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Sedativos impactam no consumo energético de pacientes em UTI?

Postado em 16 de agosto de 2021 | Autor: Eduarda Rodrigues| Tempo de leitura: 3 min

Alguns sedativos pode causar a superalimentação calórica em pacientes críticos

Sedativos impactam no consumo energético de pacientes em UTI?

Pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) são pacientes graves, que apresentam necessidade de acompanhamento contínuo. Nesse cenário a terapia nutricional é uma grande aliada na manutenção e recuperações do estado nutricional desses pacientes, tendo em vista que a estimativa da prevalência de desnutrição nesses indivíduos é de, ao menos, 35%.

A terapia nutricional desses pacientes é cercada de desafios: estes pacientes são, normalmente, hipermetabólicos e hipercatabólicos, estão na maioria das vezes inconscientes, o que compromete a ingestão alimentar e aumenta a necessidade de terapia de nutrição enteral e parenteral, e ainda estão susceptíveis aos efeitos dos medicamentos utilizados, como os sedativos.

Os sedativos são medicamentos comumente utilizados em UTI, principalmente me pacientes em ventilação mecânica (VM), com o objetivo de aliviar o desconforto associado à ela, prevenir assincronia paciente-ventilador, permitir ventilação efetiva, prevenir extubação traqueal inadvertida e deslocamento de vias venosas, além de satisfazer as necessidades ansiolíticas, hipnóticas e amnésticas destes pacientes. Existem diversos medicamentos que são utilizados nesses casos e alguns desses sedativos podem impactar a ingestão enérgica do paciente, como o caso do Propofol.

O Propofol é um medicamento sedativo intravenoso, recomendado e comumente utilizado em pacientes com uso de VM, tendo como vantagem sobre outros medicamentos da classe, a sua meia-vida, permitindo um despertar diário do paciente e a indução da respiração espontânea. Porém, o seu uso prologando e com altas doses pode trazer alterações no manejo nutricional, já que a sua formulação é por emulsão lipídica de 10% com óleo de soja. Devido a essa emulsão, a sua infusão contém 1,1kcal/mL, podendo resultar em superalimentação calórica hipertrigliceridemia e ingestão inadequada de proteínas.

Sabendo-se disso, uma das alternativas recomendada é incluir no cálculo de ingestão alimentar diária a infusão deste medicamento. Entretanto a discussão da equipe de multiprofissionais é de suma importância para a adequação da conduta para cada paciente.

 

Referência

MINICUCCI, M.F.; AZEVEDO, P.S.; DUARTE, D.R.; SORIANO, E.A.; ZORNOFF, L.A.M.; CAMPANA, A.O.; PAIVA, S.A.R. Terapia Nutricional no Paciente Crítico – O papel dos macronutrientes. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 31, n. 1, p. 97-109, abr. 2006.

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SAKATA, Rioko Kimiko. Analgesia e sedação em unidade de terapia intensiva. Revista Brasileira de Anestesiologia, [S.L.], v. 60, n. 6, p. 653-658, dez. 2010. Elsevier BV.

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