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Quais são as principais recomendações nutricionais para pacientes com doença de Crohn?

Postado em 20 de setembro de 2021 | Autor: Eduarda Rodrigues| Tempo de leitura: 4 min

A conduta nutricional é aplicada de acordo com as fases da doença

recomendações nutricionais para pacientes com doença de Crohn

A doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória que acomete homens e mulheres de diferentes idades, apesar ser mais comum na terceira década da vida. Pode se manifestar em diferentes partes do trato-gastrointestinal (TGI), sendo os locais mais comuns: o íleo e o cólon. A sua causa ainda é desconhecida, apesar de ter uma grande ligação com fatores genéticos, doenças autoimunes, aspectos ambientais e emocionais.

Por ser uma doença crônica, não tem cura, alternando entre fase de remissão, ou seja, períodos em que não há manifestações clínicas da doença, e a fase ativa. Os sintomas mais comuns são: diarreia, dor abdominal, lesões retais, incluindo hemorroidas, fissuras, fístulas e abscessos, febre, perda de peso, falta de apetite e fadiga, além do surgimento de sintomas extra intestinais, envolvendo os olhos, sistema hematológico, articulações e pele.

Apesar de ser uma doença que não tem ligação direta com a alimentação, a conduta nutricional adequada é de suma importância para a recuperação do estado nutricional do paciente, logo que em 65 a 75% observa-se quadro de desnutrição.

Mas quais são as recomendações nutricionais para pacientes com doença de Crohn?

Quando falamos de intervenções nutricionais em pacientes com DC, muitas diretrizes recomendam a utilização de terapia nutricional enteral (NE) e parenteral (NP).

A nutrição enteral é principalmente recomendada na fase recidiva da doença, ou seja, quando ela volta a se manifestar, sendo utilizada por 6 a 8 semanas até o período de resseção. Normalmente a NE é ofertada via oral, em formas de bebidas, soluções em pó, lanche semelhante a uma sobremesa ou por meio do tubo de alimentação. Além disso, ela pode ser recomendada como uma dieta de manutenção durante a fase de estabilidade, como complemento da dieta oral usual.

Já a nutrição parenteral, segundo as recomendações, é ofertada ao paciente com DC para otimizar o estado nutricional no pós cirúrgico, ou quando a NE não for indicada. Contudo, é comumente recomendada em pacientes desnutridos, que estão na fase aguda da doença a fim de trazer um repouso intestinal a esses indivíduos.

Segundo as diretrizes ESPEN de 2017, as terapias de nutrição enteral e parenteral são recomendadas apenas quando a ingestão oral é insuficiente, servindo como uma terapia de suporte.

Além dessas condutas, algumas dietas com modificações dietéticas trazem inúmeros benéficos a esses pacientes, sendo o caso da dieta de carboidratos específicos e a dieta de baixo FODMAP.

A dieta de carboidratos específicos (DCE) foi desenvolvida primeiramente para atender pacientes com doença celíaca, mas, segundo estudos, auxiliaria na melhora de sintomas da DC e qualidade de vida do paciente, provendo também a cicatrização da mucosa, assim reduzindo os índices inflamatórios. A DCE consiste na ingestão de monossacarídeos, excluindo dissacarídeos e a maioria dos polissacarídeos, sendo orientado o consumo de carne, ovos, óleo, vegetais ricos em amilose, laticínios com baixo teor de lactose, nozes e frutas. Já os que deve ser evitados são alimentos ricos em sacarose, maltose, lactose, como, quiabo, batata, milho, leite fluido e queijos, como o queijo fresco, aditivos alimentares e conservantes. A dieta é recomendada por um período de um ano após a remissão dos sintomas, entretanto, pesquisadores mostram que muitas vezes devido às atividades do dia a dia, como trabalho, eventos sociais, a dieta apresentaria dificuldade de adesão completa.

Já a dieta de baixo FODMAP, é um manejo dietético que exclui carboidratos de cadeia curta, que são mal absorvidos pelo intestino promovendo uma alta fermentação das baterias intestinais, ocasionando a diarreia, inchaço, distensão e dor abdominal. A sigla FODMAP significa fermentável, oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis, ou seja, a dieta consiste na baixa ingestão desses alimentos. Podemos ver abaixo os alimentos recomendáveis e os que devem ser evitados:

 

Grupo de alimentos

Alimentos ricos em FODMAP Alternativas alimentares

Fruta

Maçãs, damascos, cerejas, amoras, manga, nectarinas, pêssegos, peras, caqui, ameixas, melancia.

Banana, mirtilos, melão, toranja, uvas, limão, lima, tangerina, laranja, maracujá, framboesa, ruibarbo, morango

 

Verduras Alcachofras, aspargos, couve-flor, alho, cogumelos, cebola, chalota, vagens, cebolinha verde (parte branca)

Cenoura, pimentão, cebolinho, pepino, berinjela, gengibre, ervilhas, alface, azeitonas, nabos, pimentos, batata, espinafre, tomate, abobrinha

Fontes de proteínas

 

Oligossacarídeos

Legumes/leguminosas

 

Pistache, castanha de caju

 

Toda a carne fresca de vaca, frango, cordeiro, porco, vitela, Ovos, Tempeh, Tofu

Macadâmia, amendoim, nozes e pinhões

Pães e cereais Trigo, centeio, cevado

Trigo mourisco, milho, aveia, polenta, quinoa, arroz

Lácteos

Leite condensado ou evaporado, queijo cottage ou ricota, creme, sorvetes, leite, iogurte Mantega, leite sem lactose, iogurte sem lactose, outros queijos, leite de arroz
Outros Mel, sorbitol ou manitol, xarope de milho rico em frutose, frutose

 

Xarope de frutose dourada, xarope de bordo, açúcar comum (sacarose), glicose

 Adaptado de Dieta e intestino, 2018.

A dieta pobre em FODMAPS, embora apresente benefícios no controle de sintomas, é aconselhável na fase remissão na doença.

Além dessas alternativas, há evidências, também, acerca da dieta semi-vegetariana, ingestão de probióticos, prebióticos e simbióticos e a utilização da Nutrigenômica como alternativas terapêuticas para esses pacientes.

Confira também o Podcast:  Dieta de exclusão da Doença de Crohn: como fazer na prática?

 

Referência

Caio, G.; Lungaro, L.; Caputo, F.; Zoli, E.; Giancola, F.; Chiarioni, G.; De Giorgio, R.; Zoli, G. Nutritional Treatment in Crohn’s Disease. Nutrients 2021, 13, 1628.

 Dieta e intestino, 2018.

OLIVEIRA, Carina et al. SUPORTE NUTRICIONAL NA DOENÇA DE CROHN. Acta Portuguesa de Nutrição, Portugual, v. 10, n. 0, p. 44-48, set. 2017.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. PORTARIA SAS/MS N° 966, DE 2 DE OUTUBRO DE 2014.: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Doença de Crohn. Brasil: Ministério da Saúde, 2014.

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