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Posicionamento da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) a respeito de micronutrientes e probióticos na infecção por COVID-19

Postado em 13 de abril de 2020 | Autor: Isabella Mendes

ABRAN divulga parecer sobre o uso de vitaminas e minerais como coadjuvantes no tratamento de COVID-19

Diante do atual cenário em que o mundo se encontra, diversas Associações da área de atuação da saúde estão divulgando materiais eficazes para auxilio no tratamento do paciente diagnosticado com COVID-19. Sendo assim, a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), divulgou um posicionamento a respeito da atuação de vitaminas A, C, D, zinco e selênio e a relevância destes em quadros de síndrome respiratória aguda grave causada pelo vírus, além do possível papel dos probióticos nestes casos.

Recente estudo demonstrou que a vitamina A é um micronutriente que deve ser considerado em pacientes portadores de COVID-19, tendo em vista que desfechos negativos durante infecções virais têm sido associados a baixos níveis da vitamina. Entretanto, ainda não existem estudos sobre sua ingestão acima do recomendado em pacientes diagnosticados com SARS-COV-2.

Estudos controlados em humanos demonstraram importante eficiência da suplementação de vitamina C em pacientes com pneumonia e em desfechos secundários da síndrome do desconforto respiratório grave. Isto demonstra que indivíduos sob risco de infecções virais respiratórias, doses elevadas de vitamina C podem ser eficazes, podendo ser um suporte no tratamento de pacientes diagnosticados com COVID-19, embora sejam necessários estudos mais longos e sistemáticos sobre o assunto.

A ação da vitamina D sobre o sistema imune tem sido amplamente estudada.  Sua eficiência tem sido revelada quando, pacientes infectados cuja vitamina é suplementada ou até atingida a valores normais, demonstram melhor recuperação. Tendo em vista a atual pandemia de COVID-19, sua letalidade tem chamado atenção em indivíduos acima de 60 anos, onde se observa maior prevalência de hipovitaminose D e menor exposição solar, voltando-se a atenção para ingestão da mesma durante este período.

O zinco é um oligoelemento essencial com importante função imune. Além disso, estudos in vitro relatam uma atividade antiviral por meio da inibição da atividade da polimerase do RNA do coronavírus. Entretanto, a recomendação da ingestão do mineral segue a diretriz da RDA – 8 mg/dia para mulheres e 11 mg/dia para homens.

O sistema de defesa antioxidante é essencial no combate aos radicais livres produzidos durante as infecções virais. Diante disto, o selênio ocupa um papel essencial na defesa antioxidante, o que o torna um coadjuvante no tratamento de infecções. Doses elevadas de selênio (200 mcg) tem demonstrado mais eficácia contra infecções, entretanto não são indicadas por tempo prolongado e sua utilização deve ser avaliada conforme níveis séricos.

O microbioma intestinal tem elevada importância na manutenção da saúde do indivíduo, por meio da composição de seus microrganismos. Um paciente com COVID-19 apresenta distúrbios gastrintestinais por conta da contaminação viral direta da mucosa intestinal e/ou por tratamentos farmacológicos para consequências secundárias, que levam a uma diminuição da microbiota, o que pode desencadear infecções mais severas e consequentemente quadros mais graves. Sendo assim, a indicação de probióticos nos casos destes pacientes, pode ser eficaz para manutenção do microbioma intestinal e resposta imune. No entanto, esta indicação deve ser específica a cada paciente, respeitando as contraindicações que o mesmo pode apresentar.

Como relatado acima, a resposta imunológica depende de diversos fatores, e a ingestão de vitaminas e minerais parece ter papel de destaque como coadjuvantes no tratamento de COVID-19. Contudo, é importante ressaltar que a suplementação destes juntamente com uma alimentação balanceada e adequada, pode otimizar a resposta imunológica, mas não significa ser um tratamento e nem prevenir infecções por COVID-19.

Saiba mais em: Posicionamento ABRAN

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