massa gorda pode estar relacionado à recorrência dos fatores de risco metabólico. Os achados evidenciam a importância do acompanhamento e instituição de protocolos para que sejam alcançadas alterações favoráveis de composição corporal em longo prazo após o GS.

Referência:

Sherf-Dagan S et al. Prospective Longitudinal Trends in Body Composition and Clinical Outcomes 3 Years Following Sleeve Gastrectomy. Obes Surg. 2019 Jul 11.

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