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Medicamentos para emagrecer: quais são os riscos?

Postado em 21 de março de 2022

O uso irresponsável de fármacos para o emagrecimento pode gerar diversos efeitos adversos à saúde

Intervenções farmacológicas são muito utilizadas no processo de emagrecimento. No entanto, muitas vezes essa estratégia ocorre sem o acompanhamento de profissionais responsáveis, o que pode acarretar em diversos danos à saúde. Então, quais são os riscos mais comuns do uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer? É o que iremos descobrir hoje.

Quem deve fazer uso de medicamentos para emagrecer?

A terapia farmacológica é indicada para o tratamento da obesidade, após a avaliação de profissionais capacitados ao contexto geral do indivíduo.

São três os principais mecanismos de ação associados a esses medicamentos:
I – Redução do apetite, reduzindo a ingestão calórica;
II – Promoção do gasto energético;
III – Diminuição na absorção de calorias.

Contudo, deve-se destacar que a prescrição destes medicamentos é indicada somente em casos em que as modificações no estilo de vida se mostrem ineficazes ou insuficientes para o tratamento do paciente; ou seja, quando a alimentação saudável, a restrição calórica e a prática de atividades físicas não surtem resultados significativos.

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Fonte: Shutterstock

A problemática no uso destes medicamentos

Apesar de serem indicados apenas em casos de obesidade e com acompanhamento adequado, nem sempre é isso que acontece na prática.

Recentemente, foi anunciada a morte da cantora Paulinha Abelha, vocalista da banda Calcinha Preta. Os resultados de seus exames apontaram para graves lesões no fígado, além da presença de substâncias tóxicas no corpo, tais como anfetaminas.

Entre outros objetivos, tais substâncias foram receitadas para a cantora com o intuito de emagrecimento, mesmo ela não se encaixando em um quadro de obesidade. Ao total, Paulinha fazia uso de 7 medicamentos indicados por uma médica nutróloga. Infelizmente, o desfecho da situação foi o pior possível, levando a seu falecimento e à comoção nacional.

No Brasil, esta banalização do uso de fármacos para emagrecimento não é incomum. O culto à magreza diariamente promovido pela mídia leva mulheres a se auto medicarem indevidamente, sem prescrição ou orientação correta. Dessa forma, até mesmo mulheres não obesas se veem expostas a uma série de eventos adversos e à dependência medicamentosa.

Em um estudo realizado no estado de São Paulo, 47.5% das participantes que faziam uso de anorexígenos não obtiveram acompanhamento profissional, utilizando medicamentos indicados por amigos, páginas da internet, familiares ou conhecidos.

A problemática é ainda maior quando se trata de formulações manipuladas, com combinações de diversas medicações, que podem gerar intervenções medicamentosas desastrosas.

Os principais remédios para emagrecer e seus riscos

A tabela a seguir mostra os principais medicamentos usados para emagrecer (mesmo que este não seja seu objetivo principal), bem como seus possíveis efeitos adversos, com riscos redobrados se utilizados inadequadamente.

É válido ressaltar que muitos medicamentos já são proibidos no Brasil, tais como a Sibutramina, a Anfepramona, o Femproporex e o Mazindol. Porém, ainda se corre o risco de serem comercializados ilegalmente.

AnfepramonaTaquicardia, náusea, boca seca, vômito, dor de cabeça, constipação intestinal, redução da libido, impotência sexual, alucinações, nervosismo, irritabilidade, inquietação, insônia, depressão, e intoxicação aguda.
BupropionaNáusea, dor de cabeça, constipação, tontura, vômito, boca seca, insônia e elevação da pressão arterial.
FemproporexTaquicardia, palpitação, hipertensão, boca seca, desconforto abdominal, vômito, diarreia, convulsões, episódios psicóticos, depressão, visão turva, irritabilidade, alterações comportamentais e cardiovasculares, alopecia e arritmia, podendo levar ao colapso cardiovascular.
FenterminaParestesia, boca seca, constipação, insônia, disgeusia, ansiedade, depressão.
FluoxetinaNáusea, vômito, sonolência, dor de cabeça, insônia, ansiedade, redução da libido, impotência sexual, retardo na ejaculação, irritabilidade, agitação, nervosismo e tremores, inibição de outros fármacos.
LiraglutidaNáuseas, diarreia, constipação, vômitos, dispepsia.
MazindolInsônia, dor de cabeça, boca seca, náusea, arrepios, irritabilidade, fraqueza, palpitações, desconforto gástrico, constipação, tontura, vertigem e hiperidrose.
OrlistateFezes oleosas, manchas oleosas, urgência fecal, incontinência fecal, hiperdefecação, flatulência com corrimento, deficiência de vitaminas A, D, E e K, danos ao fígado, insuficiência hepática, dependência química ao medicamento, agravamento de arritmias cardíacas, surtos psicóticos e pressão alta.
SibutraminaDor de cabeça, boca seca, náusea, sudorese, dispnéia, constipação intestinal, vertigem, dor nas costas, anorexia, ansiedade, alteração no paladar, dismenorréia, dependência química, taquicardia, hipertensão arterial, resistência bacteriana, hemorragia cerebral, convulsões, aumento do risco de infarto e AVC.


O acompanhamento profissional é fundamental 

Não há dúvidas de que, quando o tratamento medicamentoso é bem orientado, prescrito, fiscalizado, e acompanhado de intervenções de estilo de vida, os benefícios são maiores que os prejuízos.

Contudo, não é o que vem acontecendo para muitos indivíduos, que veem nos medicamentos para emagrecer uma solução rápida para um problema complexo.

Reitera-se que o processo de emagrecimento deve ser sempre acompanhado de perto por profissionais responsáveis e éticos, que preponderam os efeitos adversos e tomem decisões conscientes. Deste modo, fins trágicos serão evitados.

 

Referências:

DE CARVALHO PORTO, Grazielle Belchior; PADILHA, Heloísa Sarto Camões Vieito; SANTOS, Gérsika Bitencourt. Riscos causados pelo uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer. Research, Society and Development, v. 10, n. 10, 2021.

DA CUNHA, Thamires Maria de Macedo et al. Riscos e efeitos colaterais do uso de anorexígenos em mulheres no estado de São Paulo. Research, Society and Development, v. 10, n. 13, 2021.

TAK, Young Jin; LEE, Sang Yeoup. Long-term efficacy and safety of anti-obesity treatment: where do we stand? Current Obesity Reports, v. 10, n. 1, p. 14-30, 2021.

Fígado lesionado por substância para emagrecer e mais: entenda novos dados sobre a morte da Paulinha Abelha. Portal G1, 08 mar. 2022. Disponível em: <https://g1.globo.com/saude/noticia/2022/03/08/figado-lesionado-por-substancias-para-emagrecer-novos-dados-morte-de-paulinha-abelha.ghtml>.

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