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Como a disbiose intestinal pode contribuir para o surgimento de doenças?

Postado em 2 de abril de 2018

A microbiota intestinal é composta de centenas de micro-organismos que vivem de forma simbiótica no intestino e exercem importante impacto sobre a saúde e a doença.

A presença adequada de bactérias comensais, em variedade e quantidade, contribui para a manutenção da integridade da mucosa intestinal e pode prevenir o aparecimento de doenças. Isso acontece porque bactérias comensais competem com patogênicas por substratos, deixando menos nutrientes para as causadoras de doenças. Além disso, elas produzem ácido lático, enzimas e bacteriocinas que dificultam o crescimento de patógenos. As bactérias comensais também ajudam a reforçar a impermeabilidade intestinal e ocupam espaço intestinal que poderia ser “preenchido” por patógenos. Esse conjunto de ações contribui para modular o sistema imunológico e reduzir processos inflamatórios, o que pode auxiliar na manutenção da saúde.

Disbiose pode aumentar a ocorrência de doenças como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, doenças inflamatórias intestinais (DII), câncer, entre outras. Disbiose intestinal precoce, ou seja, nos primeiros 1000 dias de vida, pode favorecer eventos adversos durante a gestação, sepse neonatal, aparecimento das doenças já citadas e também de alergias, e até mesmo autismo. Já em idosos, o aumento de bactérias gram-negativas e secreção de lipopolissacarídeos promove ativação de processo inflamatório e redução de bactérias probióticas, e diminui a secreção de ácidos graxos de cadeia curta. Tudo isso implica em prejuízo na ativação do sistema imune e proteção da mucosa, com consequentemente aumento de doenças inflamatórias e câncer coloretal. Existem informações recentes que disbiose possa estar relacionada também à ocorrência de Alzheimer e doença de Parkinson em indivíduos mais velhos.

Neste sentido, torna-se de interesse conhecer o perfil da microbiota por meio de sequenciamento genético 16S. Este conhecimento traz novas ferramentas ao profissional de saúde ao favorecer o tratamento da disbiose, e assim prevenir de maneira mais precoce as doenças a ela associadas.

Leia mais sobre o assunto na Série Microbioma:

Referências:

BELKAID, Yasmine; HAND, Timothy w.. Role of the Microbiota in Immunity and Inflammation. Cell, [s.l.], v. 157, n. 1, p.121-141, mar. 2014. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.cell.2014.03.011

BUTEL, MJ; WALIGORA-DUPRIET, AJ; WYDAU-DAMATTEIS, S. The developing gut microbiota and its consequences for health. Journal of Developmental Origins of Health and Disease, [s.l.], p.1-8, 22 mar. 2018. Cambridge University Press. https://doi.org/10.1017/S2040174418000119

CHOI, Jeonghyun; HUR, Tai-young; HONG, Yonggeun. Influence of Altered Gut Microbiota Composition on Aging and Aging-Related Diseases. Journal Of Lifestyle Medicine, [s.l.], v. 8, n. 1, p.1-7, 31 jan. 2018. Institute of Lifestyle Medicine. http://dx.doi.org/10.15280/jlm.2018.8.1.1

XU, Xiaofei; WANG, Zhujun; ZHANG, Xuewu. The human microbiota associated with overall health. Critical Reviews In Biotechnology, [s.l.], v. 35, n. 1, p.129-140, 5 ago. 2013. Informa UK Limited.
http://dx.doi.org/10.3109/07388551.2013.819485

 

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