Probióticos e saúde vaginal: entenda essa conexão

Postado em 19 de agosto de 2025

Entenda como a combinação de probióticos orais e lactoferrina pode contribuir para a manutenção da saúde íntima feminina.

A microbiota vaginal saudável é composta predominantemente por lactobacilos, que atuam como uma barreira natural contra patógenos oportunistas. 

saúde vaginal

Fonte: Canva

A diminuição na quantidade de lactobacilos está associada à disbiose e infecções como vaginose bacteriana (VB) e candidíase vaginal. Nesse contexto, o uso de probióticos orais tem se mostrado uma estratégia promissora para restaurar o equilíbrio vaginal.

O que diz a ciência?

Dois estudos clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo avaliaram os efeitos da suplementação oral com uma combinação de HOWARU® Lactobacillus acidophilus La-14™, HOWARU® Lactobacillus rhamnosus HN001® e lactoferrina bovina em mulheres saudáveis e em mulheres com microbiota vaginal intermediária.

Estudo 1: Colonização vaginal em mulheres saudáveis 

O estudo de De Alberti et al. (2015) investigou se a ingestão oral da combinação de HOWARU® Lactobacillus acidophilus La-14™, HOWARU® Lactobacillus rhamnosus HN001® e lactoferrina bovina por 14 dias poderia resultar na detecção dos lactobacilos consumidos na vagina. Os resultados mostraram que:

  • Houve aumento significativo de L. acidophilus e L. rhamnosus na vagina nos dias 14 e 21 (mesmo após 7 dias do fim da suplementação).
  • A colonização foi considerada “transitória”, mas estatisticamente significativa.
  • Não houve alteração no pH vaginal, o que era esperado, já que as participantes eram saudáveis.
  • Nenhum evento adverso foi relatado.

Esses achados sugerem que os probióticos orais podem alcançar e colonizar a vagina, mesmo sem aplicação local, abrindo caminho para estudos visando redução de incidência de infecções urogenitais.

Estudo 2: Disbiose vaginal 

Russo et al. (2018) avaliaram mulheres com microbiota vaginal intermediária (Nugent score 4–6), condição considerada um estado de transição entre a microbiota saudável e a vaginose bacteriana. Após 15 dias de suplementação com o mesmo complexo:

  • Houve melhora significativa no Nugent score, com retorno à microbiota normal (score 0–3).
  • Os sintomas clínicos, como prurido e corrimento vaginal, também diminuíram significativamente.
  • A colonização vaginal por L. acidophilus e L. rhamnosus foi confirmada por RT-PCR.
  • Nenhum efeito adverso foi observado.

Esses resultados reforçam o potencial do uso de probióticos orais como estratégia promissora em casos de disbiose vaginal leve, especialmente em mulheres assintomáticas ou com sintomas leves.

Estudo 3: Vaginose bacteriana recorrente (VB)

Em um estudo com mulheres com histórico de VB recorrente, Russo et al. (2019a) avaliaram o uso da combinação de HOWARU® Lactobacillus acidophilus La-14™, HOWARU® Lactobacillus rhamnosus HN001® e lactoferrina bovina como adjuvante ao tratamento com antibiótico. Os principais achados, em comparação com o grupo placebo, foram:

  • Redução significativa dos sintomas (corrimento e prurido) durante os 6 meses de acompanhamento.
  • Melhora do escore de Nugent e aumento da taxa de cura clínica e microbiológica.
  • Menor taxa de recorrência em comparação ao grupo placebo (29,2% vs. 58,3% ao final do estudo).
  • Boa tolerabilidade e ausência de eventos adversos.

Estudo 4: Candidíase vulvovaginal recorrente (CVV)

Outro estudo de Russo et al. (2019b) investigou mulheres com CVV recorrente. Após o tratamento antifúngico inicial, a suplementação com probióticos associados à lactoferrina bovina durante seis meses, em comparação com o grupo placebo, resultou em:

  •  Redução significativa de incômodos como prurido e corrimento a partir do terceiro mês.
  • Menor taxa de recorrência em comparação ao grupo placebo (29,2% vs. 100% após 6 meses).
  • Aumento da taxa de cura clínica e ausência de eventos adversos relatados.

Como isso se aplica à prática clínica?

Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de 40% das queixas em consultórios ginecológicos estão relacionadas a vulvovaginites e vaginoses. Essas condições, além de causarem desconforto, apresentam alta taxa de recorrência mesmo após tratamento convencional, podendo inclusive afetar a fertilidade.

Quando há desequilíbrio (disbiose), a suplementação com cepas probióticas específicas combinadas com lactoferrina pode ser uma ferramenta complementar para:

  • Promover o equilíbrio bacteriano em períodos de disbiose vaginal;
  • Manter a microbiota vaginal saudável

É importante destacar que a escolha das cepas é fundamental. As cepas HOWARU® L. acidophilus La-14™ e HOWARU® L. rhamnosus HN001® demonstraram capacidade de colonização vaginal e segurança em ambos os estudos.

 

 

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Referências

De Alberti D, Russo R, Terruzzi F, Nobile V, Ouwehand AC. Lactobacilli vaginal colonisation after oral consumption of Respecta complex: a randomised controlled pilot study. Arch Gynecol Obstet. 2015;292(4):861–867. doi:10.1007/s00404-015-3711-4

Russo R, Edu A, De Seta F. Study on the effects of an oral lactobacilli and lactoferrin complex in women with intermediate vaginal microbiota. Arch Gynecol Obstet. 2018;298(1):139–145. doi:10.1007/s00404-018-4771-z

Russo R, Karadja E, De Seta F. Evidence-based mixture containing Lactobacillus strains and lactoferrin to support vaginal microbiota balance: a double blind, placebo controlled, randomised clinical trial. Benef Microbes. 2019;10(1):19–26. doi:10.3920/BM2018.0075

IFF

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