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Recomendações para o consumo diário de gorduras

Postado em 1 de dezembro de 2021

É importante orientar o adequado consumo de gorduras para evitar eventos cardiovasculares

Consumo diário de gorduras

fonte: shutterstock

A prescrição de planos dietéticos equilibrados e adequados deve seguir as recomendações para o consumo diário de energia e de todos os macronutrientes, incluindo as recomendações para ingestão de gorduras.

 Recomendações para o consumo diário de gorduras

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo diário de gorduras totais na dieta deve ser inferior a 30% do valor energético total (VET). Desse total apenas 10% deve corresponder a gordura saturada e 1% a gordura trans.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforça essa recomendação para indivíduos saudáveis  e recomenda que indivíduos com LCL-c alto e hipertrigliceridemia consumam, respectivamente, menos de 7% e 5% de gordura saturada na dieta, e que a gordura trans não deve ser consumida, devido a forte associação com eventos cardiovasculares.

Há fortes evidências negativas a respeito do consumo de gorduras saturada e trans e o risco cardiovascular. Em recente meta-análise realizada a partir de estudos de coorte, foi observado que quanto maior o consumo de gordura trans, maior o risco cardiovascular.

Já ao analisar dados de 521 120 participantes do National Institutes of Health-American Association of Retired People Diet and Health Study, que tinham idades entre 50 a 71 anos, Zhuang e colaboradores observaram que além da gordura trans, o aumento do consumo de gordura saturada e gordura monoinsaturada de fonte animal também está associado a maior risco cardiovascular.

Os pesquisadores observaram também que a substituição de 5% de gordura saturada por gordura monoinsatura de fonte vegetal reduzui em 15% o risco de morte por doença cardiovascular. Corroborando recomendações da American Heart Association que, em sua última diretriz, indica que pessoas devem consumir mais óleos vegetais que óleos tropicais (óleo de coco e de palma) e gorduras animais.

Quanto devemos consumir de gordura moisaturada e poli-insaturada por dia?

Como vimos anteriormente, óleos de origem vegetal possuem em sua composição quantidades maiores de gordura monoinsaturada e poli-insaturada (ômega 6, ALA, EPA e DHA).

A SBC recomenda que o consumo de gordura monoinsaturada deve ser de 10 a 20% do VET, enquanto o consumo de poli-insaturados deve ser de, em média, 12% do VET. A sociedade ainda recomenda que o consumo de ácido α-linolênico (ALA) deve ser de 1,1 a 1,6% do VET, enquanto que o consumo de EPA e DHA pode variar de 0,5 a 2g/dia, a depender da presença de aumento de LDL-c ou hipertrigliceridemia.

Ao contrário das gorduras saturadas e trans, as gorduras mono e, principalmente, as poli-insaturadas estão associadas a redução do risco cardiovascular. ALA, EPA e DHA contribuem para diminuição de colesterol total e LDL-c, e também estão associadas à diminuição de eventos e morte cardiovasculares.

Distribuição de gorduras nos alimentos

Na tabela abaixo, observa-se composição de gorduras presentes em 100g de seus principais alimentos fonte

 (g/100g) Manteiga com sal Margarina com óleo hidrogenado com sal (65% de lipídios) Margarina com óleo interesterificado com sal (65% de lipídios) Óleo de soja Óleo de canola Azeite Óleo de coco
Gordura monoinsaturada 20,4 18,2 15,0 23,3 62,6 75,5 6,3
Gordura poli-insaturada 1,2 21,4 27,6 5,72 28,4 9,5 1,7
Gordura saturada 49,2 14,9 21,9 15,2 7,9 14,9 82,4
Gordura trans 2,5 8,69 0,09 0 0 0 0,02

Fonte: Tabela Brasileira de Composição de Alimentos – TACO

 Gordura trans é igual a gordura interesterificada?

Não. A gordura trans é obtida a partir da hidrogenação parcial dos óleos vegetais. Nesse processo ocorre a adição de alguns átomos de hidrogênio ao óleo vegetal e consequentemente a modificação da sua estrutura química, cuja conformação passa da posição cis para a posição trans e o óleo, antes líquido, se torna semi-sólido.

Associada ao maior risco de eventos cardiovasculares adversos, sobretudo pelo seu efeito sobre a elevação dos níveis séricos de LDL-c, a indústria de alimentos vem buscando opções para substituir a gordura trans em seus produtos, como observado por exemplo, na categoria de margarinas.

Nesse sentido, o processo de hidrogenação total veio para substituir a hidrogenação parcial e eliminar a gordura trans nos produtos. E a interesterificação? A interesterificação é responsável por oferecer a cremosidade ao produto, tendo em vista que a hidrogenação total resulta em um produto sólido e quebradiço.

A interesterificação é geralmente realizada entre uma gordura de alto ponto de fusão (por exemplo: óleo vegetal totalmente hidrogenado ou fração de óleo de palma) e um óleo líquido (como óleo de soja), resultando na formação de novas moléculas de triacilglicerídeos com propriedades únicas para uso em formulações de margarina (plasticidade, textura e sensação agradável na boca).

A SBC afirma que, até o momento, não há evidências cientificas que associem o processo de interesterificação das gorduras com o desenvolvimento da aterosclerose, alterações do perfil metabólico e desfechos cardiovasculares.

 

Referências:

Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Tabela brasileira de composição de alimentos – TACO. 4. ed. rev. e ampl. Campinas: UNICAMP/NEPA, 2011. pp. 161. Available at:

IZAR, Maria Cristina de Oliveira et al. Posicionamento sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular – 2021Arquivos Brasileiros de Cardiologia, [S.L.], v. 116, n. 1, p. 160-212, jan. 2021. Sociedade Brasileira de Cardiologia. http://dx.doi.org/10.36660/abc.20201340.

Lichtenstein, Alice H et al2021 Dietary Guidance to Improve Cardiovascular Health: A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation, 2021.

Mensink RP et al. The Increasing Use of Interesterified Lipids in the Food Supply and Their Effects on Health Parameters. Adv Nutr. 2016 Jul 15;7(4):719-29.

Organização Mundial da Saúde

Précoma, Dalton Bertolim et al. Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2019

Zhu Y, Bo Y, Liu Y. Dietary total fat, fatty acids intake, and risk of cardiovascular disease: a dose-response meta-analysis of cohort studies. Lipids Health Dis. 2019.

Zhuang P et al. Dietary Fats in Relation to Total and Cause-Specific Mortality in a Prospective Cohort of 521 120 Individuals With 16 Years of Follow-Up. Circ Res. 2019.

 

 

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