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Suplementação e sua necessidade em todas as fases da vida

Postado em 26 de abril de 2021 | Autor: Natália Lopes | Tempo de leitura: 5 min

Ao longo da vida, a necessidade de alguns alguns micronutrientes pode mudar

Os micronutrientes, vitaminas e minerais, são compostos inorgânicos essenciais para o bom funcionamento do organismo, pois participam como cofatores de diversas reações. Estão presentes na natureza e os alimentos são nossa maior fonte desses nutrientes. (1)

Embora estejam em todos os grupos de alimentos, frutas, legumes e verduras (hortaliças) são os alimentos que, por sua ampla variedade, nos fornecem a maior quantidade e variedade de vitaminas e minerais. Para que atinjamos a ingestão adequada de micronutrientes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a ingestão diária de pelo menos 400 gramas de frutas e hortaliças, o que equivale, aproximadamente, ao consumo diário de cinco porções desses grupos de alimentos. No entanto, segundo dados da última pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), apenas 22,9% da população adulta brasileira atinge essa recomendação. (2) Além disso, dietas monótonas com baixa densidade de micronutrientes, baixa ingestão de alimentos de origem animal e baixa prevalência de aleitamento materno podem influenciar na adequada ingestão de micronutrientes.

O baixo consumo de fontes alimentares de vitaminas e minerais compromete a saúde dos indivíduos, aumentando situações de deficiência, como a anemia, e comprometendo, por exemplo, o funcionamento do sistema imunológico e crescimento adequado, no caso de crianças. A deficiência de micronutrientes pode ser ainda mais importante, quando atinge grupos específicos, considerados grupos de risco, a saber: bebês e crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes, e idosos, grupos que apresentam aumento de demandas fisiológicas de micronutrientes específicos. (1;3)

  • Infância 

Ao nascer, o principal alimento do bebê até os seis meses de vida é o leite materno, alimento único que contém vários componentes imunológicos, citocinas anti-inflamatórias e outros fatores antimicrobianos, mas também a maioria dos micronutrientes necessários para apoiar o seu desenvolvimento. Com relação aos micronutrientes, a composição do leite depende do estado nutricional e alimentação materna, e embora mecanismos homeostáticos garantam a perfeita composição, o leite materno não oferece ao bebê quantidades suficientes de ferro, zinco, vitamina A e vitamina D. Tais deficiências podem persistir mesmo após a introdução de outros alimentos na dieta da criança, sobretudo em países em desenvolvimento e/ou que apresentam grande consumo de alimentos industrializados em detrimento ao consumo de frutas e hortaliças, fato que pode ser agravado pela seletividade alimentar infantil. Assim, para evitar déficit de crescimento, comprometimento do sistema imunológico e atraso no desenvolvimento cognitivo, ferro, iodo, zinco e as vitaminas A, D e C são exemplos de micronutrientes que merecem atenção, sobretudo ferro, vitamina A e vitamina D, cuja suplementação pode ser necessária para bebês e crianças na fase pré-escolar.  (3-5)

  • Adolescência

A adolescência é uma importante fase de crescimento, marcada também por mudanças hormonais e fisiológicas. Além de apresentarem mudanças no comportamento alimentar, com preferência por alimentos de baixa densidade nutricional, há aumento na necessidade de alguns nutrientes, como proteínas, cálcio, ferro, zinco e as vitaminas A, D, E, C, B12 e ácido fólico, que podem diferir entre meninos e meninas.  A menarca, no caso de meninas, o pico de desenvolvimento ósseo são eventos importantes dessa fase, que justificam maiores necessidades especificamente de ferro e cálcio, respectivamente. Porém, nota-se neste grupo grande preferência pelo consumo de alimentos industrializados e refrigerantes, que não só contribuem para o baixo consumo de micronutrientes, como aumentam a ingestão de fatores antinutricionais, como cafeína, fitatos, oxalatos e taninos, comprometendo a absorção desses nutrientes. Assim, diante de alimentação inadequada e presença de sinais e sintomas de deficiência, recomenda-se a suplementação de micronutrientes isolados ou de múltiplos micronutrientes, a fim de assegurar o desenvolvimento adequado de adolescentes. (3; 6-8)

  • Gravidez e lactação

A ingestão alimentar materna durante a gravidez precisa atender ao aumento da demanda nutricional para manter o metabolismo e apoiar o desenvolvimento adequado do feto. Atualmente, sabe-se, inclusive, que o estado nutricional pré-concepção precisa de atenção, fase em que baixos níveis de nutrientes como ácido fólico, cálcio, vitaminas B6 e B12, nutrientes antioxidantes (vitaminas A, E e C, zinco e selênio) e ácidos graxos essenciais podem comprometer a fertilidade materna e paterna e os estágios iniciais da concepção. Durante a gestação, o aporte adequado de micronutrientes garante a saúde materna e o desenvolvimento do feto, sobretudo dos sistemas nervoso, cognitivo, imunológico e ósseo, com destaque para cálcio, ferro, iodo, zinco, selênio, ácido fólico e as vitaminas A, C, D e E, sendo recomendada a utilização de suplementos de múltiplos nutrientes durante a gestação, que poderá ser estendida para a fase de lactação. Durante a fase de lactação, há um incremento nas necessidades energéticas e nutricionais da mãe e, como já vimos, o estado nutricional materno garantirá a produção adequada de leite. (6, 9-12)

  • Envelhecimento

O processo de envelhecimento é contínuo, com início do declínio funcional a partir dos 30 anos, é marcado por alterações fisiológicas em todos os órgãos e sistemas. Ganha destaque, principalmente pela importância sobre a saúde e qualidade de vida, as alterações musculares, ósseas, imunológicas e neurológicas, situações em que a alimentação tem impacto direto e positivo na prevenção de complicações clínicas. Durante o envelhecimento, no entanto, mudanças no padrão alimentar, digestão e metabolismo de nutrientes comprometem a ingestão de grupos alimentares importantes, como carnes e ovos, laticínios, leguminosas e hortaliças, ao mesmo tempo que se observa demanda aumentada por cálcio, vitamina D e nutrientes antioxidantes (vitaminas A, E e C, zinco e selênio), além de aminoácidos e ácidos graxos essenciais. As atuais recomendações para o manejo adequado de situações clínicas como sarcopenia, fragilidade, osteopenia e osteoporose, imunosenescência e declínios cognitivos indicam a suplementação de múltiplos nutrientes como terapia coadjuvante ou principal de tais condições. (1, 3, 6, 13)

É reconhecido que deficiências de micronutrientes e ingestão alimentar inadequada são comuns em todo o mundo e certos micronutrientes podem apresentar deficiências em diferentes estágios do curso de vida, inclusive na presença de doenças crônicas. (14) O estilo de vida atual e o consumo de dietas de baixa densidade nutricional aumentam o risco de deficiências nutricionais, assim, médicos e nutricionistas devem sempre estar atentos às manifestações de deficiências nutricionais e consumo alimentar de seus pacientes, e, quando necessário, indicar a suplementação de múltiplos nutrientes mais adequada a eles.

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Referências:

  1. COZZOLINO, Silvia M.F. Biodisponibilidade de nutrientes. 5ed. Barueri, SP: Manole, 2016.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2019: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2019. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. (http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2019_vigilancia_fatores_risco.pdf)
  3. MAGGINI, Silvia et al. Immune Function and Micronutrient Requirements Change over the Life Course. Nutrients, [S.L.], v. 10, n. 10, p. 1531, 17 out. 2018. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/nu10101531.
  4. TAM, Emily et al. Micronutrient Supplementation and Fortification Interventions on Health and Development Outcomes among Children Under-Five in Low- and Middle-Income Countries: a systematic review and meta-analysis. Nutrients, [S.L.], v. 12, n. 2, p. 289, 21 jan. 2020. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/nu12020289.
  5. DOMELLÖF, Magnus et al. Iron Requirements of Infants and Toddlers. Journal Of Pediatric Gastroenterology & Nutrition, [S.L.], v. 58, n. 1, p. 119-129, jan. 2014. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health). http://dx.doi.org/10.1097/mpg.0000000000000206.
  6. ROSSI, Luciana; POLTRONIERI, Fabiana. Tratado de Nutrição e Dietoterapia. 1ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
  7. BERGER, Paige K et al. Zinc Supplementation Increases Procollagen Type 1 Amino-Terminal Propeptide in Premenarcheal Girls: a randomized controlled trial. The Journal Of Nutrition, [S.L.], v. 145, n. 12, p. 2699-2704, 21 out. 2015. Oxford University Press (OUP). http://dx.doi.org/10.3945/jn.115.218792.
  8. LASSI, Zohr S et al. Systematic review on evidence-based adolescent nutrition interventions. Ann N Y Acad Sci., v.1393, n.1, p.34-50, abr. 2017. 10.1111/nyas.13335. https://nyaspubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/nyas.13335
  9. BELUSKA-TURKAN, Katrina et al. Nutritional Gaps and Supplementation in the First 1000 Days. Nutrients, [S.L.], v. 11, n. 12, 27 nov. 2019. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/nu11122891.
  10. NGUYEN, Phuong H. et al. Impact of Preconception Micronutrient Supplementation on Anemia and Iron Status during Pregnancy and Postpartum: a randomized controlled trial in rural vietnam. Plos One, [S.L.], v. 11, n. 12, 5 dez. 2016. Public Library of Science (PLoS). http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0167416
  11. PRADO, Elizabeth L et al. Nutrition and brain development in early life. Nutrition Reviews, [S.L.], v. 72, n. 4, p. 267-284, 28 mar. 2014. Oxford University Press (OUP). http://dx.doi.org/10.1111/nure.12102.
  12. MASSARI, Maddalena et al. Multiple Micronutrients and Docosahexaenoic Acid Supplementation during Pregnancy: a randomized controlled study. Nutrients, [S.L.], v. 12, n. 8, p. 2432, 13 ago. 2020. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/nu12082432.
  13. DENT, Elsa et al. International Clinical Practice Guidelines for Sarcopenia (ICFSR): screening, diagnosis and management. The Journal Of Nutrition, Health & Aging, [S.L.], v. 22, n. 10, p. 1148-1161, 22 nov. 2018. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1007/s12603-018-1139-9.
  14. SRIRAM, Krishnan et al. Micronutrient Supplementation in Adult Nutrition Therapy: practical considerations. Journal Of Parenteral And Enteral Nutrition, [S.L.], v. 33, n. 5, p. 548-562, 19 maio 2009. Wiley. http://dx.doi.org/10.1177/0148607108328470.

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