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Série micronutriente: Quais são as funções da vitamina A?

Postado em 3 de setembro de 2021 | Autor: Eduarda Rodrigues| Tempo de leitura: 4 min

A vitamina A exerce importantes funções na homeostase orgânica

Quais são as funções da vitamina A?

A vitamina A é uma vitamina lipossolúvel, essencial para a homeostase do orgânica,  desenvolvendo importantes funções em processos fisiológicos, como a visão, diferenciação e proliferação celular, comunicação intercelular e a reprodução, e sua deficiência pode promover desregulação desses processos no organismo.

O termo “vitamina A” é considerado uma expressão genérica aplicada a retinoides que têm estrutura cíclica da β-ionona: retinol todo-trans, retinal, éster de retinila e o ácido retinoico. Ainda há outras formas de se encontrar a vitamina pré-formada, é o caso do 3-deidrorretinol (encontrado em peixes de água doce e anfíbios) e em carotenóides agindo como pró-vitamina A, sendo os principais o β-caroteno, α e γ carotenos e criptoxantina.

Em indivíduos saudáveis, 70 a 90% do retinol da dieta são absorvidos, porém na forma de carotenoide essa absorção pode ser menor, girando em torno de 10 a 50%. A vitamina A é absorvida no intestino delgado, sendo dependente da ingestão de gorduras da dieta, ação dos sais biliares e enzimas pancreáticas para a sua absorção. Após a sua absorção, através do sistema linfático, a vitamina é carregada até o fígado, onde cerca de 50 a 80% do total absorvido é armazenado. No sangue o micronutriente é ligado à proteína carregadora de retinol e/ou a transtirretina, consideradas biomarcadores de vitamina A no organismo.

A deficiência de vitamina A ainda é considerada um grande problema de saúde pública até em países desenvolvidos, sendo o segundo maior problema mundial de deficiência nutricional, ficando atrás somente da deficiência de ferro. Uma das principais causas de sua carência, além da baixa ingestão de alimentos fonte, é a desnutrição.  O sinal mais claro de seu déficit é a cegueira noturna, acometendo ao ano mais de 5 milhões de crianças em idade pré-escolar, sendo a Xeroftalmia a doença mais conhecida decorrente de sua carência, neste caso, além da cegueira noturna, ocorre xerose da córnea, ulceração, ceratomalácia e a cegueira irreversível, se não tratada a tempo.

Além dessas manifestações mais conhecidas, podem ocorrer redução da competência imunológica, aumentando a suscetibilidade para infecções e mortalidade, sobretudo em crianças e lactantes. Pesquisadores vêm estudando a fortificação de alimentos com a vitamina, contudo estudos preliminares não demonstraram uma interferência significativa desses alimentos na taxa de déficit e mortalidade. No Brasil existe o Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A (PNSVA), instituído em 2005 para combater a deficiência, sobretudo em crianças.

O retinol, em altas quantidades no organismo, pode ser tóxico, levando a sintomas que podem desaparecer em poucos dias, como náuseas, vômitos e dor de cabeça com aumento da pressão no fluido cerebrospinal e até a morte. Podemos ver na tabela 1 a sua recomendação de ingestão diária de vitamina A de acordo com as DRI’S:

Tabela 1. Recomendações de ingestão para vitamina A e limites toleráveis

Estágio da vida

EAR μg/dia RDA μg/dia UL μg/dia
Lactentes

0 – 6 meses

7 – 12 meses

 

 

400 (AI)

500 (AI)

600

600

Crianças

1 – 3 anos

4 – 8 anos

 

210

275

 

300

400

 

600

900

Homens

9 – 13 anos

14 – 18 anos

19 – 30 anos

31 – 50 anos

51 – 70 anos

>70 anos

 

445

630

625

625

625

625

 

600

900

900

900

900

900

1.700

2.800

3.000

3.000

3.000

3.000

Mulheres

9 – 13 anos

14 – 18 anos

19 – 30 anos

31 – 50 anos

51 – 70 anos

>70 anos

 

420

485

500

500

500

500

 

600

700

700

700

700

700

2.800

3.000

3.000

3.000

3.000

3.000

Gestantes

≤18 anos

19 – 50 anos

 

530

550

 

750

770

2.800

3.000

Lactantes

≤18 anos

19 – 50 anos

 

880

900

 

1.200

1.300

2.800

3.000

AI = Ingestão adequada; EAR = necessidade média estimada; RDA = Ingestão dietética recomendada; UL = limite superior tolerável de ingestão.

Como alimentos fonte podemos destacar os alimentos de origem animal, como fígado, leite e derivados, e ovos ricos em retinol a forma ativa da vitamina A e os alimentos de origem vegetal como cenoura, batata-doce e a manga, sendo ricas em carotenóides particularmente β-caroteno, com atividade pró-vitamínica, onde na tabela 2, podemos observar a quantidade do micronutriente por peso de alimento:

Tabela 2. Conteúdo de vitamina A em alimentos

Alimentos

Peso (g)

Vitamina A (ER)

Bife de fígado cozido

100

10.700

Bife de fígado de frango cozido

100

4.900

Óleo de fígado de bacalhau

13,6

4.080

Cenoura crua

72

2.025 – 3.800

Cenoura cozida fatiada

76

1.300 – 1.900

Batata-doce assada

60

1.310

Manga

207

805

Aspargo 

60

40

Mamão papaia

140

39

Suco de laranja com cenoura 100

1.081,59

 

Como vimos a vitaminas A exerce importantes funções na homeostase do organismo, assim, devemos nos atentar tanto sobre sua deficiência quanto sua ingestão exacerbada para manter o equilíbrio das funções corporais.

 

Referência

COZZOLINO, Silvia M. Franciscato. Biodisponibilidade de nutrientes. 5ed. São Paulo: Editora Manole, 2016.

Hombali AS, Solon JA, Venkatesh BT, Nair NS, Peña-Rosas JP. Fortification of staple foods with vitamin A for vitamin A deficiency. Cochrane Database Syst Rev. 2019.

Debelo H, Novotny JA, Ferruzzi MG. Vitamin A. Adv Nutr . 2017; 8 (6): 992-994.

Tanumihardjo SA. Vitamin A: biomarkers of nutrition for development. Am J Clin Nutr. 2011.

LEMOS JÚNIOR, Hernani Pinto de; LEMOS, André Luis Alves de. Vitamina A. Diagnóstico e Tratamento: Nutrologia, São Paulo, v. 3, n. 15, p. 122-124, ago. 2010.

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