Uso de wasabi no controle de doença cardiovascular

Postado em 1 de junho de 2020 | Autor: Marcella Gava

O estudo comparou parâmetros cardiovasculares e microbiota de cobaias obesas com síndrome metabólica

Estudo teve como objetivo avaliar a efetividade da Wasabi japônica (mistura de caule e raiz) sobre a melhora dos parâmetros da doença cardiovascular, incluindo concentrações plasmáticas de sódio, pressão arterial sistólica (PAS), concentrações plasmáticas de endotelina I (ET-I) e angiotensina II (ANG-II), através da alteração da microbiota intestinal de cobaias obesas e com síndrome metabólica. Para o estudo, foram utilizadas 24 cobaias que foram alimentadas com uma dieta rica em carboidratos e gorduras para induzir síndrome metabólica com esteatose hepática, obesidade e remodelamento cardiovascular. Após 8 semanas os ratos foram randomizados nos grupos GWM – alimentados com amido de milho + wasabi em pó (5%) ;  GWCG – alimentados com dieta rica em carboidratos e gordura + wasabi em pó (5%); e para controle os grupos GCG alimentados com dieta rica em carboidratos e gordura e GM alimentados com amido de milho. Cada grupo foi formado por 6 cobaias e realizaram essas dietas por 8 semanas após a randomização. Além dos parâmetros supracitados, foram avaliados também composição corporal por DXA, IMC adaptado, ingestão calórica diária, pressão sistólica, glicemia e sequenciamento da amostra fecal.

Todas as cobaias que receberam wasabi permaneceram normotensas, em ambos os grupos. Uma das cobaias no grupo GM ficou hipertensa enquanto todas as cobaias no grupo GCG adquiriram hipertensão. As cobaias hipertensas apresentaram maior ingestão calórica que as normotensas. Gordura corporal, IMC, peso corporal, circunferência abdominal, pressão sistólica, ET-I e ANG-II também foram maiores nas hipertensas do que nas normotensas. Na avaliação da microbiota intestinal, a suplementação com wasabi também foi associado a uma quantidade significativamente aumentada de Alobaculum, Sutterella, Uncl. S247, Uncl. Coriobacteriaceae e Bifidobacterium. A hipertensão apresentou correlação positiva com maior quantidade de Oscillospira, Uncl. Lachnospiraceae e Uncl. Clostridiales, Uncl. Bacteroidales e Butyricimonas. As quantidades de Oscillospira e Butyricimonas foram especificamente correlacionadas positivamente com a pressão arterial sistólica.

Assim, os autores sugerem que o wasabi possui atividade anti-hipertensiva atribuida a atenuação da disbiose da microbiota intestinal. As alterações na PAS foram associadas a uma diferença na abundância e diversidade da microbiota intestinal dos ratos suplementados com wasabi. No geral, a saúde cardiovascular do hospedeiro melhorou em ratos obesos induzidos por dieta e suplementados com pó de wasabi, podendo envolver alterações na composição da microbiota intestinal destes.

Refefência:

Thomaz FS et al. The influence of wasabi on the gut microbiota of high-carbohydrate, high-fat diet-induced hypertensive Wistar rats. Journal of Human Hypertension. Maio 2020.

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