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Interação fibra-microbiota intestinal e seus efeitos sobre a inflamação sistêmica

Postado em 5 de julho de 2021 | Autor: Marcella Gava | Tempo de leitura: 3 min.

Estudo sugere rotas de ação da pectina sobre o microbioma intestinal

Um alto consumo de fibra está associado com uma redução do risco de doenças inflamatórias crônicas, como doenças cardiovasculares e doença inflamatória intestinal. Dessa maneira, os autores procuraram elucidar a relação entre o consumo de fibras e a ocorrência de inflamação.

Os dados foram coletados de um estudo prévio com 51.529 homens que foram seguidos desde 1986, bienalmente com informações sobre estilo de vida, saúde, entre outras informações. E, a cada quatro anos, foi realizado recordatório alimentar. Entre 2012 e 2013 foram recrutados 307 homens deste estudo para coletarem amostras de fezes e de sangue. Foi avaliada a microbiota fecal destes através de metagenoma e metatranscriptoma.

Foi avaliado, então, as interações dieta-microbioma-inflamação a partir destes indivíduos. Os participantes tinham uma média de ingestão diária de fibras de 25,3 g e um PCR médio de 1,75 mg/dL. A ingestão de fibra foi inversamente correlacionada com o IMC. Fatores individuais como idade, estilo de vida, dieta e biomarcadores clínicos explicaram algumas variações no perfil da microbiota intestinal, sendo a ingestão de fibras o principal fator dentre estes. No entanto, nem ingestão de fibra nem níveis de PCR individualmente foram responsáveis por alterações na microbiota. Uma ingestão aumentada de fibras em longo prazo se associou ao aumento de Clostridiales, o maior produtor de butirato, incluindo aumento de Eubacterium eligens, Faecalibacterium prausnitzii e Roseburia, e redução de Clostridium, Lachnospiraceae e Ruminococcus spp. A ingestão de fibra também aumentou a abundância de Haemophilus parainfluenzae e Bacteroides cellulosilyticus. A fonte da fibra alimentar, se de frutas e pectina ou de cereais, também teve influência sobre as bactérias que estariam mais abundantes. O PCR se associou com o enriquecimento de B. uniformis, B. salyersale, Barnesiella intestinihominis e Parabacteroides, independente da adiposidade, além de uma redução de Lachnospiraceae bacterium 3 1 46FAA, E. eligens e Bifidobacterium bifidum, microorganismos com efeito anti-inflamatório.

Os autores concluíram que o estudo oferece evidências que apoiam uma interação da microbiota fibra-intestino, bem como um potencial mecanismo específico pelo qual a inflamação sistêmica mediada pelo intestino pode ser mitigada. Como uma das únicas influências sustentáveis de longo prazo sobre o microbioma intestinal e saúde crônica, intervenções dietéticas são estratégias chave para induzir a inflamação crônica. Estes achados sugerem rotas específicas pelas quais a pectina influencia diretamente o microbioma intestinal e a compreensão desse mecanismo abriria caminho para o desenvolvimento de intervenções personalizadas baseadas em fibras para a prevenção de doenças inflamatórias crônicas.

Referência

Ma W, Nguyen LH, Song M, Wang DD, Franzosa EA, Cao Y, Joshi A, Drew DA, Mehta R, Ivey KL, Strate LL, Giovannucci EL, Izard J, Garrett W, Rimm EB, Huttenhower C, Chan AT. Dietary fiber intake, the gut microbiome, and chronic systemic inflammation in a cohort of adult men. Genome Med. 2021 Jun 17;13(1):102. doi: 10.1186/s13073-021-00921-y. PMID: 34140026; PMCID: PMC8212460.

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