Série Micronutrientes – Zinco: qual a sua importância para a saúde?

Postado em 24 de junho de 2019 | Autor: Natália Lopes

Conheça da função até a deficiência do Zinco, mineral essencial para a saúde.

O zinco é um mineral reconhecidamente essencial para a saúde humana desde 1930, estando relacionado a inúmeras funções, incluindo o crescimento e desenvolvimento de células, tecidos e sistemas. No corpo humano, as maiores quantidades desse mineral se encontram nos ossos e músculo esquelético.

Nos alimentos, o zinco está associado às moléculas orgânicas ou na forma de sais inorgânicos que, durante a digestão, são liberados como íons livres e ligam-se a aminoácidos, fosfatos e ácidos orgânicos para serem mais bem absorvidos. A absorção acontece, principalmente, na porção proximal do intestino delgado, dependente de transportadores específicos e também da concentração do mineral na dieta, sendo absorvido cerca de 20 a 40% do zinco dietético. Sua biodisponibilidade é afetada por taninos, fitato e oxalato, que diminuem a sua absorção, e por proteínas, que a favorecem.

O transporte de zinco das células intestinais para o fígado e, posteriormente, para a circulação é feito através da ligação do zinco com albumina, α-macroglobulina, transferrina, cisteína ou histidina. A excreção acontece pelas fezes, urina, descamação da pele, cabelo, menstruação, suor e através do sêmen (≈ 9µmol por ejaculação), sendo sua homeostase controlada pelo intestino delgado, fígado e pâncreas, através de mecanismos que favorecem ou impedem a ligação do zinco com carreadores específicos no intestino.

O zinco se destaca por estar envolvido na função biológica de mais de 300 enzimas, exercendo importante papel catalítico, estrutural e regulatório, com efeito na síntese de DNA, desenvolvimento cerebral, reprodução e desenvolvimento fetal, estabilidade de membrana, formação óssea, cicatrização de feridas, além de ser considerado um nutriente anti-inflamatório e antioxidante.

O nível de zinco no corpo pode ser investigado através do zinco plasmático, zinco eritrocitário, zinco no cabelo ou na urina (por  avaliação de urina de 24h).

Sua deficiência, considerada de grande importância epidemiológica, está relacionada principalmente a baixa ingestão de alimentos fonte. No Brasil, por exemplo, 20% da população apresenta risco de ingestão inadequada de zinco. Os sinais de deficiência incluem: anorexia, hipogeusia, alopecia, diarreia, intolerância a glicose, hipogonadismo, disfunção imunológica, lesões cutâneas e oculares. Crianças, gestantes e idosos são considerados grupos de risco para deficiência. A recomendação de ingestão diária por faixa etária encontra-se no quadro 1.

Quadro 1. Recomendação de ingestão de zinco.

Fase da vida EAR (mg/d) RDA (mg/d) UL (mg/d)
Homens Mulheres Homens Mulheres  
0 a 6 meses 2,0 2,0 4,0
7 a 12 meses 2,5 2,5 3,0 3,0 5,0
1 a 3 anos 2,5 2,5 3,0 3,0 7,0
4 a 8 anos 4,0 4,0 5,0 5,0 12,0
9 a 13 anos 7,0 7,0 8,0 8,0 23,0
14 a 18 anos 8,5 7,3 11,0 9,0 34,0
19 a 50 anos 9,4 6,8 11,0 8,0 40,0
≥ 51 anos 9,4 6,8 11,0 8,0 40,0
Gestantes
   14 a 18 anos 10,5 12,0 34,0
   ≥ 19 anos 9,5 11,0 40,0
Lactação
   14 a 18 anos 10,9 13,0 34,0
   ≥ 19 anos 10,4 12,0 40,0

 

As melhores fontes de zinco são a carne vermelha, frutos do mar e grãos integrais (o zinco é encontrado no gérmen e farelo, sendo que 80% da sua concentração é perdida com o processo de moagem). O conteúdo de zinco nos alimentos pode ser observado no quadro 2.

Quadro 1. Conteúdo de zinco em 100g de alimentos.

Alimento Quantidade de zinco (mg)
Ostra cozida 39,0
Ostra crua 27,0
Caranguejo cozido 5,7
Acém cozido 8,0
Contra-filé grelhado 5,1
Fígado bovino grelhado 4,0
Músculo bovino cozido 6,4
Pernil de porco assado 3,3
Aveia em flocos 2,6
Pão de forma integral 1,6
Amendoim torrado 2,1
Feijão carioca cozido 0,7
Castanha-de-caju torrada 4,7
Castanha-de-brasil crua 4,2
Semente de gergelim 5, 2
Queijo prato 3,5
Leite de vaca integral 0,4
Abacaxi 0,1

 

Referências

ACKLAND, M. Leigh; MICHALCZYK, Agnes A.. Zinc and infant nutritionArchives Of Biochemistry And Biophysics, [s.l.], v. 611, p.51-57, dez. 2016. Elsevier BV.

COZZOLINO, Silvia M. Franciscato. Biodisponibilidade de nutrientes. 5ed. São Paulo: Editora Manole, 2016.

YASUDA, Hiroshi; TSUTSUI, Toyoharu. Infants and elderlies are susceptible to zinc deficiency. Scientific Reports, [s.l.], v. 6, n. 1, 25 fev. 2016. Springer Science and Business Media LLC.

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