As Diretrizes da ADA 2026 reforçam o papel da nutrição, da educação e das tecnologias no cuidado da pessoa com diabetes.
A terapia nutricional no diabetes é um eixo fundamental do tratamento que atua não apenas como ferramenta de controle glicêmico, mas também como intervenção capaz de otimizar a qualidade de vida do paciente com diabetes. É por isso, que ela é mencionada e reafirmada em diversos momentos nas diretrizes da American Diabetes Association (ADA) 2026.
O documento consolida uma abordagem abrangente e atualizada para o cuidado em diabetes, reconhecendo a complexidade da condição e a necessidade de estratégias contínuas, personalizadas e interdisciplinares. Os Standards of Care 2026 reforçam que o manejo do diabetes vai além da glicemia isolada, incorporando educação contínua, avaliação de riscos, monitoramento sistêmico e uso de tecnologias.
Para o nutricionista, compreender como esses elementos se conectam é fundamental para qualificar a prática clínica e potencializar o autocuidado do paciente. Continue lendo para saber mais:

Fonte: Canva
Cuidado centrado na pessoa
Um dos pilares das diretrizes da ADA 2026 é o cuidado centrado na pessoa, que considera valores individuais, preferências, comorbidades e carga do tratamento. Essa abordagem é especialmente relevante para a terapia nutricional no diabetes, que deve ser adaptada à realidade alimentar, cultural e socioeconômica de cada paciente.
As diretrizes reconhecem que as decisões sobre a alimentação influenciam diretamente o controle glicêmico, a variabilidade da glicose e a segurança do tratamento. Assim, a atuação do nutricionista se insere como componente estratégico dentro da equipe multiprofissional.
Acompanhamento da glicemia
As diretrizes reforçam ainda que a avaliação do controle glicêmico deve utilizar múltiplas ferramentas, incluindo hemoglobina glicada, monitorização da glicose capilar e monitorização contínua da glicose. Esses métodos fornecem dados complementares para ajustes na terapia nutricional no diabetes.
Os dados de monitorização contínua da glicose oferecem uma visão detalhada das respostas glicêmicas às refeições, permitindo identificar padrões, variações e períodos de risco. Métricas como tempo no alvo, tempo acima do alvo e tempo abaixo do alvo ampliam a compreensão do impacto de cada alimento ou refeição no dia a dia.
Tecnologia como aliada na terapia nutricional no diabetes
A monitorização contínua da glicose, assim como os sistemas de liberação automatizada de insulina, são tecnologias que facilitam a modificação do estilo de vida e o tratamento da diabetes, sendo fortemente recomendadas pela ADA.
E, embora a prescrição e o ajuste da insulina, não sejam atribuições diretas do nutricionista, a compreensão do funcionamento dessas tecnologias é essencial para alinhar a dieta às demais estratégias de tratamento.
Educação continua sendo um elemento indispensável
As diretrizes enfatizam que nenhuma tecnologia em diabetes funciona adequadamente sem educação, treinamento e suporte contínuo. A capacitação no cuidado do diabetes deve abranger tanto pessoas com a condição quanto cuidadores e profissionais da saúde, com revisões e atualizações frequentes ou conforme necessidade.
Nesse cenário, o nutricionista atua como educador em saúde, auxiliando na interpretação dos dados glicêmicos, na adaptação das escolhas alimentares e na construção de autonomia. A educação nutricional baseada em dados fortalece a adesão e reduz riscos associados à variabilidade glicêmica.
Manejo da hipoglicemia e variabilidade
Por falar em variabilidade glicêmica, esse é um tópico abordado nas novas diretrizes da ADA. A hipoglicemia continua sendo responsável pelo aumento da morbidade e mortalidade no diabetes.
A terapia nutricional no diabetes deve, por essa razão, prever estratégias claras de prevenção e tratamento imediato. O uso de sensores com alarmes de hipoglicemia é uma recomendação forte para pacientes de alto risco.
A variabilidade glicêmica excessiva também é um ponto de atenção nas novas diretrizes. O nutricionista deve focar em alimentos que promovam uma absorção mais lenta de glicose, como fibras e carboidratos complexos. Reduzir as flutuações bruscas ajuda não apenas no controle metabólico, mas também no bem-estar psicológico do paciente.
Cuidados nutricionais no ambiente hospitalar
No hospital, a hiperglicemia, a hipoglicemia e a variabilidade glicêmica estão ligadas a desfechos adversos. O nutricionista hospitalar deve assegurar que a oferta de carboidratos na dieta esteja sincronizada com o esquema de insulina. A terapia nutricional no diabetes em ambiente crítico exige monitoramento frequente para evitar episódios de hiper ou hipoglicemia.
A transição do hospital para o domicílio também é um momento de risco. O nutricionista deve fornecer orientações claras de alta, garantindo que o paciente saiba manejar sua alimentação e tecnologia fora do ambiente controlado. O suporte contínuo após a alta é essencial para prevenir reinternações e garantir a segurança do paciente.
Considerações finais
As Diretrizes da ADA 2026 consolidam uma visão moderna, integrada e baseada em evidências para o cuidado em diabetes. A incorporação de tecnologias de monitoramento glicêmico e infusão de insulina redefine a forma como o controle metabólico é avaliado e manejado.
Nesse cenário, a terapia nutricional no diabetes se fortalece como componente essencial, conectando dados glicêmicos, educação alimentar e decisões clínicas. Atualizar-se nessas diretrizes é fundamental para o profissional da nutrição conseguir conduzir o tratamento alinhado às recomendações atuais, centrado na realidade de cada pessoa e integrado às tecnologias de cuidado.
Para ler a diretriz completa, clique aqui.
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- Cuidados primários em Diabetes – Diretrizes ADA
- Terapia nutricional no Diabetes tipo 1: Diretrizes SBD
- Podcast #42 – Dieta personalizada em diabetes: como elaborar?
Referência
American Diabetes Association Professional Practice Committee for Diabetes. Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care 2026
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