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EFEITO DO ÓLEO DE PEIXE NO TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL INDUZIDA . PELA RESTRIÇÃO PROTÉICA INTRA-UTERINA

Postado em 3 de agosto de 2005 | Autor: Mariana Catta-Preta Caiado Pereira

CO-AUTORES: Daniel Alves de Oliveira, Márcia Barbosa Águila, Carlos Alberto Mandarim-de-Lacerda.

INSTITUIÇÃO: Laboratório de Morfometria & Morfologia Cardiovascular, IBRAG, UERJ. Rio de Janeiro – RJ.

INTRODUÇÃO: Segundo a “programação metabólica”, existe relação entre peso ao nascer e incidência de doenças crônicas como doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2. Uma alternativa para o tratamento da hipertensão arterial podem ser os lipídios dietéticos. Estudos sugerem que os ácidos graxos poliinsaturados n-3 podem exercer papel na prevenção de doenças cardiovasculares.

OBJETIVO: Avaliar os efeitos do óleo de peixe no tratamento da hipertensão arterial em ratos que sofreram restrição protéica intra-uterina.

MATERIAL E MÉTODOS: Foram utilizadas fêmeas Wistar, com idade não superior a 9 meses, não primíparas, divididas em dois grupos: controle (C) e com restrição protéica (R). O grupo C recebeu dieta padrão para ratos, com 22% de proteínas (Nuvilab“) e o grupo R recebeu dieta experimental AIN-93 com 9% de proteínas, ambas isocalóricas. Este esquema de alimentação foi feito durante a gestação. Ao nascimento, o número da ninhada foi fixado em seis animais (3 machos e 3 fêmeas) por mãe. As mães do grupo R, após o nascimento dos filhotes, receberam dieta padrão para ratos. A massa corporal (MaC) e o comprimento rostro-anal (CRA) dos filhotes foram aferidos ao nascimento e ao desmame. A partir dos 3 meses, a prole (machos e fêmeas) foram divididos em 4 grupos: MCPX, FCPX, MRPX e FRPX (óleo de peixe na dose 1,5 ml/kg/dia + 1UI de vitamina E/ml por gavagem) e MC, FC, MR e FR (placebo), durante 3 meses. Foram aferidos semanalmente MC, CRA e pressão arterial (PA). As diferenças nos parâmetros biométricos foram testadas por análise de variância e teste de comparações múltiplas de Neuman-Keuls.

RESULTADOS: Os animais que sofreram restrição protéica intra-uterina (tanto machos como fêmeas) apresentaram MaC e CRA significativamente menor quando comparada com seus respectivos controles (p<0,05). Ao final do experimento o grupo MR apresentou maior MaC (477±24mg) do que o grupo MC (436±43mg), porém não apresentou diferença significativa. Os machos que receberam óleo de peixe apresentaram menor MaC quando comparado com seus respectivos grupos controle, MRPX: 441±18mg, MR: 477±24mg e MCPX: 396±30mg, MC: 436±43mg. O mesmo não ocorreu com as fêmeas. Quanto a PA, tanto as fêmeas e como os machos que sofreram restrição protéica durante a gestação apresentaram PA mais elevada em comparação com seus respectivos controles, FR: 136±3mmHg vs. FC: 110±1mmHg (P<0,001) e MR: 133±5mmHg vs. MC: 110±0mmHg (p<0,001). Quando observamos os animais que receberam óleo de peixe, a PA diminuiu significativamente em comparação com os animais dos grupos controles. Os valores foram: FRPX: 121±1mmHg vs. FR: 136±3mmHg (p<0,001) e MRPX: 124±1mmHg vs. MR: 133±5mmHg (p<0,001).

CONCLUSÕES: O óleo de peixe foi eficaz na redução da MaC e da PA no modelo de hipertensão arterial induzida por restrição protéica intra-uterina.

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