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Coenzima Q10 (ou Ubiquinona): o que é? Onde encontrar?

Postado em 4 de outubro de 2021 | Autor: Eduarda Rodrigues | Tempo de leitura: 4 min

A coenzima Q10 se destaca por sua ação antioxidante relacionada à prevenção de doenças

Cada vez mais popular, a  coenzima Q10 (CoQ10) tem sido recomendada por sua ação antioxidante relacionada, principalmente, à prevenção de doenças cardiovasculares e efeitos deletérios do envelhecimento.

Reconhecida pela primeira vez em 1957, pelo professor Frederick Crane nos Estados Unidos (EUA), trata-se de um nutracêutico considerado um composto essencial ao corpo humano, parecida a uma vitamina e naturalmente sintetizada na membrana interna da mitocôndria.

A molécula está presente na maioria das membranas celulares, especialmente na mitocôndria na forma reduzida (ubiquinol) e oxidada (ubiquinona), sendo quimicamente constituída por um grupo benzoquinona e uma cadeia lateral poliisoprenóide, possui característica altamente lipofílica, ou seja, tem uma maior estabilidade em meio lipídico.

Qual é a função da coenzima Q10?

 

A CoQ10 é componente-chave na cadeia de transporte de elétrons na mitocôndria necessária para a síntese de ATP, papel exercido pela ubiquinina, e também por sua ação antioxidante, sendo o único antioxidante lipossolúvel produzido no corpo e responsável por proteger a membrana plasmática contra peroxidação, função atribuída ao ubiquinol.

Observa-se, então, uma maior quantidade de CoQ10 em órgãos de alta demanda energética, como coração, cérebro, rins e fígado. Também é atribuída à CoQ10 a manutenção de vitamina C e a vitamina E nos tecidos.

Além disso, funções como estabilização de canais dependentes de cálcio, regulação metabólica, sinalização celular e crescimento celular por meio da regulação local de intermediários redox citosólicos, como diidronicotinamida-adenina dinucleotídeo fosfato (NADPH), estão também atribuídas à esta coenzima.

A deficiência da coenzima

 

A sua deficiência pode ser denominada como deficiência primária ou secundária.

Na primária, o seu déficit é resultado de mutações em genes envolvidos na via biossintética da CoQ10, ou seja, a deficiência se dá por modificações genéticas que acontecem dentro da célula.

Já a secundária, não está relacionada à mutação de genes na via biossintética, mas sim por fatores não genéticos ou externos, como a síndrome de depleção do DNA mitocondrial, doença cardiovascular, doença renal crônica, diabetes tipo II, síndrome metabólica e uso de certos medicamentos.

Além disso, sabe-se que há um importante declínio da síntese CoQ10 relacionado ao envelhecimento natural, com redução para 50% da síntese após os 70 anos.

Mas de modo geral o aumento de sua demanda e o estado de estresse oxidativo geral afeta os níveis endógenos de CoQ10.

Quanto de coenzima Q10 precisamos ao longo do dia e onde encontramos?

 

A CoQ10 pode ser obtida através da alimentação, sendo encontrada em peixes gordurosos, como salmão, sardinha e atum, na soja, espinafre e nozes. Entretanto, a maior parte é sintetizada no corpo, principalmente no fígado, sendo a ingestão via dieta a mais significativa em condições de deficiência.

Estima-se que nossa necessidade diária é de aproximadamente 500 mg/dia e a dieta fornece normalmente até 5 mg/dia.

Precisamos suplementar CoQ10?

 

Estudos mostram que a suplementação da coenzima é benéfica tanto para tratamento de doenças, quanto para a profilaxia de alguns distúrbios, como doença cardiovascular, diabetes, hipertensão, além de declínios cognitivos relacionados à idade, como a doença de Parkinson. No entanto, a dosagem utilizada de CoQ10 nos estudos é bastante ampla: de 100 a 300mg.

A literatura recente mostra que a ingestão terapêutica da coenzima Q10 em pessoas saudáveis aumentou a resposta hemodinâmica do fluxo sanguíneo cerebral, o gasto de energia e a oxidação de gordura, auxiliou na redução da fadiga física e mental, melhorou a velocidade e precisão da função cognitiva durante tarefas e reduziu o estresse.

Além disso, algumas evidências mostram que a sua suplementação ajuda na diminuição de dor, fadiga e o cansaço matinal em pacientes com fibromialgia, na melhora de sintomas da cefaleia e enxaqueca, no desempenho esportivo de exercícios aeróbico e na redução de sintomas ocasionados pela depressão e transtorno bipolar.

De forma geral, a CoQ10 é bem tolerada quando consumida até 1200 mg/dia, sem efeitos adversos graves detectados no uso de longo prazo, sendo relato apenas distúrbios gastrointestinais leves, como dores de estômago, náuseas, vômitos e diarreia, embora isso não tenha sido relacionado à dose. São desconhecidos efeitos colaterais tóxicos relacionados a CoQ10.

Devido a estudos preliminares defasados, a sua suplementação é contraindicada em pacientes com doença renal, hepática e em uso de quimioterápicos. Sua administração é feita via oral, entretanto, pode-se observar baixa biodisponibilidade da coenzima no ambiente gastrointestinal, sendo aconselháveis manejos para melhorar essa característica.

Vale destacar também que a sua absorção não é linear e depende de gorduras, devido a sua característica lipossolúvel. Observa-se que doses crescentes são absorvidas em grau decrescente, por isso recomenda-se a administração em doses divididas (normalmente 100 mg duas ou três vezes ao dia).

No entanto, apesar dos potenciais benefícios, os estudos sugerem que mais ensaios clínicos são necessários para se avaliar os efeitos em longo prazo da suplementação de coenzima Q10 nas mais diferentes condições clínicas.

 

Veja também: Suplementação de coenzima Q10 melhora defesa antioxidante e reduz inflamação em pacientes com doença arterial coronariana

 

Referências

HARGREAVES, Iain P. et al. Coenzyme Q10 Supplementation in Fibrosis and Aging. Reviews On Biomarker Studies In Aging And Anti-Aging Research, [S.L.], p. 103-112, 2019. Springer International Publishing.

PRASAD, Kedar N.. Micronutrients in Health and Disease. 2. ed. Boca Raton: Taylor & Francis Group, 2019.

ZOZINA, Vladlena I. et al. Coenzyme Q10 in Cardiovascular and Metabolic Diseases: current state of the problem. Current Cardiology Reviews,[S.L.], v. 14, n. 3, p. 164-174, 7 ago. 2018. Bentham Science Publishers Ltd.

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Maggini S, Óvári V, Ferreres Giménez I, Pueyo Alamán MG. Benefits of micronutrient supplementation on nutritional status, energy metabolism, and subjective wellbeing. Nutr Hosp. 2021 Jul 28.

 

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