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Quais os efeitos adversos da desidratação durante a atividade física?

Postado em 5 de outubro de 2020 | Autor: Natalia Lopes

A desidratação pode comprometer o rendimento de atletas

A desidratação é resultado da perda de água e eletrólitos durante atividade física, que ocorre não apenas pela sudorese intensa, mas, também, devido à ingestão insuficiente e/ou deficiente absorção de líquidos, podendo resultar em alteração da performance física. Vários são os fatores relacionados ao aumento da necessidade hídrica, como o tipo de atividade, condicionamento físico, idade, estresse ambiental, entre outros.

Quais são os tipos de desidratação?

Há três tipos característicos de desidratação:

  1. Hipotônica: quadro em que há maior perda de eletrólitos em comparação a perda de água, que pode ser resultado da transpiração excessiva, resultando em quadro de hiponatremia. Indica-se a ingestão de sal para reestabelecer o equilíbrio osmótico.
  2. Isotônica: desidratação caudada por vômitos e diarreias, levando a perda de água e eletrólitos de forma equilibrada, proporcionais. Indica-se a reposição através de bebidas isotônicas.
  3. Hipertônica: tipo mais comum em atletas, caracteriza-se pela maior perda de água em comparação a perda de eletrólitos, em decorrência de ingestão insuficiente de água, ausência da percepção de sede, sudação excessiva, diurese e diarreia osmótica.

Quais os sinais de desidratação e efeitos para praticantes de atividade física?

A desidratação é capaz de aumentar a temperatura corporal, prejudicando as respostas fisiológicas e o desempenho físico, apresentando riscos para a saúde. Esses efeitos começam a ser observados já com uma desidratação leve ou moderada, que representa até 2% de perda do peso corporal, agravando-se à medida que essa perda de peso se acentua. Com perda de 3% do peso corporal, há redução importante do desempenho; com 4 a 6% pode ocorrer fadiga térmica; a partir de 6% existe risco de choque térmico, coma e morte.

Porcentagem de perda de pesoSinais e sintoma
0Nenhum
1Sede limítrofe, comprometimento da termorregulação, diminuição da capacidade de exercício
2Sede mais forte, desconforto vago, sensação de opressão, perda de apetite
3Boca seca, redução do débito urinário, hemoconcentração
4Decréscimo de 20 a 30% da capacidade de trabalho físico
5Dificuldade de concentração, cefaleia, impaciência, sonolência
6Comprometimento grave da regulação térmica, respirações aumentadas, levando a formigamento e dormência das extremidades
7Estupor e colapso, especialmente quando combinado com calor e exercício continuado

Podemos esquematizar a percentagem de perda de peso corpóreo em fluidos e seus sinais e sintomas da seguinte maneira:

Listamos abaixo as alterações provocadas pela desidratação:

  • Alteração na concentração de lactato e osmolaridade sanguínea
  • Alteração do índice de percepção de esforço
  • Náuseas e vômitos
  • Mudança no requerimento de glicogênio muscular
  • Aumento da temperatura interna: hipertermia
  • Presença de cãibras, exaustão ou choque térmico
  • Alteração do volume plasmático
  • Alteração do volume sistólico, débito cardíaco e VO2max
  • Mudança do fluxo sanguíneo para pele e músculos ativos, fígado e outros órgãos
  • Aumento da taxa de sudorese
  • Aumento do tempo para atividade contínua, prolongada e intensa
  • Aumento da pressão arterial
  • Alteração dos componentes cognitivos

Referências

AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE (ACSM). Nutrition and Athletic Performance. Medicine & Science In Sports & Exercise, [s.l.], v. 48, n. 3, p.543-568, mar. 2016. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DO EXERCÍCIO E DO ESPORTE (SBME). Modificações
dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Rev Bras Med Esporte [s.l.], v. 15, n. 3, Mai/Jun, 2009

NAGHII MR. The significance of water in sport and weight control. Nutr Health, v.14, n.2, p.127-32, 2000.

GRANDJEAN, AC, RUUD JS. Nutrição esportiva. In: Segredos em nutrição: respostas necessárias para o dia-a-dia: em rounds, na clínica, em exames orais e escritos. Porto Alegre: Artes Médicas Sul; 2000. p. 85-9.

Rossi,Luciana; Poltronieri, Fabiana. Tratado de Nutrição e Dietoterapia. 1.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.

 

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